Cães podem comer chocolate?

Especialmente em época de Páscoa, é preciso cuidado ao deixar os doces ao alcance dos animais

Quem é que nunca morreu de dó ao ver a cara de “pidão” de um cachorro de olho em alguma guloseima feita para humanos? E em épocas como a Páscoa, fica difícil a resistir a carinha deles querendo um pedaço de chocolate.

Mas e aí, pets podem comer chocolate?

Indo direto ao ponto, a resposta é não. Cachorros – e outros animais como gatos e coelhos, por exemplo – não devem, em nenhuma circunstância ingerir chocolate. Nem mesmo um pedacinho.

Tão apreciado por nós, o chocolate contém teobromina, uma substância vinda do cacau e altamente tóxica para os animais por não ser metabolizada e eliminada tão facilmente.

Podendo “permanecer até 17 horas no organismo do animal, [a teobromina] causa desde vômito e diarreia até febre, convulsão, coma e óbito”, como explica a médica-veterinária Maria Cristina Timponi, presidente da Comissão de Entidades Veterinárias Regionais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

Quanto mais cacau pior

Quanto maior o nível de cacau presente, ou seja, quanto mais escuro o chocolate, maior também é o nível de toxicidade. E o risco de intoxicação cresce caso o animal seja idoso, filhote ou de pequeno porte. “Para um animal de dois quilos, uma barra de 100 gramas de chocolate pode ser letal quando ingerida”, acrescenta Maria Cristina.

E não importa o tipo de chocolate. Médica-veterinária e fundadora do grupo Vet Popular, Caroline Mouco Moretti aponta como alguns tutores optam pelo chocolate branco na tentativa de fugir da teobromina. A suposta alternativa, mesmo em poucas quantidades também pode levar à intoxicações. “Além disso, o chocolate branco possui alto índice de açúcar e gordura, ocasionando outros problemas”, alerta ela.

Em caso de acidente, o que fazer?

Em caso de consumo acidental, Caroline recomenda vigilância e atenção. “Se a quantidade ingerida for realmente muito pequena, compatível com o peso do pet, deve-se ficar atento a qualquer sintoma diferente, por exemplo: vômito, dor abdominal, desidratação, prostração… É importante ir imediatamente ao veterinário”, diz.

“Agora se a quantidade for considerável, principalmente em cães de pequeno porte, gatos, coelhos, furões – estes últimos são mais sensíveis e de fácil intoxicação – o tutor não deve aguardar a presença dos sintomas e procurar um serviço veterinário”, continua Caroline.

Segundo Maria Cristina, o tratamento nesses casos “se dá com muita hidratação, uso de protetor gastrointestinal, antitóxico e, quando a ingestão é recente, pode-se tentar a lavagem estomacal”.

Petiscos feitos para eles

Para quem deseja estender o clima pascoal aos pets, o mercado já oferece petiscos que simulam o chocolate. Com ausência de cacau em sua composição, esses alimentos simulam o cheiro e o sabor do chocolate e podem ser consumidos sem medo de risco tóxico.

Caroline apenas observa que, “como qualquer petisco, em quantidades e frequência errada oferece risco de obesidade e nível nutricional insatisfatório. Por isso, eles devem ser oferecidos com cautela, sem exageros e somente após autorização do médico veterinário”.

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