Tijolinho volta com tudo! Veja 16 formas de usar na decoração
Entre memória construtiva e desejo contemporâneo, o tijolinho aparente retorna aos interiores como símbolo de autenticidade, afeto e identidade no morar
Mais do que história construtiva, o tijolo rústico aparente carrega também histórias próprias, refletindo diferentes períodos da arquitetura e do morar, sem sair de moda. A prova disso está no aumento expressivo das buscas no Google no último mês, em janeiro de 2026. O termo “revestimento tijolinho rústico”, no Brasil, cresceu em mais de 5.000%, segundo dados do Google Trends, mostrando estar em alta mesmo tendo origem há quase um século e não tão perto daqui.
Popularizado nos lofts nova-iorquinos a partir dos anos 1960, quando estruturas industriais passaram a ser ocupadas como moradia, ele carrega até hoje a ideia de autenticidade, liberdade e verdade construtiva. Com o tempo, o que antes era improviso, virou escolha – e o material passou a representar não só uma estética urbana, mas também memória, acolhimento e permanência.
“Hoje, o tijolinho é usado de forma muito mais consciente e intencional. Antes, ele aparecia muitas vezes como um recurso decorativo isolado ou aplicado de maneira repetitiva. Atualmente, o material participa do conceito arquitetônico desde o início do projeto”, explica o arquiteto Diogo Mendes, do escritório João de Barro Arquitetura.
Muito marcante nos últimos anos, o material deixou de ser apenas um elemento construtivo para se tornar simbólico e afetivo, carregando história arquitetônica e complementando diversos estilos, como o industrial e brutalista.
“O tijolo ajuda a dar estilo ao espaço e estabelece um contraponto importante com elementos mais limpos e contemporâneos. Ele traz calor, textura e uma sensação de permanência, sem pesar. Não é sobre nostalgia, mas sobre construir um espaço que seja mais próximo, mais vivido”, declara Claudia Lopes Garrido, sócia do Studio Canto ao lado de Amélia Ribeiro e Tiago Oliveiro.
Diogo concorda e, para ele, o retorno do tijolinho também funciona como uma reação natural a uma arquitetura que, por muito tempo, foi neutra e asséptica. “Após anos de superfícies lisas, tons frios e espaços quase impessoais, sentimos a necessidade de materiais que carregam história, textura e imperfeições”, complementa.
Ainda, o profissional acredita que o tijolinho simboliza um movimento mais amplo da arquitetura contemporânea em direção a uma linguagem mais tátil, mais expressiva e emocionalmente conectada com o usuário. “Ele convida ao toque, cria sombras, revela o tempo, características que vão na contramão de espaços excessivamente perfeitos e impessoais”, diz.
Para se inspirar, abaixo, selecionamos alguns projetos repletos de ideias e soluções. Confira:
Identidade Urbana
Assinado pelo Studio Canto Arquitetura, o Apê Brasa, localizado na Pompeia, em São Paulo, traduz uma leitura contemporânea do estilo industrial ao apostar no tijolo aparente como elemento estruturante do projeto.
Aplicado nas paredes da área social, o revestimento consolida a identidade urbana do apartamento de 72 m² e cria uma atmosfera quente e acolhedora, em diálogo direto com o cimento queimado, o concreto aparente e a marcenaria de madeira. Mais do que estética, o material ajuda a construir continuidade visual e personalidade, conectando o interior ao caráter histórico do bairro.
Interior Vibrante
Assinado pelo SketchLab Arquitetura, este apartamento de 80 m² em Botafogo (RJ) aposta no tijolinho aparente como elemento-chave para aquecer e conferir identidade aos espaços. Aplicado na parede principal da área social e também no lavabo, o revestimento em tom terracota reforça a atmosfera acolhedora desejada pelo jovem casal e funciona como fio condutor da paleta de tons terrosos do projeto.
Em diálogo com a madeira, o concreto aparente e a luz natural abundante, o tijolo ajuda a construir um interior vibrante, maximalista e cheio de personalidade, sem perder a sensação de unidade visual.
Marcas do tempo
Na Fazenda Santa Bárbara, com projeto de interiores da Rubatino Arquitetura, o tijolo aparente é tratado como memória construída. Localizada no interior de São Paulo, a casa preserva os tijolinhos centenários da edificação original, reaproveitados e mantidos aparentes durante a reforma.
Com suas marcas do tempo, variações de cor e textura, o material assume protagonismo e reforça o caráter afetivo do projeto, criando uma arquitetura que valoriza autenticidade, história e a relação sensível entre passado e presente.
