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Jussara Paixão mostra que nunca é tarde para mudar de vida

Jussara Paixão, 51 anos, decidiu fazer sua primeira tatuagem aos 37 anos e deixar para trás a profissão de socorrista para se dedicar à fotografia

Por Mariana Conte 24 nov 2017, 12h08

Nunca é tarde demais. É importante se lembrar que ignorar as convenções e os próprios medos é fundamental para mergulhar em sonhos e projetos.  Jussara Paixão, 51 anos, por exemplo, decidiu fazer sua primeira tatuagem aos 37 anos e deixar para trás a profissão de socorrista para se dedicar à fotografia.

“Fiz a minha primeira tatuagem quando enfrentava um momento de vazio, aos 37 anos. Tinha voltado a morar no Rio de Janeiro com minha filha, ainda pequena, após perder meu marido. Conforme o tempo foi passando, decidi que queria registrar na pele todas as coisas que amo, como a enfermagem, a fotografia e a natureza. Hoje, tenho boa parte do corpo coberta por esses desenhos, que contam a minha história.

É claro que tem gente preconceituosa, que olha de modo estranho, como se tatuagem ainda fosse coisa só de adolescente. Eu não ligo. Serei eternamente descolada, até bem velhinha.

Naquele período duro, em que estava me reerguendo, decidi fazer faculdade de fotografia por lazer. Nem pensava em trabalhar na área. Eu ganhava a vida como enfermeira e tinha atuado como socorrista. Mas andava cansada de presenciar muita tristeza na área da saúde.

Por indicação de um amigo, fiz um trabalho de fotografia para a Polícia Civil. Entreguei as imagens para uma delegada, e ela sugeriu que eu levasse uma proposta para trabalhar com eles. Coincidentemente eu estava com meu projeto de conclusão do curso na bolsa e mostrei a ela. Era sobre os trabalhadores do Rio de Janeiro.

A delegada adorou e disse que eu podia fazer muita coisa para eles. Tinham iniciativas que ninguém conhecia, como grupos de coral e de esportes. O chefe da polícia aprovou e comecei a fazer registros de homenagem a eles, a cobrir eventos. Parecia não ser a hora de iniciar uma nova carreira, ainda mais essa, que envolvia risco.

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Não há concurso para fotógrafos na polícia, nem esse cargo. Arrisquei. Naquela fase, tudo era experiência, aprendizado. Hoje sou remunerada e estou captando também imagens para vídeos. Já organizamos uma exposição interna, que pretendo mostrar no Centro Cultural da Justiça Federal para a sociedade ver. Sempre me identifiquei com o fotojornalismo e, estando ali entre os policiais, passei a acompanhá-los em missões.

Cubro operações, acompanho mandados judiciais e manifestações e fotografo cenas de crime. Quando vou para esses trabalhos, escondo as tatuagens para não ser reconhecida. Eu gosto de emoção, mas é claro que sinto medo. Ao mesmo tempo, esse sentimento e minha filha são minhas rédeas, o que me ajuda a frear.

Logo que entrei, os homens demonstraram certo incômodo, mas aos poucos foram se acostumando. Penso em, mais pra frente, desacelerar e direcionar meu trabalho para algo menos tenso. Por enquanto, pratico krav magá, luta de defesa pessoal, e isso me ajuda a ter mais fôlego e estar preparada para as operações.

Também sou uma das organizadoras do grupo Fotógrafas Brasileiras, com Wania Corredo, profissional premiada. São cerca de 2 mil mulheres de todo o país. Nós nos reunimos para apoiar e divulgar o trabalho de todas. Acho que para sempre terei a idade que minha cabeça apontar.”

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