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Sofia Menegon Sofia Menegon é feminista, idealizadora da podcast Louva a Deusa e consultora em relacionamento e sexualidade

Para o Dia dos Namorados, autoamor

"Ninguém completa ninguém", alerta a colunista Sofia Menegon em sua coluna de estreia sobre relacionamento e sexualidade

Por Sofia Menegon Atualizado em 2 jun 2021, 20h04 - Publicado em 2 jun 2021, 20h03

Em janeiro de 2021, um levantamento realizado pelo aplicativo de relacionamentos Happn, com seus usuários, revelou que 77% dos brasileiros solteiros pretendia encontrar um “crush sério” ainda esse ano. Passados quase 5 meses e essa pretensão ainda está apenas no plano das ideias para muitas de nós.

Antes de cair no potão de sorvete de frente para a TV, na companhia de uma comédia romântica daquelas cheias de clichês – como esse que acabei de descrever –, vamos respirar fundo e colocar alguns pingos nos is.

Em tempos como os que estamos vivendo, relacionar-se consigo mesma já não é uma tarefa exatamente fácil. Que dirá iniciar uma relação com uma pessoa completamente desconhecida.

Além do distanciamento/isolamento social recomendado, ainda nos vemos mergulhadas em uma série de emoções e sentimentos novos ou intensificados pelo atual cenário. Medo, ansiedade, incerteza, angústia, solidão. Soma-se a isso a influência que recebemos desde cedo do amor romântico, aquele dos contos de fadas que nos tornariam completas e dariam verdadeiro sentido as nossas vidas, e pronto: acabamos mais propensas a buscar relações que preencham nossos vazios. E aí, mora um grande perigo.

Uma relação que nasce com esse peso está fadada ao fracasso. Isso porque nenhuma outra pessoa será capaz de ocupar as nossas lacunas. Nenhuma parceria sairá vitoriosa quando imersa em tantas expectativas ilusórias.

Eis uma grande verdade que quanto mais cedo aprendemos, mais cedo conquistamos uma vida amorosa saudável: ninguém completa ninguém. O único amor que traz a sensação indissolúvel de completude é o amor por si mesma. E aqui, vamos deixar de lado também a idealização do amor-próprio e entender que se trata de uma construção diária. Demanda tempo, atenção, cuidado. Como toda história de amor da vida real, essa por quem somos tem altos e baixos, momentos de paixão e momentos de tensão. Amar a si mesma significa olhar para o que é fácil admirar, mas também olhar para aquelas partes ainda obscurecidas e que muitas vezes preferimos manter encobertas.

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Mas, quando se aprende esse tipo de amor -sim, porque se aprende- todos os outros passam a ser muito mais saudáveis.

Quando convictas da nossa inteireza, não buscamos mais o que nos falta, mas o que nos acrescenta. Não colocamos mais sobre o outro a responsabilidade de preencher nossos vazios, mas a oportunidade de experienciar trocas profundas. Não dependemos emocionalmente de ninguém. Sabemos que temos o maior amor do mundo bem aqui, dentro da gente.

Então, antes de buscar uma companhia para esse Dia dos Namorados ou para a vida toda, apaixone-se por si mesma com a coragem que amar exige.

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