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Por Ana Carolina Coelho. Feminista, mãe, escritora, poeta, dançarina, plantadora de árvores, pesquisadora e professora universitária
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Exercício de palpites: As opiniões indevidas na rotina das jovens mães

Que tal nos ampararmos em vez de apontar dedos?

Por Ana Carolina Coelho
20 jul 2023, 06h38

Existe um ditado que diz: “Quando nasce uma criança, nasce uma mãe”. Tenho lá minhas contestações a essa sentença, mas uma coisa é certa: “Quando nasce uma criança, nasce um exército de palpites”. As mães de primeira viagem já começam a sentir essas mudanças no ar, com perguntas infindáveis, conforme a barriga cresce ou avança o processo de adoção.

A escolha do nome vem acompanhada de comentários não solicitados e impertinentes. A via de parto se torna assunto para os finais de semana em família. O mundo todo muda quando uma criança entra em cena na vida de uma mulher. E a pretexto de “querer ajudar”, as pessoas destilam opiniões, crenças e julgamentos deixando as mães mais confusas e solitárias no puerpério.

Porque quando nasce uma criança, pequena, frágil e preciosa, nasce uma mãe igualmente tênue, exposta e singular. A tal rede de apoio, tão dita nos dias de hoje, precisa ser um verdadeiro acolhimento dessa mulher, que está ali, despida de si, embarcando na aventura de conhecer um novo ser em sua casa. O melhor dos cenários é uma troca circular e dialógica: a mãe com o bebê, a rede de apoio com a mãe e o bebê com a rede de apoio.

Ser uma mulher independente já é difícil, mas ser uma mãe blindada contra o exército de palpites requer força e suporte. Em geral, isso vem de outras mulheres mães amigas que, muitas vezes, às três da manhã, te ligam para dizer “você não está sozinha, aqui também está difícil”. A maternidade muda indelevelmente e é preciso que haja espaço para essas trocas de afetos.

No entanto, a realidade ainda está bem distante disso. Lembro de quando minha filha mais velha nasceu: a quantidade de frases invasivas, de “regras corretas” de cuidados e de pessoas que se sentiam no direito de interferir no nosso cotidiano tornaram a minha primeira experiência de maternagem — pelo menos no início — uma das mais pujantes práticas de perda da minha individualidade.

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O exército de palpites se fez presente em todas as esferas. Percebi, então, que era preciso rasgar esse manual-armadilha-camisa-de-força que colocam nas mães e descobrir a minha forma magnífica de maternar. A maternidade era minha e ninguém poderia tirá-la de mim. Isso se tornou um mantra, um escudo e um laço da verdade todas as vezes que alguma situação abalava minha confiança.

Não é simplesmente “eu serei mãe do meu jeito e pronto”. É saber, com discernimento, sobriedade e plenitude quais são seus pontos fortes e fracos na criação. É sobre pedir ajuda sem culpa e sem deixar que ninguém te desmereça por isso. E, assim, retirar da sociedade o poder que ela exerce historicamente sobre as maternidades contemporâneas, se empoderando da sua própria história. Os palpites são como erva daninha, brotam quando estamos fragilizadas.

A armadilha desse exército consiste em minar a confiança das mulheres, disseminar sementes de dúvidas para que, inevitavelmente, em momentos de viroses, iniciação alimentar, desfralde ou qualquer mudança de rotina, as mães possam ser controladas por
sentimentos de insuficiência.

Talvez por isso vivemos uma epidemia de vendas de produtos, cursos e workshops para tudo que envolve o maternar. Obviamente, os especialistas devem ser consultados quando a criança apresenta algum sinal diferente nos marcos de desenvolvimento (e as mães sabem disso). Nós crescemos junto com as nossas crianças. Mas nem tudo se resolve com um curso ou uma cadeirinha de última geração.

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Dias atrás, estava conversando com as minhas filhas antes de dormir, e a mais velha soltou: “Você sempre nos incentivando a ser diferentes, mãe!” E eu respondi: “É preciso ver o mundo sob novas perspectivas para que a vida fique mais divertida”. Que a nova geração possa finalmente se libertar das amarras de uma sociedade que já não nos serve mais.

 

 

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