Camisas da Copa 2026: especialistas apontam acertos e erros das marcas
Especialistas analisam os destaques, erros e tendências das camisas
As camisas das seleções para a Copa do Mundo de 2026 — que acontece entre junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá — chegaram embaladas em narrativas de identidade, história e ousadia. E, como de costume, geraram entusiasmo e polêmica na mesma medida.
São 48 seleções competindo no maior Mundial da história, e as três gigantes do setor — Adidas, Nike e Puma — vestem, juntas, 77% dos times classificados. A Adidas lidera com 14 seleções, incluindo Alemanha, Argentina e Espanha.
A Nike patrocina 12, entre elas Brasil, França e Inglaterra. A Puma veste 11 países.
Mas além dos números, o que realmente está em jogo é uma disputa mais sutil: quem é capaz de transformar uma camisa esportiva em objeto de desejo, símbolo cultural e declaração estética?
A seguir, veja a opinião de especialistas em moda, design, esporte e cultura para uma análise completa dos acertos (e erros) das marcas:
O que as marcas acertaram?
A tendência mais clara desta edição é o investimento em narrativa. As marcas entenderam que, em Copa do Mundo, uma camisa precisa contar uma história; quem entendeu isso certamente saiu na frente.
Para Lara Gruppi, jornalista esportiva e criadora de conteúdo, Adidas e Puma foram as que mais acertaram nesse quesito. “Em Copa do Mundo, a camisa vai além de vestir o jogador em campo. Ela precisa transmitir história, cultura e pertencimento, e essas duas marcas entenderam bem esse papel”, afirmou.
Uniformes do Chile e Alemanha carregam simbolismo histórico
O uniforme do Chile, inspirado no deserto do Atacama, e o da Alemanha, que faz referência às camisas históricas de 1990 e 2014, são exemplos citados pela jornalista de designs capazes de criar conexão emocional, oferecendo uma narrativa para o público.
A decisão da Adidas em lançar os segundos uniformes como parte da linha Originals foi elogiada. “É uma proposta lifestyle, que amplia o alcance das camisas para além do futebol. A Copa do Mundo é um momento em que o esporte ganha atenção global, então faz sentido aproveitar essa vitrine para furar a bolha e dialogar também com moda e cultura”, afirma a jornalista.
Resgate de estética setentista
Ana Vaz, consultora de imagem e personal stylist, apontou que uma das grandes tendências desta Copa é o resgate da estética dos anos 70, com elementos como fundo branco, paleta contida e linhas simples. “Por isso, essas camisas são muito comerciais, fáceis de levar para o dia a dia”, comentou.
Nesse grupo, ela destaca Japão, Alemanha e Marrocos.
Na camisa reserva do Japão, elogia a sutileza das listras que mantêm o branco em destaque, preservando a neutralidade da peça.
Na Alemanha titular, chama atenção para um detalhe de construção: os grafismos concentrados na região dos ombros criam diagonais que conduzem o olhar para cima. “O ombro mais forte remete à sensação de força física”, explica.
Já o Marrocos surpreende com um detalhe do artesanato local na frente.
Uniforme da Costa Rica surpreende positivamente
Ainda nos acertos, a consultora aponta a Costa Rica como uma surpresa positiva. A camisa mistura vermelho e roxo — uma cor que representa a orquídea Guaria Morada, flor nacional do país.
“Ela tem uma modelagem aderente ao corpo sem ser excessiva. Em campo, terá uma altíssima visibilidade: as cores são bem saturadas, puras, e contrastam bastante com o gramado”, diz.
Argentina aposta em grafismo com movimento
A Argentina reserva também agrada: grafismos com movimento orgânico resultam em uma peça comercial e versátil para o dia a dia.
Para Ana, algumas camisas desta Copa acertaram ao entender como o uniforme funciona no corpo em movimento e em campo. É um olhar que une estética e função e que, de acordo com a especialista, raramente é aplicado ao futebol masculino com essa profundidade.
O ponto de vista do design
A designer e analista de marcas Tati Lermen enxerga nessa Copa um movimento inédito de maximalismo cultural.
“Em 2026, o maior palco do futebol mundial virou também palco de identidades culturais. As camisas desta edição são um capítulo à parte: maximalismo cultural, resgate histórico e orgulho nacional costurados em cada detalhe. Nunca o uniforme disse tanto sobre cada país”, afirma.
