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100 dias sem Marielle Franco e ainda não há respostas

Investigação segue sob sigilo. Ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, atribui velocidade da apuração à complexidade do caso

Por 22 jun 2018, 19h52 | Atualizado em 2 jul 2026, 12h00
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 (Mídia Ninja/Reprodução)
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Nesta sexta-feira (22), os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes completam 100 dias. Os dois e a assessora, que não quis ser identificada, voltavam do evento “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, que aconteceu na região central do Rio de Janeiro, quando o carro em que estavam foi alvejado. Ao menos 13 tiros foram disparados contra o veículo naquele 14 de março.

Até agora, nenhum esclarecimento foi prestado à sociedade. As perguntas permanecem sem resposta: quem matou Marielle? Quem mandou matar Marielle? Por que mandaram matar Marielle? 

A investigação

O caso vem sendo apurado pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro e segue sob sigilo. As principais linhas de investigação apontam para a atuação de milícias e motivações políticas. A participação de autoridades também não foi descartada.

Em maio, o jornal O Globo teve acesso ao depoimento de uma testemunha que procurou a polícia sob a afirmação de que estaria sendo ameaçada por saber quem são os assassinos. Ela apontou o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando Oliveira de Araújo, atualmente preso enquanto responde por homicídio e porte ilegal de arma, como mandantes do crime.

Ainda de acordo com o relato, a motivação seria o avanço das políticas de Marielle em áreas de interesse da milícia. Em defesa dos direitos humanos, ela denunciava abusos da Polícia Militar contra moradores das comunidades e atendia vítimas da violência urbana no RJ.

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Entretanto, o material é considerado frágil. Recentemente, a polícia ligou tal testemunha à família Brazão, que disputaria influência política com Siciliano. Domingos Brazão é um ex-vereador, ex-deputado estadual pelo MDB e conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado. Seu irmão, Chiquinho Brazão, é vereador do Rio pelo partido Avante. Eles também negam qualquer participação nos crimes.

Na última terça-feira (19), Raul Jungmann, ministro extraordinário da Segurança Pública, disse em entrevista para a Rádio Eldorado que a demora na conclusão do inquérito se deve à complexidade do caso. Segundo ele, as equipes sabem quem são os envolvidos, mas estão trabalhando no levantamento de provas concretas para apresentar a denúncia.

“O crime foi planejado, feito por profissionais. Também há a dificuldade de se encontrar a razão que teria levado à morte da Marielle, porque ela não apresentaria ameaça pessoal, o que torna a complexidade adicional. É preciso fazer a construção dessas possíveis ameaças, que sempre tendem a acontecer nesse tipo de caso. Também há a percepção de que o círculo dos envolvidos é maior do que se pensava anteriormente, apontando para a participação de autoridades do Rio de Janeiro como mandantes. Então, se faz necessária a construção de provas robustas para poder indicar e apresentar a denúncia”, afirmou Jungmann.

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A memória de Marielle Franco

Desde o assassinato da vereadora, atos por todo o Brasil lembraram suas ações em prol daqueles que vivem às margens sociais. Marielle era uma mulher negra, nascida e criada na Favela da Maré, casada com uma mulher e ativista. Participava ativamente da construção de uma sociedade menos desigual e com mais oportunidades.

 

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Prova disso são os cinco projetos aprovados, em primeira votação, durante uma assembleia extraordinária na Câmara.

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No dia 2 de maio, amigos, familiares e militantes lotaram a casa para ver a sequência de trabalhos que começaram muito antes. Entre eles, um programa de acolhimento às crianças no período da noite, enquanto seus responsáveis trabalham ou estudam; uma campanha permanente contra a violência sexual em espaços e transportes públicos e a criação do Dossiê Mulher Carioca, para auxiliar a formulação de políticas públicas voltadas para mulheres por meio da compilação de dados da Saúde, Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro.

Não há sinais de desistência naqueles que compartilham dos ideais de Marielle. “Aqui fica a saudade e a vontade de levar seu legado adiante. Não vamos sossegar enquanto o caso não for concluído mas não aceitaremos condenados sem provas. Queremos justiça e não vingança. Seguiremos lutando e resistindo”, escreveu hoje o deputado estadual Marcelo Freixo, amigo e padrinho político da vereadora, em sua conta no Facebook.

 

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