Marcelo D2 fala sobre a emoção de dirigir filme estrelado pelo filho

Lembra do garotinho que cantava "Lodeando"? Ele está com 26 anos e será protagonista de "Amar É para os Fortes", primeiro trabalho de D2 como diretor

Alívio. Foi isso que o carioca Marcelo Peixoto, mais conhecido como Marcelo D2, sentiu ao terminar o primeiro corte de Amar É para os Fortes, filme com estreia prevista para setembro. Não bastasse ser a primeira vez que se atira à seara do cinema, ele resolveu transformar em realidade um projeto ousado.

“A história é contada por meio das músicas que compõem o álbum homônimo. São mídias combinadas para atingir um resultado. Coisa de vanguarda”, comenta em entrevista a CLAUDIA. Além de escrever o roteiro, o músico, de 50 anos, também captou recursos em empresas privadas, produziu e dirigiu. Para protagonista, escalou o filho, Stephan Peixoto, 26 anos.

CLAUDIA: De onde veio a ideia do roteiro?

Marcelo D2: É um pouco autobiográfico. Eu cresci no Rio de Janeiro violento dos anos 1990. Hoje parece que estamos vivendo tudo de novo, mas desta vez os jovens são os meus filhos. Queria falar com eles sobre esse assunto urgente. É a história de Sinistro, garoto que enxerga na arte a fuga do mundo do crime, mas ele é a exceção.

CLAUDIA: Como foi a estreia na direção?

Marcelo D2: As filmagens duraram 12 dias. Nos dois primeiros, fiquei tenso – eu era novato. Mas a equipe tinha dez anos de cinema. Depois vi que precisaria relaxar para me divertir, porque não sei quando terei outra experiência assim. Havia uma missão que me guiava. Quando comecei a fazer música, sentia raiva, indignação, não podia me manter calado. A sensação agora foi semelhante.

CLAUDIA: Trabalhar com o filho é difícil?

Marcelo D2: Choramos quase todos os dias. Eu sei que o Stephan tem os planos dele. Só topou fazer o protagonista porque o pai pediu. Aconteceu um episódio muito especial. Íamos gravar um tiroteio e, no dia anterior, a vereadora Marielle Franco foi assassinada. A equipe estava fragilizada, triste. Pensei em cancelar a diária, mas ele chegou perto de mim, me abraçou, me deu o reforço de que eu precisava para seguirmos. Ver um filho crescido do seu lado, acreditando no que você faz, nos seus sonhos, não tem preço. É muito simbólico e emocionante.

CLAUDIA: Por que não usou as leis de incentivo?

Marcelo D2: A cultura precisa do dinheiro público, mas estamos em um momento difícil. Não queria ser cobrado, ter que responder a boatos. Meu teto está firme.