Para a analista de marcas, o México é o exemplo mais completo dessa tendência. “O grafismo é inspirado no calendário asteca, a tipografia da gola foi batizada de ‘Aztechno’ e a frase ‘Somos México’ aparece nas cores da bandeira. A camisa reserva ainda traz as grecas da arquitetura mesoamericana em tom sobre tom. São duas camisas que, juntas, contam uma história inteira”, explica.
A França também é elogiada por um acerto de outra natureza — a elegância que dispensa explicação. “A gola polo estruturada em branco, o azul profundo, as linhas diagonais no tecido. Essa camisa transcende o futebol: ela funciona como peça de moda e, vindo do país que define o que é moda, isso claramente não é acidente. É uma declaração cultural vestida de uniforme esportivo, e provavelmente vai circular em editoriais muito antes do apito final”, comenta.
Os erros das marcas: o que faltou nas camisas?
Se por um lado as marcas avançaram no quesito identidade cultural, por outro, algumas escolhas geraram ruído e abriram espaço para um debate que vai muito além do design.
Estados Unidos entrega resultado decepcionante
Ana Vaz identificou dois uniformes que não funcionam bem no corpo. O primeiro é a camisa titular dos Estados Unidos: apesar do contraste entre branco e vermelho ser interessante, há um problema estrutural. “O fato da peça ser inspirada na bandeira tremulando faz com que você tenha um desenho estranho no corpo. Essa é uma camiseta que não vai vestir tão bem quanto outras”, declara.
Camisa reserva da Alemanha é pouco ousada
A camisa reserva da Alemanha, apesar de ter uma combinação de cores chamativa, traz um resultado tímido: “Os detalhes minúsculos, espaçados, remetem a uma camiseta de pijama, especialmente pelo estilo do decote V.”
Segundo Tati Lermen, o erro mais frequente é não saber quando (ou não) inovar. Sobre o Chile, ela defende a ousadia: “É a primeira vez que a seleção usará uma cor diferente do branco ou azul. É natural que uma camisa tão diferente do esperado gere estranhamento, mas transformar um fenômeno natural em identidade visual é exatamente o que um uniforme deveria ter coragem de fazer.” O erro, em sua leitura, está em camisas que tentaram inovar sem uma razão clara por trás.
Brasil: a camisa mais esperada
Para a Copa de 2026, a Seleção Brasileira chegou com duas apostas: uma segura e outra ousada.
A camisa titular manteve o amarelo vibrante de sempre, com design que resgata a essência histórica do uniforme canarinho. A designer brasileira Rachel Denti, que participou do processo de criação, resumiu a filosofia por trás da peça: “Quando vemos a camisa amarela, sabemos que é o Brasil.”
Do ponto de vista afetivo e clássico, Ana Vaz também elogia a titular: “É uma camiseta bonita, com texturas e desenhos que remetem à fauna, flora, música e arquitetura brasileiras. Dá para ver referências ao Pão de Açúcar, por exemplo. O que eu não gosto é do tom de amarelo desta edição. Ele está mais desbotado, com excesso de branco, o que tira um pouco da força do amarelo canário. Gostaria de ver uma saturação maior”, comenta.
Camisa reserva gerou controvérsia
Ana Vaz avalia: “Particularmente, acho a camisa muito bonita. Gosto da mistura de cores e da presença que ela terá em campo — é bem escura, então contrasta bem com o gramado, que geralmente é verde médio a claro. As texturas e o movimento do desenho, inspirados na onça-pintada e na anaconda, são incríveis.”
Ela complementa: “O centro da estampa parece representar o movimento dos jogadores em campo; se você olhar uma foto do Vinícius Júnior chutando a bola, dá para ver como o gesto dialoga com o design. É uma das minhas favoritas.”
De acordo com Tati, a camisa titular é um acerto preciso, enquanto o deslize veio na tentativa de inovar: “O Brasil resgatou o amarelo-canário que a gente ama, aquele tom vibrante que remete às campanhas de 1970 e 2002. É uma camisa que honra a memória sem ficar presa nela. O deslize foi tentar inovar com o ‘Brasa’, uma versão alternativa que não colou. Às vezes o acerto está em saber o que não mudar”, pontua.
O design esportivo para peças símbolos de estilo
Com os lançamentos da Copa de 2026, fica ainda mais claro como a camisa de futebol ultrapassou o campo e se firmou como peça de estilo.
Esse movimento nasce de uma combinação de fatores: o retorno da estética dos anos 90 e 2000, que resgata esses uniformes como símbolos de uma época, a influência crescente da moda de rua — que transforma peças esportivas em itens desejados e até colecionáveis — e uma mudança de comportamento, em que vestir uma camisa já não depende mais de torcer, mas de se identificar com o que ela comunica.
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