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Mulher é resgatada de 8 anos em cárcere com ajuda de bilhete

Mantida presa pelo próprio marido, a vítima conseguiu ajuda após escrever a rotina de abusos, que foi fotografada pelo filho e levada à delegacia

Por Da Redação - Atualizado em 9 jul 2020, 20h19 - Publicado em 9 jul 2020, 20h14

Uma mulher de 46 anos foi resgatada na quarta-feira (8) em Campo Grande, Rio de Janeiro, após ser mantida em cárcere privado pelo próprio marido durante oito anos. A polícia chegou até o caso após receber um bilhete de ajuda escrito pela vítima e fotografado por seu filho, que levou a situação até a Delegacia de Atendimento à Mulher do bairro.

“Estou sendo coagida pelo (nome do marido). Ele fica o tempo todo atrás de mim, vendo o que faço e me ameaçando”, diz a mensagem. Ainda segundo o bilhete, ela já teria tentado denunciar o marido por telefone ano passado, mas não conseguiu concretizar a denúncia, pois era preciso ir até uma delegacia. “Não tenho como sair, estou completamente sendo torturada psicologicamente, moralmente e passando por constrangimentos horríveis.”

Ao G1, a delegada Mônica Areal relatou que a vítima estava muito nervosa e mal conseguia falar. “Contou que tentou fugir, mas não conseguiu. Procurou a delegacia, mas não conseguiu formalizar a queixa. Ela vivia tão oprimida, tão dominada pelo marido que, no momento da prisão, ficou quietinha, calada num canto da porta. Deu para perceber o nível de dominação que ele tinha sobre ela”, disse.

De acordo com a delegada, já fazia algum tempo que a família desconfiava de que havia algo de errado acontecendo, já que, nas poucas vezes em que podiam visitá-los, a mulher sempre se mostrava muito calada e retraída. “Ontem, durante uma visita, numa distração do marido, o filho conseguiu fotografar o bilhete e trazer aqui à delegacia. Ele veio acompanhado de um outro parente, que também estava desconfiado da maneira retraída com que a vítima se comportava. Mas, como ela não tinha liberdade para usar o telefone nem receber visitas, porque o marido estava sempre ao lado, eles não tinham como saber exatamente o que estava se passando com a vítima”, explicou Areal.

O homem de 49 anos, cuja identidade não foi revelada, foi preso em flagrante, sem apresentar resistência. Ele responderá pelo crime de cárcere privado, com pena de dois a cinco anos de prisão.

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