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Aplicativos que ajudam as mulheres a se sentir mais seguras

Todo o tipo de ajuda é bem-vindo quando se trata de proteção às mulheres e a tecnologia pode ser uma grande aliada nessa luta

Por Anna Laura Moura - Atualizado em 2 out 2017, 15h21 - Publicado em 29 set 2017, 18h09

Segundo a pesquisa “Vísivel e Invisível: a Vitimização das Mulheres no Brasil”, realizada pelo DataFolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança, uma em cada três mulheres sofreu algum tipo de violência em 2016. Entre essas violências podemos incluir agressão física, verbal, psicológica, entre outras. Só de agressões físicas, os dados são absurdos: 503 mulheres brasileiras por hora foram vítimas.

A triste realidade é que elas acontecem na rua, na balada, nos aplicativos de carona, no táxi e até dentro de casa. Infelizmente, isso é mais uma prova do quão ainda é perigoso ser mulher na sociedade em que vivemos, já que o machismo predomina em muitos âmbitos.

A boa notícia é que muitas mulheres têm sido beneficiadas com a criação de vários aplicativos com diversas funções para o auxílio de todas e, principalmente, a prevenção da violência e do assédio. Separamos alguns de diversas áreas para ajudar quem quer se sentir mais protegida.

Apps de transporte

Femitaxi
O Femitaxi é um app de taxistas mulheres que funciona somente para passageiras. O recurso conta com mais de mil profissionais mulheres cadastradas e com o apoio do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi no Estado de São Paulo (Simtetaxis-SP).

Atualmente, o serviço funciona em cidades como São Paulo, CampinasGoiânia, Santos, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, e está planejado para operar em outras partes do país. A passageira pode convidar uma amiga que, aceitando o convite, pode acumular até 30% de desconto no pagamento da corrida.

Lady Driver
O Lady Driver é um aplicativo de transporte para mulheres com maior adesão nas zonas sul e oeste da capital de São Paulo. Apelidado de “Uber Para Mulheres”, o funcionamento é muito parecido com o da empresa.

Conta com mais de 2 mil motoristas mulheres disponíveis também na cidade de Guarulhos e é o quinto aplicativo de caronas ao lado de Uber, Easy Taxi, Cabify e outros.

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99 Táxi Para Mulheres
99 Táxi disponibilizou recentemente a opção “Motorista Mulher”criado apenas para as passageiras usarem e se sentirem seguras. Infelizmente a opção só existe em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas os fabricantes já estão se mobilizando para expandir para o restante do país.

Para usar, basta fazer o download, cadastrar seu cartão de crédito e selecionar a opção que você prefere (99POP, Táxi 30%OFF ou 99TOP). 

Apps de rastreamento e SOS

bSafe
O bSafe é um aplicativo bastante útil se você é obrigada a se deslocar sozinha diariamente. Ativando o GPS do seu celular, ele acompanha todo o seu trajeto desde sua casa até o seu destino.

Nele, você cadastra 3 contatos que você pode acionar caso esteja em perigo (ex: pai, mãe, namorado(a), etc). Em uma situação de risco, basta você apertar o botão “SOS” no próprio aplicativo, e ele emitirá um alerta nos celulares das pessoas cadastradas. É totalmente gratuito.

Obs: as pessoas escolhidas precisam ter acesso ao app para receber a sinalização!

Viva Voz
O Viva Voz também é um aplicativo de rastreamento com alerta SOS e cadastramento de pessoas que você confia, porém com um adendo: é dividido em três tópicos: Violência Sexual, Violência Física e Violência Moral.

Ao sofrer uma dessas, você seleciona a opção no próprio aplicativo, inserindo o local onde ocorreu e o horário. A própria equipe do aplicativo encaminha sua denúncia.

Aplicativos para denúncias

Clique 180
O Clique 180 é um aplicativo de denúncia às agressões físicas e outras formas de violência. Criado pela parceria da ONU Mulheres Brasil com a Embaixada Britânica, possui uma porção de informações sobre o tema dentro do próprio app.

