Condicionador sólido não é vilão, mas exige este cuidado para não prejudicar a pele
Condicionadores em barra ganham espaço por praticidade e sustentabilidade, mas demandam atenção a riscos de receitas caseiras e acne
A rotina de cuidados com o cabelo passa por mudanças de hábitos ao longo da vida e, se antes os condicionadores líquidos dominavam os banheiros, agora as versões em barra começam a conquistar espaço nas prateleiras e nas nécessaires das mochileiras de plantão, que buscam alternativas práticas para otimizar a mala e evitar restrições em aeroportos.
O produto também tem conquistado o público vegano por utilizar fórmulas livres de testes em animais e embalagens ecológicas. Diferente das versões tradicionais, que possuem alta concentração de água, os condicionadores sólidos apostam em fórmulas mais concentradas e ricas em ativos hidratantes.
Os ingredientes mais comuns utilizados na produção das barras, conhecidos pelo alto potencial nutritivo, são a manteiga de cacau, o óleo de abacate e a manteiga de karité. Esses ativos ajudam a devolver maciez, brilho e hidratação aos fios sem exigir grandes quantidades de produto no uso diário.
O perigo das receitas caseiras
Porém, apesar do apelo sustentável, o crescimento dessa tendência acende um alerta devido à popularização de receitas caseiras nas redes sociais. Antes de tentar produzir o próprio cosmético em casa, é importante pesquisar cuidadosamente a formulação de cada ingrediente, já que combinações inadequadas podem desencadear irritações, alergias e até inflamações no couro cabeludo.
Um estudo sobre estabilidade microbiológica em cosméticos, publicado em 2018 no International Journal of Cosmetic Science, explica que formulações artesanais sem controle adequado de pH favorecem a proliferação de fungos e bactérias, fragilizando o couro cabeludo e causando irritações na pele.
Quando o produto capilar sabota a pele
Os cuidados com a seleção de substâncias que adicionamos ou escolhemos à esses condicionadores podem ocasionar lesões no rosto e no pescoço. De acordo com o dermatologista Felipe Ribeiro, o surgimento de pequenas espinhas na testa, na nuca e até próximo à linha do cabelo pode estar relacionado ao uso dos produtos capilares.
Shampoos, condicionadores, pomadas, géis e finalizadores podem conter substâncias oleosas, silicones e outros ingredientes comedogênicos que favorecem o surgimento da acne cosmética. “Quando aplicadas nos fios, essas substâncias podem escorrer para o rosto e obstruir os poros. Esse processo favorece a proliferação de bactérias e o surgimento de cravos, pápulas e espinhas”, explica o médico.
No caso dos condicionadores sólidos, fórmulas ricas em manteigas vegetais podem deixar resíduos na pele quando o enxágue não acontece de maneira adequada. Por isso, embora os produtos em barra representem uma alternativa prática, moderna e sustentável, a regra continua a mesma: antes de aderir às tendências virais da internet, busque orientação dermatológica. Afinal, quando o assunto é beleza capilar, a segurança faz toda a diferença.
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