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‘Bridgerton’, série da Netflix, soma influência de Austen à sensualidade

Inspirada na série de nove livros da escritora Julia Quinn, a trama é um presente do streaming para a legião de românticas de todas as idades

Por Natália Dornellas 31 dez 2020, 17h17

Adoro criar fórmulas para fenômenos televisivos e, embora não seja conhecedora do império Shondaland da produtora de séries maratonáveis Shonda Rhimes, como Grey’s Anatomy e Scandal –, me arrisco a dizer que Bridgerton, a nova mania da Netflix, é uma mistura azeitada de Orgulho e Preconceito com Gossip Girl e Cinquenta Tons de Cinza.

Juro que nunca, em tempo algum, imaginei que as contemporâneas de Lizzy Bennet, minha personagem predileta e uma clara inspiração pra qualquer heroína criada na literatura depois de 1813 quando Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, foi lançado tivessem uma vida pré-nupcial tão animada.

Lizzy Bennet é minha personagem predileta e uma clara inspiração pra qualquer heroína criada na literatura depois de 1813 quando Orgulho e Preconceito, , de Jane Austen, foi lançado. Mas juro que nunca, em tempo algum, imaginei que as contemporâneas dela tivessem uma vida pré-nupcial tão animada.

Do alto de seus mais de 3,5 milhões de livros vendidos, Julia Quinn é quem escreve a saga de nove livros que dão conta da vida da família Bridgerton, que é narrada pela fuxiqueira Lady Whistledown, na voz de Julie Andrews. Americana, com seus 50 anos, Quinn é claramente interessada na obra de Austen, mas adicionou a ela uma boa dose de pimenta, o que gosto particularmente.

No entanto, me arriscaria a dizer que a autora precisa ainda comer muita “pork pie” para chegar aos pés da grande escritora de romances britânicos, o que soaria bastante injusto na medida em que nunca li suas obras e sei que cativam e fazem milhões de adolescentes brasileiras lerem.

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Daphne, interpretada pela atriz Phoebe Dynevor
Daphne, interpretada pela atriz Phoebe Dynevor Netflix/Divulgação

Presentão de Natal da Netflix para uma legião de românticas de todas as idades, Bridgerton traz ao cenário Daphne (Phoebe Dynevor), a indefectível heroína da obra O Duque e Eu, e o insuportavelmente sedutor Simon Basset, vivido por Rege-Jean Page. Versão pouco tradicional do nosso adorado Mr. Darcy (o grande personagem masculino de Austen), Simon é aquele rebelde com causa que soa canastrão em muitos momentos. Mas, logo arrebata e nos faz esquecer de olhar para Anthony Bridgerton (Johathan Bailey), o primogênito Bridgerton, o visconde que, claro, foge à regra da família perfeita e se apaixona por uma cantora que jamais carregará o sobrenome que nomeia a série.

Lembrando que estamos em 1813, curiosamente o mesmíssimo ano da publicação de Orgulho e Preconceito, e Londres está vivendo o período regencial, que antecede a Era Vitoriana, e tem um rei que foi parar no cinema como louco, o famoso George III. E, sim, havia uma rainha negra, pois ele se casou com a norte-africana Charlotte (Golda Rosheuvel).

Regé-Jean Page como Simon Basset, Duque de Hastings, e Phoebe Dynevor, como Daphne
Regé-Jean Page como Simon Basset, Duque de Hastings, e Phoebe Dynevor, como Daphne Netflix/Divulgação

De volta à trama, Daphne é a filha mais velha de quatro garotas, tendo ainda quatro irmãos, e precisa conseguir um bom casamento, enquanto também espera encontrar o verdadeiro amor (ai, as boas mocinhas!). Junto dela concorrem literalmente cerca de outras 200 debutantes da cidade. Lembrando que neste momento da história, “casar bem” a primeira filha era imprescindível para garantir os casamentos das demais. Lembra de como sofreram as meninas de Razão e Sensibilidade, também de Jane Austen?

O elenco conta ainda com Luke Newton, Claudia Jessie, Nicola Coughlan, Ruby Barker, Sabrina Bartlett, Ruth Gemmell, Adjoa Andoh (a terrível e adorável Lady Danbury), Polly Walker, Ben Miller, Bessie Carter, Harriet Cains.

Por fim, atente-se à trilha sonora que traz clássicos do pop interpretados pelo quarteto Vitamin String Quartet. A abertura é cafona, mas a série é irresistível. Já assisti duas vezes.

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