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Podcasts eróticos: como o áudio virou a nova fantasia feminina

Por que tantas mulheres descobrem o erotismo em podcasts picantes?

Por Mariana Rosetti e Paola Churchill
15 jan 2026, 15h00 •
Pessoa relaxa em uma banheira com luz baixa e vela acesa, em atmosfera íntima que remete ao consumo de podcasts eróticos e ao prazer sensorial feminino.
Em um cenário íntimo e silencioso, o prazer também pode começar pelo som — e pela imaginação. (CLAUDIA/CLAUDIA)
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  • Quando a psicóloga Pamela Duarte, 26 anos, escuta uma voz suave dizer “boa garota” em seu ouvido, sente o corpo estremecer, mas de prazer. O podcast erótico preferido dela começou.

    No escuro do próprio quarto, coloca os fones de ouvido e ganha o poder de ser quem quiser na história que está sendo narrada.

    Imagina o rosto que quiser para o protagonista, ao mesmo tempo que pode ser a funcionária da biblioteca que interage com ele ou, ainda, apenas “assisti-los” na sua própria imaginação.

    Se estava solteira, o homem da história tinha uma fisionomia. Namorando, ele ganhou o rosto do parceiro e o áudio se transforma de simples mídia em fantasia compartilhada.

    Pamela está entre as milhares de mulheres ouvintes assíduas de podcasts com narrações sensuais e audiolivros eróticos.

    A prática ganhou espaço na rotina feminina, seja como forma de relaxamento, reconexão com o corpo ou curiosidade sobre a própria sexualidade.

    Os números comprovam essa tendência. De acordo com o relatório Culture Next 2023, do Spotify, 91% dos jovens da Geração Z usam a plataforma para mergulhar em podcasts, buscando conexões emocionais mais intensas com as produções.

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    O conteúdo sexual, antes restrito a livros escondidos ou à pornografia visual — geralmente orientada para o desejo masculino —, agora ganha formatos mais íntimos e criativos, produzido por mulheres, com responsabilidade e pesquisa.

    O consumidor-alvo? Mulheres com corpos, tempos e desejos reais, que querem experimentar e protagonizar suas narrativas eróticas.

    Aprendendo a ter prazer

    Ouvindo um podcast qualquer, a jornalista Maria Clara Lucci, de 28 anos, pensou “será que existe algum de sexo?”. E assim descobriu os podcasts picantes.

    Criada em uma família religiosa, que não conversava sobre sexualidade, começou ouvindo as experiências de outras pessoas e acabou descobrindo uma nova perspectiva sobre si mesma.

    “Não tinha ninguém pra falar comigo de igual para igual”, lembra.

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    Os podcasts preencheram essa lacuna, desconstruindo tabus, e ensinando conceitos importantes: “Não precisa gozar para ser gostoso, você pode ter prazer no processo.”

    Para a ginecologista e sexóloga Juliana Vieira Honorato, o formato em áudio oferece algo único: a liberdade de imaginar.

    “Quando a gente escuta uma história, a gente fantasia rostos e corpos dos personagens do jeito que nos agrada, e mais estimula”, descreve.

    “A ciência vem mostrando que, independentemente da questão hormonal, a libido feminina é controlada pelos mesmos aspectos neurológicos relacionados a outras formas de sentir prazer”, explica.

    De acordo com a especialista, “quanto mais a pessoa consome conteúdos eróticos ou sensuais, mais aprende a sentir desejo”, pontua.

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    Alternativa ao pornô

    Pamela sempre se sentiu desconfortável com as produções visuais que tinham cenas de sexo por achá-las agressivas. “Mesmo assistindo, não conseguia me reconhecer naquela situação”, explica.

    Conversando com uma amiga que sentia o mesmo, descobriu os podcasts eróticos.

    A indicação foi certeira.

    “Saber que, em vez de dar views para uma produtora milionária [de pornografia] que agride mulheres em todo o mundo, eu estou escutando um criador que faz suas peças sozinho, em casa, com um microfone, criatividade e muito cuidado, é refrescante, para dizer o mínimo”, defende.

    “Sempre preferi histórias bem contadas”, aponta.

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    Na pornografia, “um entregador, do nada, acaba na cama com a protagonista? Como isso aconteceu? Como ele foi parar lá? Quais as sensações dela e por que eu me importo com essas duas pessoas?”, provoca a psicóloga.

