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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Mais e melhor, Julianne Moore chega aos 60 anos superando tabus

Julianne envelheceu sem interromper a carreira. Além de premiada no cinema e na TV, é também autora de best sellers infantis e ícone fashion

Por Ana Claudia Paixão 5 dez 2020, 14h32

Em dezembro de 2020, Juliane Moore completou 60 anos de vida. Não parece. O que mais surpreende, no entanto, é que ela é uma das raras estrelas da história do cinema que passou bem pela fase desafiadora para atrizes – entre 40 e 60 anos –, quando a oferta de papéis é reduzida e, com sorte, a TV ou streaming seriam os únicos mercados de trabalho. Julianne seguiu transitando entre filmes de arte ou de bilheteria sem que sua idade fosse algum impedimento, como deveria ser, diga-se de passagem.

São 35 anos de carreira, iniciados em uma novela, As The World Turns, em que interpretava gêmeas na linha de “Ruth e Raquel”. Em Nova York, onde estava baseada, além da TV, trabalhava no teatro, participando de montagens de clássicos. Em apenas cinco anos, o cinema bateu na sua porta.

Estreou em um filme de terror, Tales from the Dark Side, e foi coadjuvante de Harrison Ford em O Fugitivo, de Madonna, em Corpo em Evidência, e de Annabela Sciorra em A Mão que Balança o Berço. Seu primeiro papel principal foi a comédia romântica Nove Meses, um filme feito para apresentar Hugh Grant ao público americano, apesar de que era Julianne a grávida de nove meses do título. A partir daí, não parou mais.

Se nas escolhas comerciais de grande porte Julianne nem sempre acerte a mão (trabalhou com Antonio Banderas e Sylvester Stalonne e apareceu na mais fraca das produções de Jurassic Park, por exemplo), seu tino para filmes de arte se provou apurado. O exigente diretor Robert Altman se impressionou com ela em Short Cuts, mas foi com Boogie Nights que Julianne recebeu a primeira das cinco indicações ao Oscar.

Sua participação no clássico dos irmãos Cohen, O Grande Lebowski, é inesquecível. Emendou com Magnolia, Fim de Caso, As Horas e, em 2015, finalmente foi reconhecida pela Academia com uma atuação emocionante em Simplesmente Alice.

O Oscar não mudou o ritmo de trabalho de Julianne. Ela passeia por comédia, drama, filmes de arte e de bilheteria, além de ser ativista feminista e pelas causas LGBT+. Em seu filme mais recente, As Glorias, ela interpreta Gloria Steinem.

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Na moda, Juliane Moore também é ícone. Tom Ford é um amigo pessoal (ela estrelou seu filme de estreia, Direito de Amar), desfilou para Chanel e fez parte da campanha publicitária da Bulgari, entre várias outras marcas.

Casada há 17 anos com o diretor Bart Freundlich e mãe de dois filhos, Julianne é uma escritora infantil de best sellers. São sete livros publicados e contam as aventuras de Morango Sardento (Freckleface Strawberry), uma ruivinha sardenta como a atriz. Os livros já foram traduzidos para o Brasil e estão à venda na Amazon.

Ao chegar aos 60 anos sem ter interrompido a carreira ou perdido os papéis de destaque, Julianne se torna uma das raras atrizes na história do cinema a quebrarem um grande tabu da idade e prova que, se depender dela, tem pelo menos mais 30 anos à frente para seguir nos encantando. Sorte a nossa.

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