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Sofia Menegon é feminista, idealizadora da podcast Louva a Deusa e consultora em relacionamento e sexualidade
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Você precisa de alguém, sim!

Afirmar que não precisamos de ninguém é o mesmo que ignorar a nossa capacidade de impulsionar outras pessoas

Por Sofia Menegon
16 mar 2023, 09h29

“Você não precisa de ninguém”, dizem por aí. Eu mesma repeti essa frase algumas vezes. Mas está aí uma grande mentira. Precisamos de outras pessoas. Viver coletivamente não é só uma escolha. É uma necessidade. Uma necessidade que não nos torna incompletas, incompetentes, insuficientes. 

Não estou aqui dizendo que você precisa estar em um relacionamento romântico-afetivo, se não for um desejo. Longe de mim sugerir que a vida de uma mulher deva ser pesada pelo seu estado civil. Não. Mas sozinhas, absolutamente sozinhas, perdemos tempo demais para conseguir sair do lugar. A solidão não vai nos libertar, não vai nos fortalecer, não vai mudar o status quo

Outro dia, fui provocada por um amigo quando contava sobre a minha dificuldade em me manter solteira. Eu sentia falta da intimidade, das conversas profundas, do carinho gratuito, da conchinha para dormir. “Mas por que não ter isso tudo com uma amiga?”, questionou ele. Por que não? Por que seguimos categorizando nossos afetos? Por que não consigo pedir um cafuné para uma amiga? Por que continuo me sentindo completamente sozinha, quando bastaria uma mensagem para ter alguém ali ouvindo as bobagens sem importância sobre o meu dia? Por quê?

Afirmar que não precisamos de ninguém é o mesmo que ignorar a nossa capacidade de impulsionar uma à outra. É reforçar a ideia de que damos conta de tudo, ainda que dar conta de tudo esteja acabando com a nossa saúde física e mental. É manter sobre as nossas costas a responsabilidade de cuidar de tudo ao mesmo tempo em que nos impedimos de cuidar da gente mesma. É silenciar nossas vontades e necessidades.

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Não habita sobre a Terra alguém que não queira ser amado. Queremos nos sentir amadas e, às vezes, amar a nós mesmas, apenas, não é suficiente não. Eu amo me descobrir, me buscar, me entender, me pegar na minha própria insensatez. Mas quero o aconchego do abraço de quem me ame também. Quero poder ser ridícula acompanhada. Quero ter para quem chorar, a quem pedir ajuda, com quem ficar em silêncio. Quero dengo, olho no olho, risadas sem fim. Quero dividir a minha imensidão e mergulhar em outras também. Não quero ser só, embora possa. Quero ser acompanhada de um tanto de mulheres que amo e admiro, porque sei que assim a gente navega com muito mais nós e muito mais longe.

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