Desejo proibido: o que explica a atração por homens casados?
Entre validação emocional, medo da intimidade e padrões afetivos, especialistas explicam por que a atração por homens comprometidos se repete
Muitas pessoas ficam enlouquecidas ao ver um sujeito que tem uma aliança de casamento, votos matrimoniais e nenhum interesse em romper com a esposa. De fato, uma pesquisa do MeuPatrocínio revelou que 63% das mulheres entrevistadas disseram gostar mais de homens que já têm compromisso.
Ao serem questionadas sobre o motivo, as respostas variaram entre “o casado é ele, não eu” e “estou solteira, não devo nada a ninguém”.
Para muitas pessoas, essa atração não é um episódio isolado, mas um fenômeno recorrente, quase sempre acompanhado de frustração e da sensação constante de estar em segundo plano.
E essa dinâmica não se resume ao sexo, pois envolve uma complexa dimensão emocional, com carência, medo da intimidade e repetição de modelos afetivos aprendidos ao longo dos anos.
Por que tantas mulheres se sentem atraídas por homens casados?
É natural sentir atração por alguém indisponível em algum momento da vida. O problema começa quando isso deixa de ser casual e passa a se repetir. Embora muitas mulheres definam esse comportamento como um “fetiche por homens casados”, os especialistas apontam que, geralmente, não é bem por aí.
“Na maior parte dos casos, não se trata de um fetiche sexual no sentido clássico, mas de uma dinâmica emocional”, afirma psicóloga Larissa Fonseca, doutoranda pela Unifesp. O homem comprometido carrega um símbolo importante: ele já foi escolhido por outra pessoa, já foi validado afetivamente.
“Isso pode gerar uma sensação de valor e desejo”, explica a especialista. Essa validação funciona, para algumas mulheres, como uma espécie de prova inconsciente de valor pessoal: “se ele me escolheu, mesmo tendo outra pessoa, é porque eu sou especial”.
A busca por validação emocional e o desejo de ser escolhida
Mas essa não é a única causa do problema. “A atração humana não é totalmente racional”, afirma a sexóloga Sabrina Munno, da plataforma Doctoralia.
Além da busca por validação, ela destaca como fatores comuns a atração pelo proibido, padrões afetivos aprendidos ao longo da vida e o medo inconsciente de relações disponíveis.
“O que é socialmente proibido pode gerar maior descarga de adrenalina e dopamina, aumentando a excitação”, explica Sabrina. Esses relacionamentos não começam, necessariamente, como casos amorosos. Eles são construídos aos poucos, a partir de vínculos emocionais.
“Muitas vezes, isso começa de forma silenciosa, por meio de desabafos, escuta e criação de vínculos”, diz Sabrina.
Quando o relacionamento proibido realmente inicia, as diferenças entres os interesses dos dois também aparecem. “Do lado do homem comprometido, geralmente há fragilidade no relacionamento oficial, crises conjugais ou distanciamento emocional. Já do lado da mulher, ela raramente se sente prioridade, vive na expectativa e acaba ocupando um lugar de espera”, explica Larissa.
Para algumas pessoas, pode realmente se tratar de um fetiche, mas vale a reflexão. “Fetiches e fantasias são comuns, mas nem sempre precisam ser vividos na prática, especialmente quando causam sofrimento”, lembra Sabrina.
Medo da intimidade e a escolha por relações impossíveis
Por menos sentido que pareça, o interesse por alguém comprometido às vezes é uma forma de autoproteção. Ao escolher alguém que não pode oferecer compromisso pleno, a mulher se afasta, inconscientemente, do risco de uma entrega real.
“Esse tipo de escolha pode funcionar como uma forma inconsciente de proteção emocional. Ao se relacionar com alguém que não pode oferecer prioridade plena, a pessoa evita o risco de intimidade, rejeição direta ou abandono”, afirma Larissa.
Isso tudo pode estar ligado aos modelos afetivos que ela teve na infância. “Figuras emocionalmente ausentes, vínculos instáveis ou relações em que o amor vinha acompanhado de espera e frustração”, exemplifica a profissional.
Assim, o envolvimento com homens casados passa a fazer parte de um roteiro emocional conhecido, ainda que doloroso.
O impacto emocional de se envolver sempre com homens casados
Esse padrão tende a produzir sofrimento contínuo com o tempo, porque a promessa de que “um dia ele vai se separar” raramente se concretiza.
“A pessoa vive relações marcadas por insegurança, comparação, segredo e sensação constante de não ser escolhida por inteiro”, diz Larissa.
O impacto vai além do relacionamento em si. De acordo com Sabrina, é possível haver dificuldade para construir relações estáveis, sentimentos de culpa, conflitos morais, frustração e sensação persistente de estar em segundo plano.
A importância de reconhecer o padrão
Para as especialistas, o primeiro passo para lidar com esse padrão não é o julgamento, mas a compreensão. “É fundamental compreender o que essa escolha está evitando, seja o medo de intimidade, o receio de se expor afetivamente ou a dificuldade de sustentar relações com reciprocidade real”, pontua Larissa.
Entre as estratégias recomendadas estão observar padrões, fortalecer a autoestima, entender o papel emocional dessas relações e buscar apoio profissional. “Autoconhecimento é importante, refletir sobre o motivo dessa repetição também”, acrescenta Sabrina.
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