Empreendedoras fazem sucesso vendendo pelo Instagram

Na rede social com 45 milhões de usuários ativos, os comerciantes online oferecem de doces a bijuterias

Como supervisora de vendas, Nicolle Oliveira, 38 anos, tinha uma rotina de viagens exaustiva. Para dificultar, sempre que partia para o aeroporto, encarava as lágrimas do filho de 6 anos. Resolveu, então, que era hora de mudar e investir no desejo de empreender.

“Queria abrir uma loja de bijuterias, mas não tinha dinheiro para uma estrutura grande de imediato. Por isso, comecei vendendo em cabeleireiros aqui de Fortaleza”, conta a brasiliense radicada no Ceará.

Um ano depois, a clientela aumentou tanto que Nicolle não dava conta das visitas. “Uma compradora me sugeriu abrir um perfil no Instagram, assim elas poderiam fazer encomendas quando quisessem”, lembra.

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A Nick Acessórios hoje tem 85 mil seguidores e faz parte do universo de 8 milhões de perfis comerciais no mundo. Isso, mesmo considerando que essa modalidade de cadastro só foi criada oficialmente pela rede social em agosto passado – a única exigência é que a marca tenha uma fanpage no Facebook, onde é feita a certificação das informações da empresa e são programados os posts patrocinados das duas redes.

Não é cobrada taxa alguma sobre o perfil. Entre os usuários dessa vitrine virtual, o Brasil é destaque ao lado de Estados Unidos e Rússia.

Ar profissional

O perfil comercial dá acesso a métricas que mostram o desempenho de cada post e indicam os melhores dias e horários para falar com o público de acordo com uma divisão por gênero, faixa etária e localização. Também permite criar campanhas de divulgação e patrocinar posts.

O investimento mais baixo é de 1 dólar por dia e é calculado de acordo com o número de vezes em que será reproduzido e para que público. Todo o negócio é de responsabilidade do empreendedor: ele indica um telefone ou e-mail para contato e cuida das respostas e entregas – geralmente enviadas por correio, após confirmação de transferência bancária.

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A chance de aumentar a visibilidade – e os negócios – é boa. Ines Schinazi, líder de curadoria e storytelling de projetos especiais do Instagram no Brasil, estima que 80% dos usuários sigam alguma marca.

“As pessoas querem ver suas paixões e interesses representados – e não se importam se isso vier de uma empresa”, diz. Há, entretanto, alguns segredos para que o perfil se sobressaia.

O primeiro é ter boas fotos (com enquadramento e iluminação caprichados), afinal, essa é a matéria-prima da rede social. Nesse quesito, as lojas virtuais de comida ganham em evidência, justamente por serem estas as imagens mais populares. Foi assim com os donuts das sócias Carol Vascen e Mariana Pavesca, ambas com 21 anos.

“Claro que é um doce gostoso, cheiroso, mas você não tem como mostrar isso, então depende de uma foto muito apetitosa”, diz Carol, publicitária por formação. A divulgação do negócio começou em grupos do Facebook e depois migrou para o Instagram, onde fez mais sucesso, mesmo mantendo a área de entrega limitada (por se tratar de produto perecível).

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Ali, as empreendedoras acreditam que o alcance dos posts é maior e as hashtags atraem mais gente. Para a diretora de arte Pam Moraes, 31 anos, o layout do aplicativo favorece as vendas por ser só de imagens, enquanto o Facebook reúne outros tipos de conteúdo, que acabam distraindo os compradores.

“Pelo perfil do Studio Pamelitas, minha loja de cerâmicas pintadas à mão, já fui procurada por clientes do mundo inteiro e até interessados do Chile, da Inglaterra e do Canadá”, comemora ela. Só falta, agora, conseguir concluir a compra sem sair do aplicativo – sonho das empreendedoras e clientes.


Faça você mesma

Você precisa garantir boas imagens para chamar a atenção no feed, mas há outras dicas importantes (e menos óbvias) para ter um perfil rentável:

Use hashtags

As palavras precedidas pelo símbolo # separam em grupos fotos de temas semelhantes. Isso quer dizer que, se alguém estiver em busca de um bolo de casamento, por exemplo, pode ver todas as imagens identificadas assim, sem ter que entrar em cada perfil.

“É também uma forma de o consumidor conhecer marcas diferentes”, diz André Miceli, coordenador do MBA em marketing digital da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro.

Atenda bem o cliente

Preencha a biografia com seu nome, a missão da loja e meios de contato, assim passará mais confiança. Especifique em que momentos estará disponível para responder a mensagens no celular ou por e-mail, assim o cliente não se sente ignorado.