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Filha e ex-enteada relatam abusos sexuais cometidos por médium

Paulo Roberto Roveroni, conhecido como Paulinho de Deus, foi preso preventivamente em São Paulo

Por Da Redação Atualizado em 10 mar 2021, 20h47 - Publicado em 10 mar 2021, 20h43

O líder espiritual Paulo Roberto Roveroni, conhecido como Paulinho de Deus e diretor da Associação Espírita Beneficente Paulo de Tarso, foi preso preventivamente na última quinta-feira (4) por suspeita de estupro de vulnerável, em Catanduva, São Paulo.

Segundo Universa, três mulheres denunciaram os supostos abusos praticados pelo médium, sendo que uma seria a filha e a outra ex-enteada de Paulo. A terceira é uma mulher que frequentava o espaço religioso dirigido por ele.

Para o veículo, a filha do médium relatou que os abusos começaram aos 11 anos na sua casa. “Ele é um monstro e merece estar preso. Só Deus sabe o inferno que passei dentro de casa e todos os traumas que carrego até hoje devido aos abusos. Foi terrível conviver com ele todos aqueles anos”, descreveu.

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Facebook/Reprodução

Os ataques, segundo ela, aconteciam principalmente na ausência da mãe. Porém, ele arriscava entrar no quarto da jovem mesmo com a mãe dentro de casa. “Todas as vezes que ele tinha a oportunidade de ficar sozinho comigo em casa, ele tentava me molestar de alguma forma. Lembro-me que ele perguntava se eu tinha algum namoradinho na escola e dizia que iria me ensinar a beijar e a fazer outras coisas. Ele me forçava a beijá-lo e a tocar o corpo dele”, disse.

A vítima dividiu com a mãe a situação, que não acreditou no desabafo. Segundo ela, os abusos aconteceram até os seus 16 anos, quando os pais se separaram.

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A mãe confessou à filha que, na época em que ela alertou sobre os abusos, buscou ajuda de pessoas dentro do centro espírita, só que foi desconsiderada por todos. “Diziam que era amor de pai e eu estaria fantasiando a situação”, comentou a vítima sobre as falas que a mãe escutava.

Para o G1, a ex-enteada de Paulo revelou que o primeiro abuso praticado por ele aconteceu quando ela tinha dois anos. “Ele ficava pelado na minha frente e colocava minha mão no pênis dele (…) Esses abusos, estupros, foram progredindo. Ele era meu padrasto, e ainda pior, dirigente da associação. Então, ele sempre foi uma pessoa conhecida, considerado caridoso, educado, que ajuda os pobres.”

Com a religião como escudo, o médium manipulava a jovem para mantê-la calada durante os anos de estupros e violência psicológica. “A minha mãe nunca desconfiou, mas achava que tinha algo errado comigo. Como eu fui criada desde os meus 2 anos com o meu agressor em casa, eu o defendia. Não entendia direito o que acontecia, que eu era de fato violentada”, apontou.

A mãe da vítima só tomou conhecimento dos abusos em fevereiro deste ano, quando os dois tiveram uma discussão. “Eu vi que era aquela a hora de contar, porque de alguma forma eu estava um pouco mais segura com ele fora de casa. […] Me fala como uma vítima de estupro conta que está sendo estuprada com o próprio agressor dentro de casa, vigiando, sabendo cada passo?”.

A associação espírita, dirigida por Paulo, afirmou que “toda e qualquer irregularidade que envolva a instituição ou seus colaboradores, serão averiguados todos os fatos e provas para que sejam tomadas as medidas cabíveis.”

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