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Projeto ensina defesa pessoal para mulheres contra violência doméstica

Casal paulista criou o Nós Por Elas e utiliza as redes sociais para ensinar técnicas do jiu-jitsu que podem ser utilizadas em situações de risco

Por Gabriela Maraccini (colaboradora) - Atualizado em 12 ago 2020, 13h17 - Publicado em 12 ago 2020, 13h30

Com o isolamento social, causado pela pandemia do novo coronavírus, os números de violência doméstica cresceram. A taxa de feminicídio também aumentou com o início da quarentena. Mas sabemos que o problema não é novo. A cada cinco minutos, 14 mulheres são agredidas no Brasil. Por ano, esse número chega a 1,5 milhão.

Essa triste realidade foi o que motivou o casal Tassia Landgraf, 27 anos, e Fábio Sá, 37, a criar, em 2018, o Nós Por Elas. Com o lema “Porque toda mulher tem o direito de saber se defender”, o projeto tem o objetivo de levar o conhecimento e ensino da defesa pessoal para o maior número possível de mulheres no Brasil.

Tudo começou quando Fábio, já com 20 anos de experiência e faixa-preta em jiu-jitsu, se tornou pai de uma menina. Seu desejo era transformar o mundo em um lugar melhor para mulheres viverem, incluindo sua filha. Mas a ideia só foi colocada no papel quando ele conheceu Tassia, que tem familiaridade com comunicação e edição de vídeos.

Fábio Sá e Tassia Landgraf, fundadores do projeto Nós Por Elas Arquivo Pessoal/Reprodução

Iniciaram com pequenos workshops e seminários, realizados com o objetivo de ensinar os fundamentos da defesa pessoal para mulheres. Aos poucos, o projeto foi crescendo e filas de espera foram se formando com interessadas no conteúdo. Um curso de quatro semanas foi criado, em que era ensinado técnicas de jiu-jitsu para defesa pessoal em grupos de mulheres. No entanto, a pandemia do novo coronavírus mudou os planos.

“Os números de violência doméstica cresceram muito e nós nos sentimos na obrigação de continuar ajudando de alguma maneira”, contou Tassia a CLAUDIA. “Pensamos, então, em levar esse conhecimento para o Instagram, mostrando os fundamentos da defesa pessoal, conscientizando o empoderamento feminino e mostrando como antecipar possíveis situações de risco, quando você se depara com um agressor em casa, ou até mesmo na rua, no transporte público”.

Os vídeos, que são publicados no IGTV do perfil @nosporelas_defesapessoal, ensinam algumas técnicas de defesa pessoal contra situações como, por exemplo, enforcamento, puxão de cabelo e, até mesmo, tentativas de estupro. Lá, o casal também promove algumas lives e produz conteúdo para engajar mulheres para os fundamentos da luta.

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. Ta na hora de aprender a sair de uma situação péssima, que é ser jogada de cara na parede, de costas pro seu agressor. Péssima e perigosíssima. Mas que tem saída. Aliás, uma não, pelo menos duas. Hoje vamos ver a primeira, a “saída técnica”. . . Conta pra gente o que vocês acharam. 🙅🏽‍♀️👊🏽 . . #lutecomoumagarota #ficaremcasa #stayhome #empoderamentofeminino #girlpower #defesapessoal #defesapessoalfeminina #defesapessoalparamulheres #nósporelas

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Quase 300 mil mulheres engajadas no TikTok

O grande sucesso da dupla se deu no TikTok. “O nosso conteúdo foi sendo compartilhado entre as mulheres e todo mundo foi reconhecendo as dicas como algo legal”, pondera Tassia.

Ela conta que, devido ao fato de que ela própria não é especialista em jiu-jitsu e nunca havia tido, anteriormente, contato com luta, as seguidores se sentiram representadas, o que foi essencial para o sucesso dos vídeos compartilhados na rede social. “Eu sou uma mulher como qualquer outra, eu não tenho histórico na luta, não tenho preparação física e eu acho que isso foi impactando as mulheres”, conta.

@defesapessoalparamulher

AGARRÃO DE CABELO PELA FRENTE II #defesapessoal

♬ sonido original – defesapessoalparamulher

Antecipação, Preparação, Treinamento e Atitude

Esses são os quatro pilares no Nós Por Elas e são essenciais para mulheres se conscientizarem e estarem preparadas para eventuais situações de risco. Tássia explicou a CLAUDIA um pouco sobre cada um deles, que servem como dicas também para mulheres combaterem a violência de gênero.

  • Antecipação: “É como você pode antecipar possíveis situações de risco. Por exemplo, ao pegar uma carona em aplicativo de transporte, compartilhe a corrida com alguma amiga, sente-se atrás do motorista ao invés da diagonal e ligue para alguém avisando que você está pegando essa corrida. O potencial agressor vai pensar duas vezes antes de te atacar”, explica.
  • Preparação: “Você que volta do trabalho à noite, leve alguma coisa com você para se sentir mais empoderada, que você possa usar caso alguém te ameace! Por exemplo, você pode levar um apito para chamar atenção das pessoas que estão na rua caso seja abordada, ou, então, um spray de gengibre. A preparação é a forma como você pode estar preparada para reagir a uma situação de risco.”
  • Treinamento: “São as técnicas de defesa pessoal que nós ensinamos, mas que fazem parte de todo um conceito maior, junto com a antecipação e preparação”, explica Tassia.
  • Atitude: “É a conscientização de que sim, a mulher pode se defender e também ajudar outra mulher. Quem nunca presenciou uma situação de assédio? Você pode ter uma atitude para chamar atenção desse covarde e ajudá-la”, finaliza.

Conversando sobre notícias ruins com as crianças

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