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Mais da metade das vítimas de estupro são crianças de até 13 anos

Os principais agressores são amigos e conhecidos, segundo o Atlas da Violência 2018, relatório nacional divulgado nesta terça-feira (5)

Por Da Redação Atualizado em 5 jun 2018, 11h49 - Publicado em 5 jun 2018, 11h44

Na última semana, dois casos de abusos contra crianças entraram na pauta dos noticiários. Eram mães que descobriram que as filhas eram sexualmente violentadas. A primeira notou sua cria triste sem motivos aparentes. A segunda encontrou fotos dos atos libidinosos no celular do pai, algoz das duas meninas. Os casos são ilustrações para dados apresentados pelo Atlas da Violência 2018, organizado em parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta terça-feira (5).

Segundo o relatório, que analisou os informações 2016 fornecidas pelo Ministério da Saúde, mais da metade das vítimas de estupro no Brasil são crianças de até 13 anos de idade (50,9%). Na lista dos agressores, amigos e conhecidos lideram o páreo, seguidos de pais e padrastos. A amostra percentual já se mantém há 7 anos.

  • Na análise comparativa, por outro lado, o número de casos contra adolescentes (14 a 17 anos) caiu em relação a 2015. Entretanto, a parcela de vítimas adultas absorveu essa queda, com o agravante de que estão entre os principais alvos de estupros coletivos. Em relação à raça ou cor, as vítimas que se identificam como pardas lideram os números desde 2011.

    SUBNOTIFICAÇÃO

    O resultado pode ser apenas a ponta de um contexto muito maior. “Certamente, as bases de informações possuem uma grande subnotificação e não dão conta da dimensão do problema, tendo em vista o tabu engendrado pela ideologia patriarcal, que faz com que as vítimas não reportem o crime sofrido”, afirma o relatório.

    Os pesquisadores usaram dados internacionais para estimar os possíveis valores reais do número de casos no Brasil. Nos Estados Unidos, apenas 15% dos crimes sexuais são reportados às autoridades. Caso o Brasil apresente valor semelhante, os casos podem chegar à casa dos 300 a 500 mil a cada ano.

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