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A vida é agora — mas por que é tão difícil entender isso?

Nesta poesia, a escritora Liana Ferraz reflete sobre o passar do tempo

Por Liana Ferraz
16 nov 2025, 16h00 •
Nesta poesia, a escritora Liana Ferraz reflete sobre o passar do tempo
Nesta poesia, a escritora Liana Ferraz reflete sobre o passar do tempo (Pexels/Reprodução)
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  • A vida é agora. Carpe diem. A escola da minha filha termina em dezembro.

    Sou poeta, caros amigos, e é muito comum que eu prefira as abstrações às coisas concretas. Então, quando alguém me disse “a vida é agora”, logo entendi, mesmo que, confesso, tenha ficado sem saber o que deveria fazer com aquilo.

    Estávamos conversando sobre um sonho que tenho alimentado: quero viver com menos, muito menos e morar numa casa bem iluminada na praia. Ao ouvir “a vida é agora”, fui tomada não por um ânimo, mas por uma angústia. A vida é agora, logo, devo morar na praia imediatamente? A vida é agora, mas o agora me escapa inevitavelmente. E agora?

    Carpe diem eu aprendi na escola. Na aula de filosofia, movida e comovida pelo filme Sociedade dos Poetas Mortos. “Aproveite o momento”, ouvi aos meus 16 anos.

    Ali, parecia urgente o êxtase e a adrenalina. Aproveitar o momento seria qualquer coisa que não se parecesse com rotina; seria, talvez, a capa do caderno com alguém pulando de asa-delta.

    Ninguém estamparia um livro ilustrado com uma senhora degustando um café ao fim da tarde e os dizeres “Carpe diem” em fonte cheia de curvas. Adolescente, responderia com a urgência das ruas e dos hormônios à pergunta “se o mundo fosse acabar amanhã, o que você faria hoje?”.

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    O que você faria hoje? Qual livro levaria para uma ilha deserta? Se só pudesse comer um alimento para o resto da vida, qual seria? Para quem vai o primeiro pedaço de bolo?

    Escolhas e funis; definições e renúncias; hipérboles da privação para destacar os eleitos. São só perguntas, eu sei, mas não estão ali justamente para nos obrigar a pensar no sentido da vida (no que se sente e para qual direção caminha-se)?

    A escola da minha filha termina em dezembro. Estamos nessa há 16 anos: eu, ela, o pai dela e a escola somos uma família. É com a escola que sempre contei.

    Com o espaço escolar, com o cuidado, com a interação com outras crianças e adolescentes e com a referência de outros adultos. Está acabando.

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    Levar e buscar. É concreto. As festas juninas. Agora. As amizades e confusões do recreio. Calendário. A cantina, as formaturas, a lista de material escolar. Quase no fim.

    Escrivaninha e um quarto menos cor-de-rosa. A menina cresceu. Sacolas de bichinhos de pelúcia doados ao sobrinho mais novo. Ondas.

    É justamente porque a vida é agora que meu carpe diem tem sido ver entrar no carro a adolescente carregando a mochila.

    Ela chega com humores diversos e histórias todas. Das banais às que eu ouço pensando: essa é inesquecível.

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    Dirigir no trânsito paulistano é bem menos fotogênico do que o pôr do sol que poderia estar experimentando numa varanda que tenho sonhado há tempos, eu sei.

    Está lá na esquina a nova vida em que caminho num azul de dia nascendo na beira do mar. Eu vou virar, eu sei também, mas agora, o agora da vida, é decidir se vamos ouvir pagode, MPB ou funk.

    É cantar alto o conselho de deixar de lado o baixo astral, erguer a cabeça e enfrentar o mal.

    Meu carpe diem mudou. Não seria a pessoa no Woodstock. Se o mundo fosse acabar, desligaria o despertador, dormiria mais um pouco e acordaria minha filha com um cafuné e, se ela quisesse, a levaria para a escola.

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