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Luana Génot relata parto domiciliar do segundo filho

"A escolha por um parto em casa faz muito sentido quando você quer tem a possibilidade de se conectar com o seu corpo, com a sua natureza"

Por Luana Génot
Atualizado em 22 abr 2024, 21h59 - Publicado em 3 ago 2023, 15h11

“Eu já sentia minhas primeiras contrações de treinamento mesmo antes da gravação do Prêmio Sim à Igualdade Racial, em maio, por volta das 34 ou 35 semanas de gestação. Eu fiquei com um barrigão e tinha orgulho em expô-lo nesta reta final. Quem tocava minha barriga achava tão dura que pensava que o bebê estivesse pronto para sair. Eu sabia que o que eu sentia naquele momento era apenas a barriga se contraindo e se preparando gradativamente. Obviamente, a experiência do parto anterior me deu esta percepção. Que bom!

Sem este histórico eu já teria sido enganada por alguns alarmes falsos precoces. Quando estava na 39ª semana, tive um momento especial com a Herly, uma amiga paraense que é uma grande massoterapeuta e já me atende há alguns anos. Ela conta que o segredo de sua técnica vem dos conhecimentos que herdou de sua avó, Dona Madalena, que era parteira na cidade de Almeirim, onde ela também nasceu. Herly assistia a avó preparar as mulheres para o parto fomentando suas pernas, costas, braços.

Lembro que assim que chegou em casa fez uma massagem inspirada nas que aprendeu – e assistiu Vó Madalena fazer – focada na minha lombar. Ela também fez uma esfoliação. Foi como se estivesse me preparando literalmente para receber meu filho, em um tempo muito breve. E, de fato, foi onde a fase inicial do parto começou e senti as contrações de treinamento se intensificando.

Ao me deixar naquela noite, Herly me disse: ‘que a força da floresta esteja com você’. Foi um momento de preparo emocional e físico. Isso ocorreu em 14 de junho, uma quarta-feira. A madrugada de quinta foi bastante agitada, a ponto de começar a contabilizar o intervalo entre contrações. Eu que curtia o barrigão, a partir deste momento só queria que tudo acabasse pra me livrar daquela dor.

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As parteiras indicaram manter a calma, pois entendiam que o intervalo entre as contrações ainda estava longo. Na minha cabeça, com aquele ritmo, eu poderia parir a qualquer momento. Mas, segundo elas, eu ainda não estava na ‘partolândia’, que é como muitas brincam ser a fase de parto mais ativa, a fase expulsiva do bebê, onde as contrações são mais intensas e a mulher pode ficar mais arisca em resposta a todo este estímulo.

Luana e Louis Génot com o filho Hugo.
Luana e Louis Génot com o filho Hugo. (@luanagenot/Instagram)

Na manhã de quinta, ao acordar, notei que estava perdendo o tampão mucoso, uma secreção com um pouco de sangue, indicando o início do trabalho de parto. Mas as contrações se acalmaram. Acabei passando o dia de molho, com as contrações espaçadas. Foi uma espécie de alarme falso. Naquele momento, parecia que eu poderia esperar mais uma semana pra parir. Imagina ter sentimentos tão controversos em tão pouco tempo? A reta final pode ser angustiante mesmo. A indicação das parteiras era driblar a ansiedade dormindo o máximo que pudesse, e comendo alimentos saudáveis para, quando chegasse a ‘boa hora’, ter energia e força no expulsivo.

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Certo é que, assim como cada um de nós é diferente, cada gravidez também é. E, na minha cabeça, com o parâmetro da gestação anterior, a da Alice, que passou das 40 semanas, acabei acreditando que o Hugo também ia querer ficar no quentinho do útero da mamãe por mais alguns dias, no mínimo.

A sexta-feira, dia 16 de junho, parecia que também seguiria o padrão tranquilo da véspera. Fui caminhar, ver o mar. Durante a breve caminhada, sentia dores e contrações ainda espaçadas, mas decidi aproveitar o momento e conversar com o Hugo, transmitindo tranquilidade e amor.

