Oferta Relâmpago: Claudia por apenas 9,90

100 dias sem Marielle Franco e ainda não há respostas

Investigação segue sob sigilo. Ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, atribui velocidade da apuração à complexidade do caso

Por
22 jun 2018, 19h52 • Atualizado em 22 jun 2018, 19h56
 (Mídia Ninja/Reprodução)
Continua após publicidade
  • Nesta sexta-feira (22), os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes completam 100 dias. Os dois e a assessora, que não quis ser identificada, voltavam do evento “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, que aconteceu na região central do Rio de Janeiro, quando o carro em que estavam foi alvejado. Ao menos 13 tiros foram disparados contra o veículo naquele 14 de março.

    Até agora, nenhum esclarecimento foi prestado à sociedade. As perguntas permanecem sem resposta: quem matou Marielle? Quem mandou matar Marielle? Por que mandaram matar Marielle? 

    A investigação

    O caso vem sendo apurado pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro e segue sob sigilo. As principais linhas de investigação apontam para a atuação de milícias e motivações políticas. A participação de autoridades também não foi descartada.

    Em maio, o jornal O Globo teve acesso ao depoimento de uma testemunha que procurou a polícia sob a afirmação de que estaria sendo ameaçada por saber quem são os assassinos. Ela apontou o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando Oliveira de Araújo, atualmente preso enquanto responde por homicídio e porte ilegal de arma, como mandantes do crime.

    Ainda de acordo com o relato, a motivação seria o avanço das políticas de Marielle em áreas de interesse da milícia. Em defesa dos direitos humanos, ela denunciava abusos da Polícia Militar contra moradores das comunidades e atendia vítimas da violência urbana no RJ.

    Entretanto, o material é considerado frágil. Recentemente, a polícia ligou tal testemunha à família Brazão, que disputaria influência política com Siciliano. Domingos Brazão é um ex-vereador, ex-deputado estadual pelo MDB e conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado. Seu irmão, Chiquinho Brazão, é vereador do Rio pelo partido Avante. Eles também negam qualquer participação nos crimes.

    Continua após a publicidade

    Na última terça-feira (19), Raul Jungmann, ministro extraordinário da Segurança Pública, disse em entrevista para a Rádio Eldorado que a demora na conclusão do inquérito se deve à complexidade do caso. Segundo ele, as equipes sabem quem são os envolvidos, mas estão trabalhando no levantamento de provas concretas para apresentar a denúncia.

    “O crime foi planejado, feito por profissionais. Também há a dificuldade de se encontrar a razão que teria levado à morte da Marielle, porque ela não apresentaria ameaça pessoal, o que torna a complexidade adicional. É preciso fazer a construção dessas possíveis ameaças, que sempre tendem a acontecer nesse tipo de caso. Também há a percepção de que o círculo dos envolvidos é maior do que se pensava anteriormente, apontando para a participação de autoridades do Rio de Janeiro como mandantes. Então, se faz necessária a construção de provas robustas para poder indicar e apresentar a denúncia”, afirmou Jungmann.

    A memória de Marielle Franco

    Desde o assassinato da vereadora, atos por todo o Brasil lembraram suas ações em prol daqueles que vivem às margens sociais. Marielle era uma mulher negra, nascida e criada na Favela da Maré, casada com uma mulher e ativista. Participava ativamente da construção de uma sociedade menos desigual e com mais oportunidades.

     

    https://www.instagram.com/p/BiSjApvhxCC/?utm_source=ig_embed

    Continua após a publicidade

    Prova disso são os cinco projetos aprovados, em primeira votação, durante uma assembleia extraordinária na Câmara.

    No dia 2 de maio, amigos, familiares e militantes lotaram a casa para ver a sequência de trabalhos que começaram muito antes. Entre eles, um programa de acolhimento às crianças no período da noite, enquanto seus responsáveis trabalham ou estudam; uma campanha permanente contra a violência sexual em espaços e transportes públicos e a criação do Dossiê Mulher Carioca, para auxiliar a formulação de políticas públicas voltadas para mulheres por meio da compilação de dados da Saúde, Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro.

    Não há sinais de desistência naqueles que compartilham dos ideais de Marielle. “Aqui fica a saudade e a vontade de levar seu legado adiante. Não vamos sossegar enquanto o caso não for concluído mas não aceitaremos condenados sem provas. Queremos justiça e não vingança. Seguiremos lutando e resistindo”, escreveu hoje o deputado estadual Marcelo Freixo, amigo e padrinho político da vereadora, em sua conta no Facebook.

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.