A dona do pedaço

Convido você a relembrar dos antigos amores da juventude

É desconcertante rever um grande amor, já cantava a música. Ao assistir, na trama das nove, a personagem de Juliana Paes desmaiando ao se deparar com Marcos Palmeira, seu antigo par no folhetim, entrei na minha máquina do tempo particular. Revi muitos amores. Senti o cheiro da pele daquele; a gargalhada do outro; o narigão com os maravilhosos olhos azuis de mais um e por aí foi.

Fiz penca de amores. Cachos de salivas e suores. Meti o pé na jaca, graças a Deus. E fico pensando – ao se aproximar a data do Dia dos Namorados – que ter sido rodada, fama ruim de outrora, é patente para as ótimas lembranças hoje. Tenho uma amiga que sempre me diz: “Kika, o que vai ficar foi o que vivemos para – enfiadas em um robe quentinho e pantufas de pelúcia – gemermos os ais e uis como prova de coração quente e um corpo em labaredas” .

E neste espaço semanal convido você, leitora madura, a viajar comigo neste casulo imaginário de lençóis e espumantes, para juntas colocarmos beijos, amassos, mãos bobas de volta ao topo da lista de prazeres. Vai dizer que não se lembra daquele tranco na escola? E os arrochos no drive-in? Na escada do prédio? Até na sacristia da missa ou no escurinho da sala de cinema do clube, eu trago minhas vibrações de volta. Papagaio, Roxy Roller, Castel, Hippo, Itaipava, Búzios, show do Cazuza, lancha em Angra, pilotis da PUC… Beijei muitoooooooo.

Mesmo estando no Tinder, transando adoidado, tendo casado pela quarta vez, o pedido aqui é para embarcar no seu túnel do tempo. É andar de ré na sua régua da vida e lembrar dos seus Migueis, Antonios, Paulos, Albertos, Ricardos. Ver que mesmo não tendo dado certo na época, mesmo tendo acabado mal, mesmo tendo blasfemado todas contra os pústulas, eles valeram a pena. Na soma da equação, a subtração de ontem é a raiz quadrada de hoje, com direito a multiplicação de nostalgias. Obrigada por vocês terem passado por nossas vidas. Novelão à parte, o folhetim foi real e o vale-a-pena-ver-de-novo será eterno em nossos corações. Só love!

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