Por que todas as protagonistas de Manoel Carlos se chamavam Helena?
O autor explicou em entrevistas por que repetiu o nome em suas novelas (e a resposta passa por mitologia e um retrato da mulher brasileira ao longo do tempo)
Poucos autores marcaram tanto a teledramaturgia brasileira quanto Manoel Carlos, morto neste sábado (10), aos 92 anos. Conhecido por novelas centradas nas relações humanas, no cotidiano e nos conflitos íntimos, o autor também ficou famoso por uma curiosidade que atravessou décadas: todas as suas protagonistas se chamavam Helena.
Longe de ser coincidência ou preguiça criativa, a escolha tinha um significado claro, e foi explicada pelo próprio autor em diferentes entrevistas ao longo da carreira.
A inspiração veio da mitologia grega
Em entrevista ao programa Conversa com Bial, Manoel Carlos revelou que a origem do nome está na mitologia grega, mais especificamente em Helena de Troia, personagem associada à beleza, ao desejo, ao conflito e às escolhas difíceis.
Segundo o autor, o nome carregava um peso simbólico que dialogava com o tipo de mulher que ele gostava de retratar: complexa, humana e contraditória.
Na conversa, Maneco fez questão de esclarecer que não se tratava de uma homenagem a alguém de sua vida pessoal, mas de uma escolha estética e simbólica, ligada à força narrativa do nome e ao que ele representava culturalmente.
Um retrato da mulher brasileira em diferentes épocas
Em outra entrevista, à CNN Brasil, Manoel Carlos explicou que, embora compartilhassem o mesmo nome, as Helenas nunca foram a mesma personagem. Cada uma refletia o momento histórico, social e emocional do Brasil em que a novela foi escrita.
“Não são a mesma mulher. São mulheres diferentes, vivendo tempos diferentes”, afirmou o autor. A repetição do nome funcionava como um fio condutor para observar como os dilemas femininos mudavam ao longo dos anos, passando por temas como maternidade, envelhecimento, casamento, traição, carreira e autonomia.
As Helenas como assinatura autoral
Segundo Manoel Carlos, repetir o nome também foi uma forma de assumir sua identidade como autor. Em entrevista ao Notícias da TV (UOL), ele contou que a escolha acabou virando uma marca reconhecida pelo público, quase um pacto com o espectador.
Quando uma nova novela dele era anunciada, a pergunta surgia automaticamente: quem será a Helena da vez? A curiosidade ajudava a criar expectativa e também comparação entre gerações de protagonistas, vividas por atrizes como Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Júlia Lemmertz.
Ao longo de sua obra, Manoel Carlos usou as Helenas como uma espécie de experimento narrativo: observar a mulher comum, com falhas e virtudes, colocada diante de dilemas morais reais. Nenhuma delas era heroína perfeita: todas erravam, sofriam e arcavam com consequências.
Essa abordagem ajudou a transformar suas novelas em crônicas da vida urbana, especialmente no Rio de Janeiro, e consolidou o autor como um dos maiores retratistas das emoções humanas na televisão brasileira.
As Helenas de Manoel Carlos
- Helena (Lílian Lemmertz) — Baila Comigo (1981)
- Helena (Christiane Torloni) — Selva de Pedra (1986)
- Helena (Regina Duarte) — História de Amor (1995)
- Helena (Regina Duarte) — Por Amor (1997)
- Helena (Vera Fischer) — Laços de Família (2000)
- Helena (Christiane Torloni) — Mulheres Apaixonadas (2003)
- Helena (Regina Duarte) — Páginas da Vida (2006)
- Helena (Taís Araújo) — Viver a Vida (2009)
- Helena (Júlia Lemmertz) — Em Família (2014)
A morte do autor
Com a morte de Manoel Carlos, a curiosidade em torno das Helenas voltou a circular nas redes sociais.
Manoel Carlos morreu aos 92 anos, no Rio de Janeiro, após complicações de saúde relacionadas à idade. O autor, que estava afastado da televisão desde 2014 por problemas de saúde, faleceu de forma tranquila, segundo pessoas próximas. Manoel Carlos deixa um legado fundamental para a teledramaturgia brasileira, marcada por personagens femininas complexas, conflitos humanos profundos e novelas que atravessaram gerações.
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