Rio de merda

A combinação de violência e corrupção transforma a maravilha do Rio de Janeiro em um caos cotidiano

Sempre fui uma crítica feroz da bagunça da minha cidade, o Rio de Janeiro. A combinação de violência + corrupção aliada a uma população “ixperta” e marginal (nos hábitos e costumes) faz desta maravilha de cenário um caos cotidiano.

Nos tempos atuais, do combo Crivella x Witzel o caldo entornou. Não bastasse a voracidade da roubalheira do governo Cabral, experimentamos agora a melancolia bélica dos governos em vigência. E os cariocas, acostumados ao ruim, vão blasfemando, reclamando, bradando e tentando soluções para melhorar a cidade maravilhosa.

Eu, que sempre critiquei população e governantes, me sinto menos punida pelos meus textos, pois agora está tudo medonho mesmo. E não passo mais como balzaca-revoltada. Meus posts com hashtag #riodemerda já não causam tanta ira pois estamos desgovernados no mesmo navio negreiro do passado, refugiados em nossa própria terra. E uns heróis anônimos vão se movimentando aqui e acolá para tentar alguma ação eficaz. Nada mexe o ponteiro.

Recebo mensagens, correntes, vídeos de incentivo para que o gigante de pedra acorde e dê um jeito nesta nação de biquíni. Não sei se o banzo da maturidade me invade, mas trago poucas esperanças. O gigante dorme num coquetel de crack e cola. Acho tudo tão pálido. Ruas lotadas de mendigos; violência estampada em cada esquina deste cartão postal; falta de modos e educação de um cinturão de cidadãos alijados; elite lotada de pensões e privilégios que nada fazem a não ser fingir que vivem aqui enquanto se dividem entre Lisboa e Miami.

Já caminharam pelo Centro do Rio? Outrora a Paris de Pereira Passos é um desterro de abandono. Lixo, pichações, fedor, um horror de calor e urina. E eu lembro do meu avô reclamar, do meu pai reclamar e persisto reclamando. Lamento esse texto mas acabei de ser assaltada. #riodemerda 

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