Por que Backrooms dá tanto medo? A psicologia explica o terror que está perturbando a internet
Backrooms aposta em um tipo de terror psicológico que transforma corredores vazios em fontes de angústia
Existem filmes de terror que assustam com criaturas, perseguições ou cenas violentas. Outros apostam nos famosos jump scares (sustos repentinos). Mas Backrooms: Um Não-Lugar, novo longa dirigido por Kane Parsons, segue um caminho diferente.
O filme, em cartaz nos cinemas, se apoia em um medo muito mais difícil de definir: aquele desconforto inexplicável que surge quando estamos diante de um lugar familiar que, por algum motivo, parece errado.
É justamente essa sensação que transformou as Backrooms em um dos fenômenos mais curiosos do terror moderno.
O que são as Backrooms?
O conceito surgiu na internet em 2019, quando uma imagem aparentemente banal começou a circular em fóruns online.
A foto mostrava um ambiente vazio, iluminado por lâmpadas fluorescentes, com paredes amarelas e carpete desgastado. Não havia nada explicitamente assustador na imagem.
Mesmo assim, milhares de pessoas relataram a mesma sensação ao observá-la: ansiedade, desconforto e uma estranha impressão de já terem estado ali antes. A partir daí nasceu a lenda das Backrooms.
Segundo a história criada pelos usuários, alguém poderia “escapar da realidade” e acabar preso em um labirinto infinito de salas, corredores e escritórios vazios que parecem existir fora do espaço e do tempo.
Mas o verdadeiro motivo do sucesso das Backrooms vai muito além da narrativa.
O que é horror liminar?
O gênero ao qual Backrooms pertence é conhecido como horror liminar.
A palavra “liminar” vem do latim limen, que significa “limiar” ou “passagem”. São espaços que existem entre um lugar e outro.
Corredores de hotéis. Shoppings vazios. Estacionamentos subterrâneos. Salas de espera. Escritórios desertos. Parquinhos sem crianças.
São ambientes criados para receber pessoas, mas que, quando aparecem completamente vazios, parecem perder seu propósito. E é aí que surge o desconforto.
O cérebro espera encontrar pessoas
Uma das razões pelas quais esses lugares causam estranheza é que nosso cérebro foi treinado para associá-los à presença humana.
Quando vemos um shopping, esperamos encontrar movimento. Quando vemos uma escola, esperamos ouvir vozes. Quando vemos um escritório, esperamos encontrar funcionários.
Quando nada disso acontece, o cérebro entende que existe uma incoerência. Algo parece fora do lugar. Mesmo sem uma ameaça visível, surge uma sensação de alerta difícil de ignorar.
O papel da nostalgia perturbadora
Outro elemento fundamental do horror liminar é a nostalgia.
Muitas imagens das Backrooms lembram ambientes comuns dos anos 1990 e 2000: escritórios antigos, corredores de escolas, centros comerciais, lojas de departamento e prédios corporativos.
São lugares que muita gente frequentou durante a infância ou adolescência. O problema é que essas lembranças aparecem distorcidas.
É como reconhecer um sonho antigo sem conseguir identificar exatamente de onde ele veio.
O diretor Kane Parsons definiu esse fenômeno como uma espécie de armadilha construída pela memória.
As imagens parecem familiares o suficiente para despertar reconhecimento, mas estranhas o bastante para provocar insegurança.
Um medo que reflete o mundo atual
Para Parsons, o sucesso das Backrooms também está ligado a algo maior. Em entrevistas sobre o filme, o diretor relacionou o horror liminar a uma sensação crescente de isolamento que marca a vida contemporânea.
Passamos mais tempo em ambientes fechados. Interagimos menos com vizinhos. Vivemos cercados por espaços funcionais, mas cada vez menos conectados emocionalmente.
Nesse contexto, as Backrooms acabam funcionando como uma metáfora para uma ansiedade coletiva. Não é apenas um corredor vazio. É a sensação de estar perdido em um lugar que deveria fazer sentido, mas não faz.
Como isso aparece no filme?
Em Backrooms: Um Não-Lugar, acompanhamos Clark, um vendedor de móveis interpretado por Chiwetel Ejiofor.
Durante uma crise pessoal, ele descobre um portal que o leva para um gigantesco labirinto de escritórios e corredores impossíveis.
Enquanto tenta encontrar uma saída, sua terapeuta, Mary Kline, interpretada por Renate Reinsve, decide procurá-lo.
A jornada transforma os dois personagens em confrontos vivos com seus próprios sentimentos de solidão, deslocamento e falta de propósito.
O terror, portanto, não está apenas nos corredores infinitos, mas naquilo que eles representam.
Por que Backrooms assusta mesmo sem monstros?
Talvez porque ele explore um dos medos mais universais de todos. O medo de estar sozinho, perdido, de não entender onde está, de perceber que um lugar familiar deixou de fazer sentido.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.







