Quando lavar as mãos foi considerado, literalmente, uma loucura

A história do médico húngaro que foi internado por demandar que seus colegas adotassem procedimentos mais higiênicos

Se você fez uma pesquisa no Google hoje (20) já esbarrou com a figura de um senhor de bigode no Doodle. O nome dele é Ignaz Semmelweis, um médico húngaro que traz um significado especial para a homenagem. É que foi o Dr Semmelweis que, no século 19, defendeu e instituiu procedimentos  antissépticos nos hospitais europeus. Isso mesmo, as condições antes eram tão sujas que sangue, suor, fungos e vermes proliferavam nas camas dos hospitais. Nem os médicos lavavam as mãos.

O médico húngaro – também conhecido como ‘salvador das mães’- fez a associação ao alto índice de mortes pós-parto às péssimas condições de higiene adotadas na época. Ele descobriu que o simples ato de lavar as mãos reduzia drasticamente para apenas 1% o risco do que chamavam ‘febre de parto’. Claro que ele não usava apenas água, Dr Semmelweis lavava as mãos com hipoclorito de cálcio.  Porém houve uma enorme resistência quanto à descoberta do médico, especialmente porque ele não tinha argumentos científicos que pudessem explicar sua ‘descoberta’.

Incrível que pessoas educadas como médicos reagiram ofendidos quanto à sugestão de lavar as mãos. Frustrado, segundo amigos e parentes, Semmelweis aos poucos foi perdendo a estrutura emocional. Em 1865, ele foi internado em um manicômio como louco e morreu 14 dias depois, aos 47 anos, após ter sido espancado pelos guardas. Anos após sua morte, Louis Pasteur traduziu para a ciência o que o húngaro não conseguiu, que foi confirmar a teoria microbiana das doenças. 

Infelizmente, 165 anos depois o simples hábito de não lavar as mãos – corretamente e frequentemente – ainda é foco de muitas doenças. A pandemia do Coronavírus só faz ressaltar a importância que uma voz e uma recomendação podem fazer toda a diferença.