Mulher acorda após 27 anos em coma

A mulher estava em estado vegetativo desde 1991, quando sofreu um grave acidente de carro

Munira Abdulla, dos Emirados Árabes, acordou após 27 anos em coma. A mulher estava em estado vegetativo desde 1991, quando sofreu um grave acidente de carro. O caso foi revelado na terça-feira (23) pelo filho, Omar Webair.

Na época do acidente, Munira tinha 31 anos e sofreu lesões cerebrais quando o carro em que estava se chocou contra um ônibus. Ela tinha acabado de buscar o filho na escola. Ele tinha quatro anos na época e não se feriu.

Munira foi internada e entrou em coma. Ela só recobrou a consciência no ano passado em um hospital alemão para onde foi transferida há dois anos.

Em entrevista ao jornal ‘The National’, dos Emirados Árabes, Omar contou detalhes sobre o acidente e o caso raro da mãe.

O acidente 

Quem conduzia o carro que colidiu com o ônibus era o cunhado de Munira. Omar conta que a mãe estava sentada ao lado dele, no banco de trás.

“Quando viu que o carro iria bater, ela me abraçou para me proteger do impacto”, contou o filho, que sofreu apenas um ferimento na cabeça. Munira demorou horas para ser atendida.

O tratamento

Munira foi levada para o hospital e, posteriormente, transferida para Londres, onde declararam que ela estava em estado vegetativo. Logo depois, Munira foi transferida para a cidade de Al Ain, nos Emirados Árabes, onde vivia antes do acidente.

A sobrevivente passou por vários hospitais, seguindo orientações e exigências dos planos de saúde. Durante esse período, era alimentada por um tubo e fazia fisioterapia para impedir a atrofiação dos músculos.

Em 2017, Munira foi transferida para a Alemanha, após receber um benefício da Corte Real, órgão governamental de Abu Dhabi. Lá, ela passou por uma série de cirurgias para corrigir o encurtamento dos braços e das pernas.

O retorno à consciência

Munira recobrou a consciência após o filho entrar em uma discussão no quarto do hospital em que estava internada. O ocorrido parece ter deixado a mãe agitada.

“Houve um mal entendido no quarto e ela sentiu que poderia estar em risco, o que causou nela um choque”, diz Omar. “Ela começou a fazer barulhos estranhos e eu pedia para os médicos a examinarem, mas eles diziam que estava tudo normal.”

Segundo o relato do filho, três dias depois do incidente ele acordou com o som de alguém tentando chamá-lo pelo nome. Era sua mãe.

“Ela estava dizendo meu nome. Por anos, eu sonhei com esse momento e o meu nome foi a primeira coisa que ela disse”, relembra.

Com o passar do tempo, Munira melhorou sua comunicação e capacidade de resposta. Hoje, ela já reage à dor e consegue manter alguns diálogos, e está fazendo fisioterapia, além de tratamentos de reabilitação. O objetivo é fazê-la sentar e prevenir que os músculos se contraiam.

Caso raro

O que aconteceu com Munira é raro. São poucos os casos de pessoas que conseguiram recobrar a consciência após vários anos em coma – e quando isso acontece, a recuperação costuma ser lenta.

De acordo com o NHS, o serviço de saúde pública do Reino Unido, é impossível prever as chances de alguém em estado vegetativo melhorar. Pessoas que recobram a consciência após muitos anos, normalmente apresentam deficiências provocadas pelos danos cerebrais.

“Eu nunca desisti dela, porque sempre tive a sensação que um dia ela acordaria”, disse Omar ao jornal ‘The National’.

“O meu motivo para compartilhar a história dela é dizer para as pessoas não perderem a esperança. Não considerem que a pessoa que você ama está morta, se ela se encontrar nesse estado”, afirmou.

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