Slow dating: tendência ensina a fugir da superficialidade das redes sociais
A nova tendencia traz a reflexão sobre pensar no parceiro para além de um desejo de consumo
Em um período de rápida propagação de informações e facilidade de comunicação, através das redes sociais e aplicativos de relacionamento, uma nova forma de se relacionar vem ganhando espaço: o slow dating.
A proposta da tendência é desacelerar o processo de conhecer alguém, deixando de lado a pressa por definir a relação ou encontrar rapidamente um parceiro ideal, dedicando tempo e disposição para desenvolver uma conexão verdadeira.
A prática ganhou ainda mais força durante a pandemia da Covid-19, quando as regras de circulação alteraram a maneira como as pessoas se relacionavam, sendo necessário o uso da internet para estabelecer contato social.
O que é slow dating
Ao invés de passar horas deslizando por perfis e acumulando conversas que nem sempre avançam através da internet, quem adota o slow dating tende a selecionar melhor com quem deseja conversar e investir em encontros presenciais que permitam uma troca mais significativa.
Como principio na tendência, é importante não transformar cada encontro em uma espécie de entrevista para descobrir se aquela pessoa pode se tornar um relacionamento: apenas realizar perguntas para saber se aquela pessoa se encaixa nos seus gostos pessoais.
O foco está em conhecer o outro gradualmente, observando afinidades, diferenças, interesses e formas de se comunicar.
Para a psicóloga Juliani Vitorio Damasceno, desacelerar esse processo também pode ajudar a questionar o próprio desejo de estar em uma relação.
“Considerando uma dinâmica social que impõe a necessidade de formar família, cria-se um ideal de que estar em uma relação duradoura é o normal”, explica. Segundo ela, questionar esse modelo permite compreender melhor os motivos que levam cada pessoa a desejar , ou não, um relacionamento.
“Buscar conhecer o outro de fato, com calma, não só para suprir um vazio, também cria um campo possível para conhecer a si mesmo”, afirma.
Para isso, não é necessário abandonar 100% o uso de aplicativos de relacionamento ou estabelecer regras rígidas para os encontros. A proposta é usar essas ferramentas de maneira mais consciente, evitando a sensação de que é preciso estar constantemente em busca de uma nova possibilidade e de um parceiro perfeito.
Por que a tendência ganhou força e segue em alta?
De acordo com um estudo publicado na revista Marketing Theory sobre relacionamentos digitais, as redes sociais deixaram de ser relacionadas apenas à praticidade e as trocas de curto prazo e também se tornaram um espaço de conexões mais duradouras.
Mesmo depois da retomada da rotina presencial após a pandemia, a ideia de desacelerar o romance permaneceu.
“É compreensível que conexões se iniciem e se desenvolvam cada vez mais a partir das redes sociais, mas o contato real e físico exige uma tolerância e um interesse à alteridade do outro inexistente nos aplicativos”, explica a psicóloga.
Observar os próprios sentimentos também se torna importante. Para a especialista, reconhecer o que se sente permite compreender melhor como agir diante de desconfortos e estabelecer relações mais saudáveis.
“Um sentimento nunca some, sempre busca seu caminho de resolução mesmo que reprimido. Portanto, assumir o que sente dá condições maiores de escolha do que fazer com ele”, afirma.
Juliani também destaca que não existe um comportamento único capaz de determinar se alguém está, de fato, disposto a construir uma relação. O primeiro passo seria reconhecer para si mesmo se existe o desejo de estar em um relacionamento e, a partir daí, compreender expectativas e limites.
Entre os elementos que podem indicar uma relação saudável, ela cita comunicação sincera, resolução de conflitos sem agressividade, tempo de qualidade quando há contato presencial e bem-estar emocional e social.
O slow dating representa uma mudança de ritmo e olhar em relação aos relacionamentos humanos. Em vez da urgência de definir rapidamente o que uma conexão significa, a proposta é abrir espaço para descobrir isso ao longo do tempo.
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