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“Vim ao mundo para apimentar histórias”: Sônia Braga completa 70 anos

Homenageada por Caetano Veloso e com trabalhos que marcaram a TV e cinema brasileiro, a atriz faz aniversário hoje, dia 8 de junho

Por Colaborou: Esmeralda Santos - Atualizado em 9 jun 2020, 16h09 - Publicado em 8 jun 2020, 13h16

Na trama Aquarius, ela mostrou o drama de Clara, uma jornalista aposentada que defendeu seu apartamento do assédio de uma construtora, cujo plano é demolir o prédio e dar lugar a um grande empreendimento, e o trabalho concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Sônia Braga com toda sua irreverência e talento, já ganhou várias facetas em novelas e filmes.

Completando seus 70 anos hoje, dia 8 de junho, a multitalentosa nasceu em Maringá, mas seus pais Hélio e Maria Braga e os quatro irmãos mudaram-se para Curitiba e depois Campinas, em São Paulo. Foi no programa juvenil Jardim Encantado com apenas 14 anos que Sônia Braga começou seus trabalhos dentro da televisão. A arte a chamou com muito mais força e depois da sua passagem nos programas da TV Tupi, Sônia ingressou no grupo teatral que realizava apresentações na região do ABC, Santo André, em São Paulo.

Um de seus mais brilhantes e barulhentos papeis ainda no teatro, foi com o musical da Broadway “Hair – The American Tribal Love-Rock Musical Smash”, que levava para os palcos questões raciais, a nudez, liberdade sexual e a guerra às drogas. No brasil iniciava um dos mais sombrios e complexos momentos – em 1968 foi decretado o Ato Institucional nº 5, comumente conhecido como AI-5, um marco que inaugurava a transição que instaurou a ditadura no país.

Sônia Braga aos 18 anos no Musical “Hair”. Reprodução/Reprodução

Sônia tinha apenas 18 anos de idade quando se tornou a grande estrela do musical e a ditadura era instaurada de fato em território brasileiro. A princípio a atriz foi recusada pelo diretor Ademar Guerra mas entrou no elenco por insistência de Altair Lima, também ator do musical e um dos produtores. Apesar do momento político sombrio, o musical conseguiu ser uma iniciativa ousada, ficando em cartaz durante 3 anos.

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“Nos anos 1970, falava que minha vida era um campo em que eu corria, corria e chegava aos lugares sem perceber que o campo era minado e que, por sorte, eu nunca havia pisado em nada. Minha vida sempre foi isso. Aprendemos com a nossa história. Se você já sabe que esse campo está minado, não vai correr para trás”,

Sônia Braga para a revista Elle, em agosto de 2016

Mais tarde, em 1977 a ilustre atriz de “Hair”, foi lembrada pelo cantor Caetano Veloso na música “Tigresa, uma linda homenagem à ela, que brilhou durante três anos em um musical audacioso em um momento em que o Brasil travava perseguições. “Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair. Com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher”, trecho da música. Ela trabalhou ao lado de Antonio Fagundes e Ney Latorraca sob a direção de Ademar Guerra. Na peça, ela apareceu nua em uma das cenas.

Eterna Gabriela

Sua estreia na novela foi em “Irmãos Coragem”, mas Sônia se destacou no cenário novelesco na trama “Gabriela”, inspirada na obra de Jorge Amado “Gabriela, Cravo e Canela”. As cenas quentes e ao mesmo tempo ingênuas interpretadas por Sônia cativou o público, também pelas críticas à política em meio à ditadura militar.

A novela completou 45 anos no dia 12 de abril, e mostrava a fuga dos nordestinos da seca, entre eles, estava a jovem Gabriela que ao chegar à cidade, começa a ser cobiçada por todos os homens. Aos 25 anos de idade, a novela alçou Sônia, fazendo a cena em que ela sobe no telhado para pegar uma pipa, a mais clássica quando se fala nesse enredo.

Sônia se tornou um simbolo sexual a partir de Gabriela, e logo depois foi convidada para interpretar “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, outra adaptação de Jorge Amado. O filme foi recorde até o ano de 2010 e foi assistido por 10 milhões de pessoas e foi indicada ao BAFTA de Revelação e o filme ao Globo de Ouro.

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Estrela Internacional

Seus olhos alçavam algo além das novelas nas telas brasileiras, apesar de todo o sucesso. E suas limitações não a impediram de fazer um grande filme – sem saber falar inglês na época, Sônia precisou decorar as falas foneticamente, ou seja, ela decorou o som das palavras em inglês para fazer “O Beijo da Mulher Aranha”.

A atriz foi indicada ao Globo de Ouro como Melhor Atriz Coadjuvante, e o filme marcou sua chegada em Hollywood, sendo um de seus principais trabalhados.

O grande sucesso levou o filme a ser indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, ganhando como Melhor ator (Willian Hurt). O Beijo da Mulher Aranha também venceu em Cannes de 1985, e no ano seguinte, Sônia foi membro do juri no festival.

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Divulgação/Divulgação

O Renascer de Sônia Braga no Brasil

Morando em Nova Iorque há 20 anos, ela retornou ao Brasil para a pré-estreia do filme “Bacurau” em agosto de 2019. O filme conta a história de um povoado no sertão que misteriosamente some do mapa.

Depois de visitas estranhas e a negligência do prefeito da cidade, uma série de assassinatos começa a acontecer sem explicação, levando o povo de Bacurau a reagir e defender sua trajetória.

O filme venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi um dos mais comentados em terras brasileiras. Apesar do grande sucesso e das inúmeras discussões que Bacurau trouxe para o Brasil, como a valorização da cultura nordestina, Sônia Braga não deseja voltar a atuar no Brasil. Segundo ela “é uma fase da vida que já passou”.

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Ela continua brilhando em filmes estrangeiros, o mais recente foi “The Jesus Roll, lançado em fevereiro de 2020. Os premiados trabalhos que a levaram ao sucesso eminente, contam a história de uma mulher que está no auge de sua vida e carreira, aos 70 anos.

Em tempos de isolamento, não se cobre tanto a ser produtiva:

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