    “É muito mais sobre reações sensoriais e emoções do que sobre o ato em si. Sempre preferi ler sobre os pelos arrepiados numa cena de beijo do que ver uma cena crua de sexo sem sentido ou conexão com os personagens. É muito mais sobre o caminho do que sobre a chegada”, reflete.

    A sexóloga Juliana explica que, principalmente na mulher, existe algo chamado “desejo responsivo” — aquele que surge quando um estímulo externo remete a uma experiência prazerosa anterior.

    Para ter desejo fora do período fértil, “precisamos de fato ativar esse tipo de desejo”, e é aí, também, que os conteúdos eróticos em áudio se mostram eficazes.

    Pamela descobriu isso na prática.

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    Foi com a ajuda dos áudios que ela se deparou com gostos que não sabia que tinha.

    “Foi por causa dos podcasts que passei a introduzir a conversa nas minhas próprias relações com meu namorado. Entendi que, se eu gostava tanto que um desconhecido me xingasse no fone de ouvido, provavelmente gostaria que meu parceiro também fizesse.”

    Subindo a régua

    Pensando no prazer e no autoconhecimento de quem ouve, duas mulheres criaram o NUA — um podcast narrativo de contos sensuais que convida mulheres a se reconectarem com seus desejos.

    “Fiz questão de que fosse um projeto feito só por mulheres. A gente queria chegar nelas e falar com elas”, afirma Fernanda Moraes, idealizadora, narradora e diretora.

    No percurso, ouviu relatos como: “Minha irmã está casada há mais de 15 anos e gozou uma vez na vida” ou “eu nem sei o que é gozar”.

    É para essas mulheres que, ao dar play, uma voz grave sussurra nos fones de ouvido: “NUA é um convite para você se despir. Não necessariamente de suas roupas”.

    Gabriela Szulcsewski, diretora criativa e editora do podcast, explica que o despir-se é simbólico — trata-se de abandonar medos, frustrações, traumas, preconceitos e estereótipos. “O NUA é um incentivo para essa descoberta”, afirma.

    O conteúdo é pensado por e para mulheres, a partir de curadoria cuidadosa, escrita colaborativa com autoras, consultas a sexólogas e muito diálogo.

    Cada conto é um chamado para se reconectar com a potência do corpo e para repensar o que aprendemos sobre sexo.

    “Antes, você entrava num sex shop e só via pênis: com veia, sem veia, rosa, preto, branco. Agora tem calcinha vibratória, sugador, bullet, coisas que cabem na bolsa”, diz Fernanda. “Outras possibilidades, que não dependem, necessariamente, de um pênis, para dar prazer.”

    Os podcasts eróticos são construídos para elevar a régua. E talvez essa seja a verdadeira revolução: o prazer como direito, não como concessão.

    Quebrando barreiras

    Para a jornalista Maria Clara, os podcasts cumprem um papel que ela não encontrava em lugar nenhum.

    Um amigo lhe disse algo que mudou sua perspectiva: “A primeira transa não é o sonho que pintam, é um saco a maioria das vezes. Você não sabe nada, não tem privacidade, não tem direcionamento”, relembra.

    Embora não existam estudos específicos sobre podcasts eróticos, pesquisas sobre esse tipo de conteúdo mostram que “quando mulheres consomem produtos eróticos feitos por outras mulheres, aumenta o desejo sexual nelas”, explica.

    A doutora Juliana contextualiza o fenômeno dentro de um movimento mais amplo de autonomia feminina.

    “Com o advento da internet e das redes sociais, ampliamos o acesso à informação, ao conhecimento e ao diálogo sobre o sexo e o prazer das mulheres”.

    Maria Clara, por sua vez, identifica nos podcasts eróticos uma forma de se conectar não apenas consigo mesma, mas com as pessoas ao seu redor.

    “Sexo cria conexão numa rede maior do que a gente pensa: consigo mesma, com o parceiro, com os amigos, até com a família”, se abre.

    Ela cita o exemplo de um almoço com amigos em que contou um causo ouvido em um podcast erótico, algo antes improvável.

    “De repente, o mundo é normal, eu sou adulta, as pessoas contam coisas íntimas para mim porque sabem que não vou julgar”, finaliza.

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