Nele também é possível fazer denúncias online, guiando a mulher sobre como tomar as devidas providências e as redes de atendimento disponíveis.

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Parto Humanizado
Esse aplicativo tem um tema específico e muito pautado: a violência obstétrica. O app informa a mulher sobre como identificar essa violência, como se prevenir e quais as formas de denúncia, disponibilizando uma rede de atendimento própria.

Leia mais: Malalai: aplicativo analisa se rotas são inseguras para mulheres

Aplicativos para ajuda psicológica/informativos

Mete a Colher
O Mete a Colher é um aplicativo criado por um coletivo de mulheres do Recife, com um objetivo super bacana: dar apoio psicológico à mulheres que foram ou são agredidas.

Funciona da seguinte maneira: ele é dividido em dois grupos, o das mulheres que precisam de ajuda, e o das mulheres que querem ajudar. Selecionando um ou outro você pode responder à desabafos de mulheres ou fazer seu próprio desabafo, formando uma rede de solidariedade e sororidade.

Ele também possui os serviços que as mulheres podem acionar, como hospitais, postos de saúde, delegacias da mulher e centros de apoio psicológico.

Woman Interrupted
Esse aplicativo na realidade é uma plataforma que contabiliza quantas vezes um homem interrompe uma mulher. Ao baixar no seu celular, o aplicativo exige que você grave o tom da sua voz, para contabilizar os dados.

Depois que seu tom é gravado, ele utiliza o microfone do celular para analisar conversas e detectar o número de interrupções durante o período em que estiver ativado. Com a voz do usuário como parâmetro e a diferença na frequência de voz masculina e feminina, sua tecnologia permite identificar em que momentos a mulher é interrompida por um homem. 

Para utilizar, basta apertar o botão de “gravar” e o próprio app analisa a quantidade de interrupções feitas.

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Lei Maria da Penha
Esse aplicativo praticamente é um guia de leis e artigos que a mulher pode estudar, para assim ter maior conhecimento sobre os seus direitos.

Caso você queira fazer uma denúncia, é uma boa ideia tê-lo no seu celular para criar argumentos a seu favor e evitar ser silenciada. Ele explica como denunciar a violência sofrida, qual o prazo ideal e telefones que podem ser úteis.

Em entrevista para a CLAUDIA, Louise Cordier, 21 anos e criadora do app Viva Voz, conta que tomou a atitude de criar um aplicativo quando presenciou o descaso que sua amiga recebeu, ao denunciar um caso de abuso. Para ela, é extremamente significativo que mulheres ajudem umas às outras através da tecnologia.

“Através desses números de downloads de aplicativos, percebemos o quanto precisamos de mais pessoas que nos ajudem a lutar pelo direito de ser, estar e permanecer”, conta. “Por exemplo, compartilhar as histórias que geolocalizem os locais com maiores números de assédios, e tragam maior segurança através dos meios de transporte”.

Ao ser questionada sobre ter sofrido resistência após decidir desenvolver um aplicativo, Louise conta que sentiu isso indiretamente. “Sofri uma resistência indireta, pois algumas pessoas pensam que certas mulheres escolhem sofrer certo tipo de violência, e por isso não deveria me envolver ‘problema dos outros’. A questão é: se uma pessoa busca sua ajuda, é porque ela precisa saber que ao menos não estará sozinha“, explica.

Ainda sim, há divergências sobre um possível segregacionismo. A discussão se dá entre pessoas que acham que taxistas mulheres, por exemplo, são essenciais. Entretanto, há quem diga que essa medida na verdade separa homens e mulheres e não erradica o problema. Sobre isso, Louise é taxativa. “Acredito que os aplicativos de transporte e o vagão feminino, por exemplo, são soluções imediatas. Mas não resolvem a questão da cultura e educação machista”, desabafa.

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Leia mais: Assédio sexual e moral no trabalho: como identificar e denunciar?

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