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Precisamos fazer as pazes com o sono na pandemia

A psicóloga Mariana Luz explica o impacto do estresse no sono e o que fazer para ter noites mais tranquilas

Por Ana Carolina Pinheiro - Atualizado em 26 mar 2020, 18h55 - Publicado em 26 mar 2020, 18h51

As noites de sono da técnica de enfermagem e estudante de psicologia, Ana Carolina Fantinel, de 28 anos, têm sido turbulentas após a circulação do novo coronavírus no Brasil. Diagnosticada com ansiedade, que estava controlada por conta do tratamento que faz há três anos, o quadro passou por instabilidade nesse período, impactando diretamente na qualidade do sono.

Mais do que esticar o corpo e repousar a cabeça no travesseiro, o ato de dormir é um fenômeno biológico e que vai interferir diretamente na nossa condição ao despertar. E uma das responsáveis para esse de restauração do corpo meio do sono é melatonina, hormônio produzido na glândula pineal, que fica no nosso cérebro. Além de reparar as células que são danificadas pelo estresse e poluição, por exemplo, ela também dita a qualidade de uma noite bem dormida.

“Comecei a ficar com muito medo depois que passei a receber e procurar intensamente notícias sobre a pandemia. Antes conseguia deitar e dormir sem grandes dificuldades, mas agora isso não acontece mais”, explica Ana, que também reconhece que os pensamentos ficam ainda mais intensos durante a noite.

Para a psicóloga Mariana Luz, a distorção ou intensificação da realidade antes de dormir é uma questão de perspectiva e foco. “A gente percebe mais as coisas que estão em destaque em nosso pensamento e cotidiano. Quando começamos a se desconectar para dormir, elas podem encontrar vazão na mente e crescerem com sentimentos que já estão internalizados, como angústia, medo e ansiedade, aponta a especialista.

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Por isso, criar uma rotina tranquila, principalmente no momento em que antecede o sono, é essencial. “Se a gente fica muito tensa e pensa demais, é natural que tenha dificuldade para dormir, já que o sono é um estado de relaxamento”, diz Mariana. E foi o que a Ana Carolina procurou fazer nos últimos dias. “Passei a consumir notícias de uma forma mais equilibrada, tomo chás, tento assistir filmes e series e rezo”, comenta.

A descoberta para saber o que te deixa mais leve para ir dormir é infinita. Vale testar práticas relaxantes e de autoconhecimento, como meditação e mindfulness, ler um livro, tomar um banho na temperatura que mais te agrada, conversar com alguém. “Cada pessoa tem suas particularidades, o importante é encontrar algo que gere conforto. Se nada ajudar, é importante procurar um profissional o quanto antes, muitos psicólogos, nesse momento, fazem o atendimento online”, explica Luz. A profissional alerta que o acompanhamento clinico e terapêutico pode e deve ser feito em qualquer situações, ou seja, não espere o seu limite para procurar ajuda.

Ciclo do sono

Ao dormir, o corpo humano pode alcançar até 6 ciclos de sono, sendo que 4 é o número mínimo e cada um deles pode durar aproximadamente 90 minutos. A última fase é a do sono REM (Rapid Eye Movement), em tradução livre para o português “movimento rápido dos olhos”. Com duração de 20 minutos, esse estágio é um momento em que sonhamos e conseguimos relaxar profundamente.

No sono REM, o corpo passa por algumas transformações, como batimentos cardíacos acelerados e as “paralisias do sono”, quando o cérebro bloqueia os neurônios motores para que o corpo não faça os movimentos que acontecem nos sonhos.

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Mariana alerta que o estresse impede que o estágio do sono REM, no qual hormônios são produzidos, aconteça durante o período de sono. “Cada pessoa tem que entender como o corpo funciona, mas tentar desligar ou não mexer em aparelhos eletrônicos, organizar a rotina de trabalho para não ultrapassar o tempo e cumprir acordo com você mesmo são medidas essenciais para ter noites mais tranquilas em momentos delicados, como esse”, afirma.

Durante o dia, algumas atitudes também podem fazer com que você faça as pazes com o sono. Fazer o que não costumava ter tempo, como cozinhar e ligar para alguém querido, é uma das orientações da psicóloga. “As boas práticas também ajudam a gente a encontrar sentido em tudo isso, por exemplo, vizinhos que ajudam as pessoas do grupo de risco, profissionais que dão aula de graça, campanhas de doação para pessoas em situações ainda mais vulneráveis e instituições liberando cursos de graças. É preciso seguir os protocolos dos órgãos mundiais e lembrar que tudo vai passar”, aconselha Mariana.

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