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Por que todas as protagonistas de Manoel Carlos se chamavam Helena?

O autor explicou em entrevistas por que repetiu o nome em suas novelas (e a resposta passa por mitologia e um retrato da mulher brasileira ao longo do tempo)

Por Kalel Adolfo
11 jan 2026, 11h20 •
Montagem com o autor Manoel Carlos ao centro e duas protagonistas femininas de suas novelas, conhecidas como “Helenas”, em diferentes fases da teledramaturgia.
Protagonistas marcantes das novelas de Manoel Carlos e o autor, cuja obra ficou conhecida pelas famosas “Helenas” que atravessaram gerações. (TV Globo à esquerda, Tomas Rangel (DEDOC), no centro; e, à direita, Globo/Divulgação/Reprodução)
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  • Poucos autores marcaram tanto a teledramaturgia brasileira quanto Manoel Carlos, morto neste sábado (10), aos 92 anos. Conhecido por novelas centradas nas relações humanas, no cotidiano e nos conflitos íntimos, o autor também ficou famoso por uma curiosidade que atravessou décadas: todas as suas protagonistas se chamavam Helena.

    Longe de ser coincidência ou preguiça criativa, a escolha tinha um significado claro, e foi explicada pelo próprio autor em diferentes entrevistas ao longo da carreira.

    A inspiração veio da mitologia grega

    Em entrevista ao programa Conversa com Bial, Manoel Carlos revelou que a origem do nome está na mitologia grega, mais especificamente em Helena de Troia, personagem associada à beleza, ao desejo, ao conflito e às escolhas difíceis.

    Segundo o autor, o nome carregava um peso simbólico que dialogava com o tipo de mulher que ele gostava de retratar: complexa, humana e contraditória.

    Na conversa, Maneco fez questão de esclarecer que não se tratava de uma homenagem a alguém de sua vida pessoal, mas de uma escolha estética e simbólica, ligada à força narrativa do nome e ao que ele representava culturalmente.

    Um retrato da mulher brasileira em diferentes épocas

    Em outra entrevista, à CNN Brasil, Manoel Carlos explicou que, embora compartilhassem o mesmo nome, as Helenas nunca foram a mesma personagem. Cada uma refletia o momento histórico, social e emocional do Brasil em que a novela foi escrita.

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    “Não são a mesma mulher. São mulheres diferentes, vivendo tempos diferentes”, afirmou o autor. A repetição do nome funcionava como um fio condutor para observar como os dilemas femininos mudavam ao longo dos anos, passando por temas como maternidade, envelhecimento, casamento, traição, carreira e autonomia.

    As Helenas como assinatura autoral

    Segundo Manoel Carlos, repetir o nome também foi uma forma de assumir sua identidade como autor. Em entrevista ao Notícias da TV (UOL), ele contou que a escolha acabou virando uma marca reconhecida pelo público, quase um pacto com o espectador.

    Quando uma nova novela dele era anunciada, a pergunta surgia automaticamente: quem será a Helena da vez? A curiosidade ajudava a criar expectativa e também comparação entre gerações de protagonistas, vividas por atrizes como Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Júlia Lemmertz.

    Ao longo de sua obra, Manoel Carlos usou as Helenas como uma espécie de experimento narrativo: observar a mulher comum, com falhas e virtudes, colocada diante de dilemas morais reais. Nenhuma delas era heroína perfeita: todas erravam, sofriam e arcavam com consequências.

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    Essa abordagem ajudou a transformar suas novelas em crônicas da vida urbana, especialmente no Rio de Janeiro, e consolidou o autor como um dos maiores retratistas das emoções humanas na televisão brasileira.

    As Helenas de Manoel Carlos

    • Helena (Lílian Lemmertz)Baila Comigo (1981)
    • Helena (Christiane Torloni)Selva de Pedra (1986)
    • Helena (Regina Duarte)História de Amor (1995)
    • Helena (Regina Duarte)Por Amor (1997)
    • Helena (Vera Fischer)Laços de Família (2000)
    • Helena (Christiane Torloni)Mulheres Apaixonadas (2003)
    • Helena (Regina Duarte)Páginas da Vida (2006)
    • Helena (Taís Araújo)Viver a Vida (2009)
    • Helena (Júlia Lemmertz)Em Família (2014)

    A morte do autor

    Com a morte de Manoel Carlos, a curiosidade em torno das Helenas voltou a circular nas redes sociais.

    Manoel Carlos morreu aos 92 anos, no Rio de Janeiro, após complicações de saúde relacionadas à idade. O autor, que estava afastado da televisão desde 2014 por problemas de saúde, faleceu de forma tranquila, segundo pessoas próximas. Manoel Carlos deixa um legado fundamental para a teledramaturgia brasileira, marcada por personagens femininas complexas, conflitos humanos profundos e novelas que atravessaram gerações.

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