Memórias da casa
Localizada no Brooklin Velho, em São Paulo, o projeto do escritório Cavalheiro Arquitetura é uma releitura contemporânea de uma residência paulistana dos anos 1930. Da construção original de 1932, permaneceram apenas algumas paredes estruturais e a lareira, que hoje assume papel central na sala de estar.
O tijolo aparente, preservado e evidenciado, reforça a memória da casa e dialoga com o pé-direito triplo, a abundância de luz natural, o paisagismo interno e uma decoração livre, que mistura peças de design, mobiliário antigo restaurado e criações autorais. O resultado reflete a visão da arquiteta Cris Cavalheiro, marcada pela liberdade de composição, uso expressivo de cores e convivência harmônica entre passado e presente.
Pano de fundo atemporal
Nesta residência em Paulínia (SP), projeto do escritório João de Barro Arquitetura, o tijolo aparente aparece como elemento de conexão entre arquitetura, interior e estilo de vida. Pensada para um casal que valoriza tranquilidade, praticidade e materiais naturais, a casa adota uma linguagem contemporânea de viés rústico, onde robustez estrutural e acolhimento caminham juntos.
Na área social, especialmente na adega integrada à sala de jantar e à varanda gourmet, os tijolinhos centenários foram incorporados ao interior como um gesto de autenticidade e permanência, criando um pano de fundo atemporal, que dialoga com a madeira de reflorestamento, o forro de lambril de cumaru e a atmosfera sofisticada, porém despretensiosa, do espaço.
Leveza e fluidez
Assinado por Luiza Leptich Arquitetura e Nischi Arquitetura, o projeto transforma uma antiga creche em moradia para um casal jovem, apaixonado por música, plantas e objetos de estética vintage.
A descoberta de alvenarias assentadas em barro durante a obra levou à decisão de valorizar os materiais em seu estado natural, evidenciando o tijolo de barro e o concreto aparente com suas marcas, imperfeições e memórias construtivas. A madeira entra como elemento de equilíbrio e acolhimento, enquanto o layout aberto e o mobiliário de linhas contemporâneas garantem leveza e fluidez a uma casa rústica, artesanal e cheia de vida.
Lar jovem
Assinado pelo escritório MNBR Arquitetos, este projeto transformou uma casa dos anos 1950 em um lar jovem, descolado e profundamente conectado à sua história. A estratégia foi criar uma base neutra, quase como uma galeria, para valorizar o acervo artístico dos moradores e a presença abundante de vegetação.
No pavimento social, o cimento queimado cinza-claro garante unidade visual, enquanto a parede original de tijolinho da sala de TV é preservada e ressignificada como pano de fundo para uma composição afetiva de obras, quadros e objetos autorais, reforçando textura, identidade e memória.
Viés industrial
Este apartamento de 100 m², em Pinheiros (SP), assinado pelo MSAC Arquitetura, foi pensado como um grande salão de convivência para um jovem empresário do entretenimento, com rotina dinâmica e intensa. A proposta adotou uma linguagem contemporânea de viés industrial, preservando as materialidades originais da construção – vigas e pilares de concreto, tijolo aparente e piso de taco de peroba – apenas eliminando excessos.
O tijolinho funciona como pano de fundo para as atividades de lazer, trabalho e recepção, enquanto a marcenaria de pau-ferro e a paleta neutra equilibram o espaço, pontuado pelo tom vinho porto em elementos-chave.
Simples, sem exageros
Localizada na Praia de Toque Toque Grande, em São Sebastião (SP), a Casa Pôr, assinada pelo Studio Carlito e Renata Pascucci, traduz uma arquitetura contemporânea de espírito caiçara. Pensada como refúgio de final de semana – e também para locação –, o projeto aposta em linhas retas, grandes vãos e uma relação direta com a paisagem.
Na suíte do pavimento superior, o tijolo de demolição reveste a parede e traz textura, memória e acolhimento, equilibrando a vista aberta para o verde e reforçando a proposta de uma casa de praia natural, simples e sem excessos.
Materialidade rústica
Neste projeto residencial localizado no interior de São Paulo, a arquiteta Juliana Fabrizzi propõe uma leitura contemporânea do morar rústico, valorizando materiais que carregam história e afeto.
Tijolos aparentes, porta de madeira de demolição e o painel ripado de freijó constroem uma base quente e atemporal, enquanto o mobiliário e os objetos escolhidos reforçam a memória familiar e a sensação de acolhimento. O resultado é um interior equilibrado, onde textura, materialidade e identidade caminham juntas.
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