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Nada além do essencial

Graças à planta enxuta e ao uso racional de matéria-prima sustentável, este bangalô conquistou o Prêmio Planeta Casa 2004 na categoria Projeto Arquitetônico

Por Da Redação 2 nov 2006, 16h42 | Atualizado em 26 Maio 2022, 17h03
Toda a estrutura da construção utiliza apenas madeira nativa proveniente de...
Toda a estrutura da construção utiliza apenas madeira nativa proveniente de manejo sustentável. Boa parte dela vem da Cooperativa Extrativista de Rio Cautário, em Rondônia, e foi fornecida pela Ecolog. As telhas são de eucalipto com tratamento em autoclave da Prema.  (/)
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Arquiteta: Beatriz Meyer

Área: 130 m2

Localização: Tatuí, SP

Por que é ecológica: madeira de manejo sustentável, móveis de madeira certificada, boa gestão da obra (que evitou desperdícios), tijolos da região, planta enxuta e poucos materiais

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Estrutura pronta em dez diasAo ser convidada para reformar a sede do sítio em Tatuí, SP, a arquiteta Beatriz Meyer su-geriu erguer um anexo onde a família pudesse receber as visitas. Com cinco filhos e uma legião de amigos, o casal de pronto aceitou a proposta. “Afinal, é neste terreno, e próximos da natureza, que nos refugiamos da agitação de São Paulo”, conta a proprietária. Ao cabo de dez dias nascia a estrutura do bangalô de 130 m2, no qual cada detalhe denota a preocupação ecológica. O tempo recorde da obra (ao todo 90 dias) foi possível porque o esqueleto chegou pronto ao canteiro, evitando desperdícios. Segundo o júri do prêmio, o ponto alto da construção é o uso de madeiras provenientes de manejo adequado – no caso, pilares de itaúba e vigas de garapeira fornecidos pela Ecolog, construtora que obteve o selo FSC em abril deste ano. “O projeto se adaptou ao princípio do manejo sustentável, em que é preciso estar aberto às espécies de madeira disponíveis e não ficar preso a modismos”, explica a arquiteta.¿

Os móveis (Llussá Marcenaria) também são de madeiras certificadas. Revest…

Outro ponto que chamou a atenção do júri foi a simplicidade da planta, que conta com apenas três cômodos circundados por varandas:¿ uma sala – que reúne bancada de apoio com pia e frigobar – e duas suítes. Essa opção pelo simples se reflete também na seleção dos materiais de acabamento – fundamentalmente vidro, madeira e tijolo -, criando uma linguagem visual harmônica. “Em busca da funcionalidade, fiz um projeto racional, sem contudo abrir mão de detalhes arquitetônicos mais elaborados”, acredita a profissional, fã do livro Cidades para um Pequeno Planeta, no qual o arquiteto italiano Richard Rogers discorre sobre o desenvolvimento urbano sustentável. “É um projeto que oferece uma clara compreensão do todo e também remete às casas bandeiristas, residências rurais típicas de São Paulo da primeira metade do século 18”, comenta Jurema Machado, coordenadora do setor de cultura da Unesco e integrante do comitê julgador do Prêmio Planeta Casa 2004.

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A parede de tijolões produzidos nos arredores do sítio e assentados com junta seca enfatiza o ar rústico da construção. As amplas esquadrias de freijó favorecem a iluminação e a ventilação natural. Tapete de palha de buriti e algodão executado por artesãos do Piauí (Vladimir Boniconte Decorações). Arandelas de cobre da LightWorks.

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Arejada, a suíte conta com um pé-direito generoso. Localizada em frente ao armário de freijó, a bancada com cuba fica fora do banheiro. Cama e criado-mudo são de eucalipto reflorestado (Futon Company). Painel de folhas secas do Projeto Terra.

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Amplas, as janelas do banheiro apostam na transparência e transformam o jardim em uma extensão do boxe. Para reduzir o consumo de energia elétrica, a água que alimenta o bangalô conta com um sistema de aquecimento solar (Heliotek). No detalhe, cuba de cerâmica executada pela artista plástica Alice Felzenswald.

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Por que optar pela madeira certificada?O selo fornecido pelo FSC (Conselho de Manejo Sustentável) é a única garantia de que dispomos para saber se a madeira foi extraída de maneira não predatória, respeitando as leis de regeneração da mata nativa. Rigoroso e abrangente, o selo garante ainda que a madeireira que o detém atende corretamente às leis trabalhistas e fiscais, além de critérios éticos, como uma boa convivência com a população local. Em resumo: quem opta pela madeira certificada tem a certeza de que está contribuindo decisivamente para a conservação de nossas florestas e dos povos que nelas habitam.

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