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Assassinatos de mulheres em casa quase dobram em São Paulo na quarentena

Nesse período, o número de prisões em flagrante por violência doméstica também aumentou muito.

Por Júlia Warken - Atualizado em 7 Maio 2020, 15h20 - Publicado em 15 abr 2020, 10h04

O estado de São Paulo vem registrando um grande aumento no número de mulheres assassinadas dentro de casa durante a quarentena. Segundo informa a Folha de S. Paulo, o número quase dobrou, em relação ao mesmo período de 2019.

A análise foi feita com base em boletins de ocorrência emitidos entre 24 de março e 13 de abril. Em 2019, nove mulheres foram vítimas de homicídio no ambiente doméstico. Em 2020, esse número subiu para 16.

Até o momento, 55 mulheres do estado de São Paulo morreram dessa forma em 2020. No ano passado, o mesmo período – 1º de janeiro a 13 de abril – registrou 48 mortes. No total, o aumento foi de 15%.

A relação da vítima com o autor não é registrada em 95% dos boletins de ocorrência. Mesmo assim, cresceu o número de b.o.s em que essa informação aparece. Durante o período que equivale à quarentena, em 2019 houveram 3 registros desse tipo contra 8 em 2020.

Na segunda-feira (13), uma pesquisa do Ministério Público de São Paulo revelou que o número de prisões em flagrante por violência doméstica aumentou 51,4% durante o período de isolamento. Para realizar o estudo, o MP coletou informações sobre medidas protetivas e autos de prisão em flagrante referentes ao período entre fevereiro de 2019 a fevereiro de 2020 e depois comparou com dados de fevereiro e março de 2020.

De acordo com a promotora Valéria Scarance, nenhum homem se transforma em agressor só porque está confinado. “Mas para os homens que já carregam  dentro de si um padrão violento, esses fatores podem desencadear condutas de agressão ou intensificar uma agressão já existente”, aponta.

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