Vocês estão transando menos? Isso não significa que a vida sexual piorou
Transar menos ao longo dos anos é comum e não significa, por si só, que a vida sexual do casal piorou
A frequência das relações sexuais tende a mudar ao longo do tempo. Seja pela rotina atribulada, por alterações hormonais ou pelos anos de relacionamento, é normal que o sexo passe por mudanças, inclusive que aconteça menos vezes.
A redução não significa necessariamente que o casal esteja menos satisfeito ou que a vida sexual tenha piorado. “Muitas pessoas com relações menos frequentes têm uma vida sexual mais madura, íntima e satisfatória até mesmo do que no começo da relação”, explica Erica Mantelli, ginecologista obstetra e sexóloga.
Há indicativos, aliás, de que a satisfação sexual aumenta com o passar dos anos. No Brasil, a geração nascida entre 1965 e 1980 apresenta o maior nível de contentamento com a vida amorosa e sexual. Segundo a pesquisa global Ipsos Love Life Satisfaction 2026, 67% desse grupo afirmam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com essa área da vida.
Existe uma frequência ideal para fazer sexo?
Não há uma frequência sexual que possa ser considerada ideal para todos os casais. “Há pessoas que transam menos e se sentem próximas de seus parceiros. Em outros casos, a redução vem acompanhada de distância, frustração ou dificuldade para conversar” afirma Veruska Vasconcelos, coordenadora de psicologia do Hospital Alvorada Moema, da Rede Américas.
No início de uma relação, a novidade costuma favorecer o desejo. A chamada fase da paixão envolve maior atividade de neurotransmissores associados à motivação e à recompensa, segundo Erica. “Nesse período, com muita novidade, a dopamina em alta, esse desejo surge sozinho, quase sem nenhum esforço”, diz.
Com o tempo, a rotina, os filhos, o trabalho, o cansaço e até mudanças hormonais causadas pela gravidez, pelo pós-parto, pela perimenopausa ou pela menopausa, por exemplo, tendem a mudar esse cenário. Ao mesmo tempo, Erica afirma que ocorre uma alteração no desejo.
“O desejo espontâneo começa a dar lugar ao que a gente chama de desejo responsivo”, diz ela. “Ele acaba sendo despertado a partir do toque, da conexão emocional, do clima criado ali pelo casal”, explica. Quando isso é trabalhado, segundo a especialista, o sexo pode ser ainda mais prazeroso do que no começo da relação amorosa.
Como manter o desejo sexual em relacionamentos longos
Não esperar que o desejo apareça sempre de forma espontânea também é importante em relacionamentos longos. “Ele precisa de condições para aparecer: tempo, descanso, privacidade, conexão e liberdade para dizer o que agrada ou incomoda”, comenta Valeska.
Isso pode incluir marcar um encontro, separar um período para a intimidade ou até mesmo verificar se as demandas do casal, como os filhos e a casa, estão sendo bem divididas. Ter um horário reservado para o casal viver sua sexualidade também é uma indicação. “Tudo aquilo que é importante na nossa vida tem prioridade e muitas vezes tem horário, tem dia reservado para aquilo”, comenta Erica.
Isso não significa, porém, transformar o sexo em compromisso obrigatório. “O importante é que isso seja um convite, não uma obrigação. O desejo dificilmente cresce quando uma pessoa se sente pressionada a corresponder.”
Beijos, abraços, carícias ou um banho juntos também podem funcionar como formas de aproximação. “Retome gestos de carinho sem a expectativa de que todo contato termine em sexo”, indica Valeska. Isso previne um ciclo em que uma pessoa evitar o contato, porque não deseja transar no momento, e o casal se afasta ainda mais.
Conversar sobre a vida sexual também faz parte desse processo. O casal pode falar sobre o que dá prazer, o que incomoda e as mudanças percebidas ao longo do relacionamento.
Quando a baixa frequência sexual pode ser um problema
Não existe um número de relações sexuais capaz de determinar se um casal está bem. Um sinal de alerta é quando um ou os dois parceiros deixam de estar satisfeitos com a vida sexual. “Não é uma questão de número de relações, mas sim se isso está causando algum tipo de sofrimento”, pontua Erica.
“Se o casal tem relação três vezes por semana e está satisfeito, ótimo. Se o casal tem uma vez por semana, mas os dois estão satisfeitos, isso é um acordo comum, em que para os dois está bom, então está maravilhoso.”
Questões físicas também podem interferir na frequência e no desejo. Dor durante a relação e diminuição da lubrificação, por exemplo, podem fazer com que uma mulher passe a evitar o sexo sem que isso esteja necessariamente relacionado à falta de interesse pelo parceiro.
Nesses casos, buscar avaliação profissional pode ajudar a identificar a causa. “A saúde sexual faz parte da nossa saúde global”, diz Erica.
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