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Mulheres no Afeganistão passam a ter nome na identidade dos filhos

No país, mencionar o nome de uma mulher em público é sinônimo de ofensa

Por Da Redação - Atualizado em 16 set 2020, 13h34 - Publicado em 3 set 2020, 20h33

#WhereIsMyName (em tradução livre para o português, #OndeEstáMeuNome). A hashtag circulou nas redes sociais de internautas do Afeganistão pelo fato das identidades dos cidadãos do país não terem o nome da mãe. A articulação da população local e de grupos ligados ao direito das mulheres surtiu resultado. De acordo com o jornal The New York Time, o governo anunciou nesta terça-feira (1) que os documentos contariam não só com o nome do pai, mas também da mãe.

A omissão no registro de identidade refletia um problema estrutural e religioso do país, que considera a figura da mulher em locais públicos um tabu e sinônimo de vergonha. Sendo assim, o pequeno passo se torna grande, além de representar o começo para mais mudanças.

Segundo ativistas locais, a misoginia no país é baseada no fundamentalismo religioso, intensificada pelo grupo político Talibã. Representando quase a metade da população, as mulheres ainda passam por situações ofensivas como ter seu nome visto como um insulto. O fato de mencionar o nome da mãe de uma pessoa em voz alta é motivo de briga e nem nos túmulos os corpos de mulheres recebem seus nomes.

O governo islâmico do Talibã, nos anos 90, chegou a manter as mulheres confinadas dentro de casa, tirando seus direitos básicos, como acesso à educação e emprego remunerado. Hoje em dia, a realidade é diferente, já que meninas frequentam escolas e universidades e mulheres integram cargos públicos. 

 

 

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