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Encontre bem-estar e autoconhecimento no budismo

Ela prega valores como ética e desapego e mostra que lavar pratos também é importante para a evolução espiritual, a ser perseguida aqui e agora

Por José Tadeu Arantes (colaborador) 11 jan 2009, 22h00 | Atualizado em 28 out 2016, 20h54
Hemera Technologies/ ThinkStock
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Desapego e mudança

Encarar de forma mais positiva as transformações, as doenças e as perdas é um dos principais benefícios da prática budista. Foi isso que atraiu a consultora de viagens Liane Sanchez, 52 anos, de formação católica e ecumênica declarada. 

Depois de estudar o espiritismo, as filosofias hinduístas e a tradição Rosa Cruz, Liane se encantou com o conceito de impermanência, um dos ensinamentos de Buda. “Essa idéia põe você em contato com o tempo presente e mostra que os valores que tanto prezamos são transitórios. De fato, nada nos pertence. Pensamos no amanhã ou no ontem e esquecemos de dar atenção ao hoje, àquilo que está ao nosso lado”, diz. Liane dedica-se ao estudo dos textos budistas e pratica a meditação. “Fiquei mais tolerante e passei a valorizar todos os segundos. Já que a morte é inevitável, vivo cada dia como se fosse o último”, explica. 

O conceito de impermanência, comum a todas as linhas do budismo, é aprofundado pelo lama Gangchen Rimpoche, um dos grandes mestres vivos da tradição tibetana: “Confundimos impermanência com a idéia de que algo existente hoje um dia vai deixar de existir. Mas não é disso que se trata. Impermanente é aquilo que se transforma a cada instante. A mente, por exemplo, continua existindo, mas está em constante transformação. Se tivermos a compreensão correta, não sofreremos tanto diante das mudanças, aceitando a realidade tal como ela é: o resultado de uma transformação natural e contínua”. 

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Engajado na construção de um mundo pacífico, o lama Gangchen conheceu o Brasil em 1987, trazido por Bel César, psicoterapeuta, fundadora e, durante 16 anos, presidente do Centro de Dharma da Paz Shi De Choe Tsog, em São Paulo. Desde então,  visita sempre o país, onde tem muitos admiradores.Para o advogado Guilherme Cu nha, 64 anos, meditar é um modo de encontrar bem-estar e de aproximar corpo e mente. 

Funcionário aposentado da Comissão de Direitos Humanos da ONU, Guilherme entrou em contato com o drama dos refugiados tibetanos e teve a chance de conversar pessoalmente com o dalai-lama quando este esteve no Brasil na década de 1990. Porém, seu interesse pelo budismo só foi despertado aos poucos. “Sempre fui materialista”, confessa. “Primeiro busquei entender o budismo por meio de leituras. Depois, com aulas de ioga, cheguei à meditação” 

Ela é considerada uma das mais importantes práticas budistas. Há várias formas de meditação e, para que sejam praticadas corretamente, é necessária a orientação de um instrutor qualificado. Para aqueles que têm dificuldade de se concentrar, a monja Yvonette sugere outras atividades, como a ioga, o tai chi chuan, cantar em um coral ou até ser voluntário em um hospital: “O importante é agradecer por estar vivo, estudar e trabalhar em benefício do próximo”. 

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Tal flexibilidade, aliás, é uma das marcas do budismo. Os ensinamentos podem e devem ser questionados de acordo com a experiência de cada um. Foi essa liberdade que encantou Guilherme: “Lanço mão do budismo quando preciso dele. Meu compromisso é com o conhecimento. Não sinto a exigência de uma adesão religiosa”.

 
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