Tomei água de coco e também fiz uma sessão de acupuntura para tentar reduzir as dores na lombar e conseguir relaxar. No fim da tarde, por volta das 17h, liberamos até Alice, nossa filha mais velha, para ir dormir na casa de uma amiguinha. Com a logística organizada, ao lado do meu esposo Louis, que havia acabado de chegar do trabalho, tentamos relaxar vendo TV.

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Lembro que as contrações que estavam espaçadas começaram a se intensificar. Ligamos para as parteiras por volta das 18h. A sugestão foi tomar um banho quente para tentar relaxar, e assim fiz. Enquanto tomava banho, o efeito foi reverso. Eu lembro que gritava. Louis ficou preocupado. E contando o intervalo das contrações marcadas pelos meus gritos de dor.

Comecei a chorar e lembro quando falei: ‘filho, você está chegando’. As contrações mais fortes eram intensas e dolorosas. A partir dali eu já estava entrando na ‘partolândia’. Ao sair do banho, eu tentava me secar ainda de pé com as mãos apoiadas na cama. Já não conseguia me sentar. De repente, senti muita água quente transparente descendo pelas minhas pernas. Gritei: ‘a bolsa estourou!’. Uma sensação única, que não tive no parto da Alice desta forma. Louis chegou no quarto pra me acolher e me certificou que as parteiras já estavam a caminho. A partir desse momento eu disse para ele: ‘não saia mais de perto de mim!’.

Alice e Hugo, filhos de Luana Génot.
Alice e Hugo, filhos de Luana Génot. (@luanagenot/Instagram)

Inspirei e respirei fundo com o que lembrava dos aprendizados da ioga e da fisioterapia pélvica. Eu estava com as mãos e pernas apoiadas. E elevei o quadril, fazendo uma espécie de ponte. Fiz força. Saiu a cabecinha dele. E depois, numa próxima contração, seu corpinho. Uma dor e um amor indescritível. Ele saiu submerso na água e, ao flutuar, foi amparado por seu pai, que o colocou diretamente em contato comigo. Hugo chegou. Ouvimos pela primeira vez um chorinho ainda rouco.

Eu agradeci: ‘Meu filho, você chegou. Obrigada, meu Deus!’. Não conseguia acreditar que estava vivendo aquele momento. Minutos depois, fui conduzida para sentar na banqueta e parir a placenta. A realização de um sonho estava diante de mim. Meu filho nasceu no parto na água que tanto havia desejado. Não tive laceração, graças a Deus.

Após o nascimento, organizamos para que a Alice voltasse da casa da amiga. Ela teve a oportunidade de cortar o cordão umbilical com a ajuda do papai. Foi um encontro lindo entre os dois irmãos. Fizemos um brinde. Dias depois, plantamos a placenta num vaso, que hoje floresce junto com o crescimento dos nossos filhos.

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O nascimento do Hugo no dia 16/06 às 22:22, em um parto domiciliar, foi uma experiência única e especial. Sentir a força da floresta e da ancestralidade durante todo o processo me trouxe uma conexão profunda com a natureza.

A amamentação, por outro lado, merece um relato à parte. Cabe também dizer que fazer um parto domiciliar não faz de mim uma pessoa que tenha mais força que outras mulheres. Também tive medo. Ainda estou vulnerável no puerpério. E sei o quanto requer planejamento e informação que tive a possibilidade de ter.

Ver meus dois filhos interagindo e crescendo juntos é um presente maravilhoso. O parto domiciliar feito pelo time de enfermeiras me permitiu vivenciar o processo de forma natural, respeitando meu corpo e minhas escolhas, me dando suporte, segurança e informações no pré, durante e pós parto. Foi um nascimento para o Hugo e um renascimento para mim como mãe. Bem-vindos a minha nova versão”.

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