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Machismo leva chefe do Comitê das Olimpíadas de Tóquio à renúncia

Yoshiro Mori anunciou sua saída durante reunião executiva do comitê de organização dos jogos

Por Da Redação Atualizado em 12 fev 2021, 14h47 - Publicado em 12 fev 2021, 14h45

O presidente do Comitê Organizador das Olimpíadas de Tóquio, Yoshiro Mori, de 83 anos, anunciou nesta sexta-feira,12, sua renúncia ao cargo. A decisão se deu após polêmica provocada por comentários machistas e sexistas do então presidente na semana passada.

Mori, que é ex-primeiro-ministro do Japão, fez o anúncio na reunião dos conselheiros e da diretoria executiva do comitê das Olimpíadas de Tóquio 2020, convocada para discutir as consequências dos comentários de Mori. A primeira parte da assembleia foi aberta para a imprensa.

“Minha declaração provocou muito caos. Desejo renunciar como presidente a partir de hoje. Vou renunciar ao cargo de presidente do comitê”, disse Mori, durante seu discurso na reunião.

O sucessor ainda não foi anunciado.

No dia 3 de fevereiro, o chefe de comitê disse que mulheres “têm dificuldades” em ser breves nas palavras e “têm espírito de competição” e que pode ser irritante trabalhar com elas.

“Os conselhos de administração com muitas mulheres levam muito tempo. Se você aumenta o número de membros executivos femininos, e se seu tempo de palavra não estiver limitado em certa medida, terão dificuldade para terminar, o que é irritante. As mulheres têm o espírito de competição. Se uma levanta a mão [para falar], as outras acham que também devem se expressar. É por isso que todas acabam falando.”

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Ao final, o presidente ainda agradeceu, pois, segundo ele, as mulheres que atualmente compõe o comitê “sabem ficar em seu lugar.”

As falas de Mori geraram revolta nas redes sociais, em que internautas pediam a renuncia do presidente do comitê.

No dia seguinte, em uma coletiva de imprensa convocada com urgência, Yoshiro Mori se desculpou pelas falas que, de acordo com ele, foram “inapropriadas”, mas ainda se mostrou irredutível com a ideia de renunciar ao cargo.

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Mori afirmou ao jornal Mainichi que “não queria menosprezar as mulheres”, que falou “sem pensar” e que foi repreendido pela esposa e pela filha por conta disto.

A Olimpíada está prevista para ocorrer entre 23 de julho e 8 de agosto, após ter sido adiada em 2020 devido à pandemia de Covid-19.

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