Patrícia Poeta fala sobre a sua relação com o filho e a vida pós-divórcio

Uma revolução prazerosa e repleta de redescobertas. É assim que a apresentadora descreve o atual momento pessoal e profissional

Patrícia Poeta liga a música tranquila e senta-se na sala de casa para meditar. Logo chega Marley, o cão adotado há 11 meses, postando-se ao seu lado durante a prática. A cena se repete três vezes por semana. O bichinho branco, de pelos longos, é o seu parceiro quando o filho, Felipe, 15 anos, não está. Desde a separação de Amauri Soares, diretor da Central Globo de Programação, em junho do ano passado, a jornalista e apresentadora, 41 anos, tem encontrado prazer na própria companhia. “Sempre fui independente financeiramente, mas nunca tinha sido totalmente responsável por uma casa, por mim mesma. Morava com meus pais e depois casei. Este é meu voo-solo”, conta ela a CLAUDIA.

A gaúcha de São Jerônimo frequenta sessões de terapia há décadas, mas, de uns tempos para cá, a jornada de autoconhecimento se intensificou, levando-a a grandes mudanças. Na carreira, trocou a bancada do Jornal Nacional, a ancoragem do Fantástico e as coberturas internacionais pela apresentação do programa É de Casa, que vai ao ar nas manhãs de sábado na Rede Globo, e do reality Caixa de Costura, no GNT. “Fazer entretenimento era um desejo antigo, e eu estava sedenta por um desafio”, afirma.

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Também se propôs a experimentar outro estilo de vida. Enfrentou uma reeducação alimentar e adotou uma rotina intensa de exercícios, o que a fez perder peso e ganhar ânimo. Começou, então, a tomar aulas de violão com o professor do filho e criou coragem para aprender a surfar com Felipe. Juntos, viajam para destinos onde as ondas seduzem esportistas do mundo todo. Já estiveram na Nicarágua, Indonésia e, este mês, vão para a Austrália. “É gostoso. Depois do turismo cultural, acabamos no mar”, descreve.

Sempre foram próximos. O menino nasceu em Nova York, onde ela e o ex-marido viviam. Não podendo contar com a família ou babás, Patrícia carregava o garoto para todo canto. A sintonia atualmente é ainda mais forte porque atravessam processos semelhantes. “Ele passa por uma fase de descobertas, e eu estou redescobrindo muitas coisas”, revela.

“Sentamos na varanda e batemos papo por horas. Às vezes, entramos em assuntos profundos. Outro dia perguntei qual era a diferença de amor e paixão. Fiquei impressionada com a resposta elaborada dele.” A jornalista fala, a seguir, sobre a importância desse laço, as fracassadas tentativas de engravidar e a disposição de se abrir para um novo amor.

CLAUDIA: Ter um filho adolescente hoje não é fácil. A geração do Felipe é impactada pela tecnologia, o que tem mudado comportamentos, gerado tensões e stress.Você parece ter achado uma linguagem para se comunicar com ele. Como mantém esse canal aberto?

Patrícia Poeta: Sempre coloquei meu papel de mãe acima de tudo; cumpro com minhas obrigações para educá-lo. Mas também desenvolvemos um companheirismo forte. Isso permite que todos os assuntos sejam conversados, que ele tire dúvidas, dê sua opinião. Nossa união se reforça aí. Venho de uma família tradicional, conservadora, em que nem tudo se falava.

No momento, Felipe está em dúvida sobre qual profissão seguir. Minha função – e a do pai – é mostrar que não tem pressão, que ele precisa respeitar o próprio tempo, conhecer carreiras e visitar locais de trabalho para descobrir suas aptidões. Temos que dar a calma de que essa geração ansiosa necessita. Conversamos muito sobre garotas também, discutimos relacionamentos. E tem a internet, que não existia na minha época, mas é uma questão hoje.

CLAUDIA: Na internet, o que a preocupa?

Patrícia Poeta: Anos atrás, quando as redes sociais começaram, eu tive que alertar Felipe para o risco de não sabermos exatamente quem está do outro lado. Para os adolescentes, é comum sair conversando, mas expliquei que existiam pedófilos, pessoas ruins. Criei minha conta no Instagram só para ver com quem ele estava falando, dar uma vigiada.

Eles têm muita informação na internet, mas nem tudo é verdade. Então precisamos esclarecer as coisas, corrigir. E há os tabus, claro. Começamos a falar de drogas quando ele tinha 8 anos porque o grande ídolo dele na música, Jimi Hendrix, morreu de overdose. Sobre sexo, deixo que ele venha contar. Dou conselhos, mas não pergunto para respeitar sua privacidade.

CLAUDIA: Você foi mãe jovem, aos 26 anos. Não quis mais filhos?

Patrícia Poeta: Meu grande sonho era uma família maior. Depois do nascimento do Felipe, tive uma gravidez tubária, em que o feto se instala fora do útero. O bebê não se desenvolve e é preciso fazer um aborto, o que me causou extrema dor. Descobri o problema cedo, com apenas um mês. Depois, as complicações dificultaram uma nova gestação. Tomei hormônios, fiz fertilização, mas nada funcionou. Nunca parei de tentar. A sorte é que, durante esse período, surgiram muitas oportunidades no trabalho e pude me dedicar à atividade que amo.

Isso evitou que eu focasse 100% nas tentativas. A frustração é tremenda, triste; não nego. Era difícil entender por que o Felipe veio facilmente e sem ser planejado. Achei que seria simples quando quisesse o segundo. Sofri muito, mas o amadurecimento mostra que as coisas não acontecem como imaginamos. Meu conforto vem de saber que fiz tudo que podia. E sou imensamente grata por ter um filho tão companheiro.

 (Maurício Nahas/CLAUDIA)

CLAUDIA: Essas tentativas abalaram seu casamento?

Patrícia Poeta: Não. Construímos uma base familiar muito bacana; tanto é que nos damos bem hoje. O que acabou foi o amor entre homem e mulher. Mas carinho por Amauri sempre existirá. O dele por mim, também. Nosso bem maior é o Felipe. No WhatsApp, nós três formamos um grupo. Meu exemplo de casamento era o dos meus avós, que ficaram 60 anos juntos.

Porém, tive que entender o que era melhor para ambos, me dar uma chance para amar outro ou ficar sozinha para me redescobrir mais profundamente. Ainda estou naquela fase de se acostumar com a mudança, não esperar o marido chegar em casa para jantar e de compreender que estar sozinha e solitária são coisas diferentes.

CLAUDIA: No começo do ano, vários boatos ligavam você ao endocrinologista Fabiano Serfaty. Estão namorando?

Patrícia Poeta: Assim como terminaram meu casamento antes de ter acontecido, também me arrumaram um namorado (risos). É verdade que estamos nos conhecendo, mas não gostaria de colocar rótulos. Ainda está no início. Não quero apressar ou acrescentar cobranças – isso é novo para mim e tem tornado tudo mais interessante.

CLAUDIA: Sente-se pressionada a dar essas respostas?

Patrícia Poeta: Todo mundo tem padrões e, com base neles, traça estratégias em busca do que almeja. Não é porque uma pessoa seria feliz na nossa situação que somos obrigadas a gostar de onde nos encontramos também. Precisamos ser fiéis às nossas crenças. Vivi isso principalmente quando comecei no entretenimento, pois achavam loucura deixar um posto de prestígio no jornalismo. Cada um tem sua adrenalina e encontra aquilo que o move. A minha é o desconhecido, o desafio.

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