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Ana Claudia Paixão

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A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood
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A despedida surpresa e a dignidade do segredo

Após a morte prematura de Chadwick Boseman, a partida silenciosa de Helen McCroy para o câncer é refletida pela colunista Ana Claudia Paixão

Por Ana Claudia Paixão
Atualizado em 23 abr 2021, 16h00 - Publicado em 23 abr 2021, 15h57

Temos a sensação de que nunca foi tão difícil dar adeus como nos últimos dois anos. Talvez porque, pela primeira vez em mais de 80 anos, gerações que não sobreviveram às guerras tenham vivenciado um inimigo genuinamente global. A incerteza reforçou, em muitos casos, o alento do escapismo que a Arte em geral nos traz. Logo, nos apegamos às “nossas” séries e ídolos para dar uma respirada.

Em 2020, quando foi divulgada a morte de Chadwick Boseman, o mundo ficou incrédulo. Aos 42 anos, um dos maiores talentos do mercado morria de câncer. Jamais imaginaria que em pouco mais de um ano depois voltaria a sentir a mesma coisa quando li sobre a despedida de Helen McCrory. Como assim ela morria aos 52 anos? Também de câncer?

Sou uma das fãs ardorosas da série Peaky Blinders, acompanho teorias e antecipo as viradas da trama. Helen deu vida a uma das personagens centrais da saga da família Shelby, Polly Gray. Uma das personagens mais interessantes da TV dos últimos anos, que equilibrava feminismo e feminilidade, vulnerabilidade e força como poucos.

Ela era essencial para a conclusão da série, atualmente gravando sua temporada final. Não sabemos se ela chegou a concluir sua participação (afinal Helen deu entrevistas até três semanas antes de sua morte), mas faz da sexta temporada algo ainda mais doloroso.

Helen McCrory era muito respeitada e conhecida no Reino Unido, mas foi sua breve participação na franquia de Harry Potter que rendeu mais divulgação ao seu nome. Ela trabalhava com maior frequência no teatro, porém, quando entrava em cena nos filmes ou séries, era difícil não se encantar com sua atuação.

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O paralelo das mortes e perdas de Chadwick e Helen foi feito em várias matérias e era impossível evitá-los. Afinal, em tempos de “oversharing” em redes sociais, os dois guardaram a verdadeira batalha para eles mesmos. Isso nos faz perguntar o que é realmente necessário compartilhar ou não.

A dignidade de manter a privacidade mesmo sem desaparecer (ambos mantiveram suas aparições em entrevistas ou trabalhos normalmente até o fim) é algo que contribui para nossa admiração por eles.

Se você ainda não viu o trabalho de Helen McCrory, tem chance de ver (recomendo!) buscando na Netflix e HBO Max as séries Penny Dreadful e, claro, Peaky Blinders.

No caso da última, evitando spoilers, vale descrever Polly como inspiradora. Durante a Guerra, sem os homens para “cuidar” das mulheres, ela tomou as rédeas dos negócios e os fez mais lucrativos do que nunca. Foi obrigada, por ser mulher, a ceder sua posição para o sobrinho, porém jamais perdeu o verdadeiro controle da família. Ela era sexy, emocionante e implacável. Como disse, “era o dobro de qualquer homem”, mesmo mignon e nem tão jovem. Como vai fazer falta!

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A ver como serão as homenagens a ela em 2021. Chadwick Boseman será o vencedor do Oscar póstumo como Melhor Ator no domingo, 25 de abril. Será que vão lembrar de Helen McCrory quando chegar a hora do Emmy? Ela merece. Rest in Power!

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