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Depoimento de Ghislaine Maxwell conta detalhes de rotina com Epstein

A empresária, acusada de tráfico sexual e abuso, chamou o príncipe Andrew de "mentiroso" e contou o que acontecia nas sessões de massagem de Epstein

Por Da Redação Atualizado em 22 out 2020, 21h38 - Publicado em 22 out 2020, 21h35

“Não consigo pensar em nada que fiz que seja ilegal”. Essa frase, divulgada pelo The New York Times, foi retirada de um depoimento de Ghislaine Maxwell sobre o caso de abuso sexual contra mulheres e meninas envolvendo do seu ex-parceiro Jeffrey Epstein.

Adepta do silêncio durante as investigações, a fala da acusada em 2016 foi divulgada nesta quinta-feira (21) pela Justiça estadunidense. No depoimento, de 418 páginas, Ghislaine nega as denúncias de tráfico e aliciação de menores contra ela e de abusos cometidos por Epstein, que morreu em julho de 2019 durante o processo, no qual ele era réu.

Príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth II, e Virginia Giuffre, vítimas que afirmou ter sido traficada aos 17 anos, foram apontados por Maxwell como mentirosos. Segundo ela, Epstein não apresentou Virginia e nenhum outro menor de idade ao monarca. 

As falas também são contraditórias, já que na época Ghislaine também disse: “não posso testemunhar pelo que o Jeffrey fez ou não fez. Eu só posso testemunhar sobre aquilo que eu sei”, apontou ao juiz.

Esquivando-se das perguntas ligadas a Epstein, a acusada se exaltou no depoimento, principalmente quando o juiz questionou sobre um cesto de roupa suja, onde foi encontrado brinquedos sexuais. “Preciso que você defina um brinquedo sexual”, questionou ela. No momento, um computador do relator do tribunal foi derrubado e posteriormente Ghislaine pediu desculpas.

Além de tráfico sexual, a ex-namorada de Epstein também é acusada por participar de abusos e também mentir para a Justiça em seus depoimentos. Em caso de condenação, Ghislaine pode ficar presa por até 35 anos.

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Entre tantas negações, Ghislaine optou por falar das suas funções profissionais com Epsitein. Contratar atendentes da piscina, jardineiros, chefs, mordomos, governantas e motoristas eram algumas de suas responsabilidades, informou. Ela também foi categórica ao afirmar que o ex-presidente Bill Clinton nunca visitou a ilha particular de Epstein no Caribe, conforme denúncia de Giuffre.

Outra revelação feita pela acusada é que o ex-parceiro emprestou dinheiro para que ela comprasse uma casa e um carro. No entanto, Maxwell disse que não se lembrava da marca e modelo do automóvel. Além disso, Epstein também teria feito uma doação 50.000 dólares para a TerraMar,  instituição de caridade criada por Ghislaine para preservar o oceano.

Sobre a rotina de Jeffrey, Maxwell revelou que as massagens aconteciam pelo menos uma vez por dia. Quando o juiz perguntou se a palavra “massagem” era um código para sexo, ela não respondeu, mas afirmou que o momento envolvia relações sexuais com adultos.

Ghislaine e seus advogados fizeram de tudo para o depoimento, oriundo de um caso movido por Virginia em 2015, não ser divulgado, alegando que ele possuía informações confidenciais. Segundo a denúncia feita por Virginia, ela foi traficada e conheceu Maxwell em Mar-a-Lago, clube privado do presidente Trump, em Palm Beach, Flórida, onde Epstein tinha uma residência.

Maxwell não cita o nome do presidente no depoimento, assim como Giuffre também não o acusou de envolvimento nos abusos. Quando Ghislaine foi presa, Trump desejou felicidades em uma entrevista coletiva e contou que havia encontrado ela e Epstein diversas vezes no clube. Trump e Epstein foram flagrados juntos em uma festa anos 90 assistindo e comentando apresentações de mulheres.

Nesta quinta-feira, os advogados de Giuffre, David Boies e Sigrid McCawley, apontaram que o depoimento de Ghislaine é “uma pequena parte das evidências totais”.

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