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Toni Morrison precisa estar entre suas próximas leituras

Nesta quinta-feira (6), a morte da escritora vencedora de um Nobel completa um ano; sua obra permanece ecoando temas urgentes

Por Letícia Paiva Atualizado em 6 ago 2020, 19h12 - Publicado em 6 ago 2020, 19h30

Na década de 1980, os Estados Unidos conviviam com as reações conservadoras às conquistas de direitos civis pela população negra e do fim das políticas de segregação racial, datadas de 1964. Nesse cenário, a escritora americana Toni Morrison publica Amada (1987), narrando as vivências de uma ex-escrava que foge da fazenda em que era cativa no Sul do país e enfrenta as dores de ser negra no final do século 19. Após seu lançamento, o livro foi banido de escolas e deixou de integrar bibliotecas em diversos momentos, ao lado de outros títulos que abordam o racismo alguns dos críticos alegam que a linguagem é agressiva para jovens.

A resposta não foi suficiente para silenciar Toni Morrison. Amada venceu o Prêmio Pulitzer, um dos mais importantes da literatura americana em 1988 e se tornou um dos mais importantes do país nas décadas seguintes. Em 1993, a escritora recebeu o Prêmio Nobel da Literatura, se tornando a primeira (e, por enquanto, única) mulher negra a receber a honraria. Ativista antirracista, ela se tornaria fundamental não apenas por sua obra de ficção, mas também por seus discursos e ensaios vários deles, agora publicados no Brasil, se mantêm atuais e nos ajudam a compreender o tempo em que vivemos.

Nesta quinta-feira (6), em que se completa um ano da morte dela, aos 88 anos, recomendamos leituras para mergulhar na mente desse ícone. Para comprar, acesse os links nos títulos de cada um dos livros*.

Amada 

Mais célebre livro de Morrison, que lhe rendeu prêmios e levantou importantes debates sobre racismo pós-escravidão, Amada mistura tramas do passado e presente para acompanhar a ex-escrava Sethe e filha dela, Denver, oferecendo um retrato sobre a condição da mulher negra após a proibição da escravidão nos Estados Unidos. O livro ganhou adaptação para o cinema em 1998, estrelando Oprah Winfrey.

O olho mais azul 

Romance de estreia da escritora, publicado originalmente em 1970, O olho mais azul nos apresenta a pequena Pecola Breedlove, que, ao contrário da pele e olhos escuros que possui, deseja se parecer com as mulheres brancas para não ser maltratada pelo preconceito. O sofrimento dela em não se adequar a um padrão de beleza é atual e nos faz refletir sobre os discursos impostos às meninas. 

Na Casa Branca, Toni Morrison recebe homenagem do antigo presidente americano Barack Obama, em 2012 Leigh Vogel/Getty Images

A fonte da autoestima

Coletânea de discursos e ensaios da autora publicada neste ano no Brasil, com textos de 1976 a 2013. Nos textos, ela aborda conceitos que integram a vida de minorias; analisa criticamente o próprio trabalho e de outros autores; e trata de discussões contemporâneas à escrita, como os atentados de 11 de setembro de 2001, e de sua vivência, como a busca por entender quem foi o reverendo Martin Luther King. Um dos registros é o discurso dela em agradecimento pelo Nobel.

A origem dos outros

Nos ensaios reunidos em A origem dos outros, fruto de discursos feitos na Universidade Harvard, Morrison aborda pontos de vista históricos e sociais que permeiam o racismo e dá relevo ao papel da linguagem no combate às opressões. Ela analisa clássicos para apontar como a literatura narra diferentes grupos e como ela foi responsável por colocar populações no lugar de estrangeiros.

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