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Traga a natureza para perto das crianças

Trocar tablets e celulares por folhas de árvore e insetos. Impossível? Menos do que parece.

Por Redação M de Mulher 24 jul 2014, 22h00 | Atualizado em 22 out 2016, 16h39
Denise Bobadilha
Denise Bobadilha (/)
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Criança deve brincar na natureza para gastar energia, certo? Em parte. Mais do que uma necessidade meramente física, esse contato é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. Infelizmente, porém, a cada geração a relação com o mundo natural e real é mais perdida. Avós que brincavam em sítios cinco décadas atrás deram lugar a pais que exploravam o terreno vazio da vizinhança, que, por sua vez, trancaram os filhos dentro de muros e condomínios com uma participação controlada no meio ambiente. Como afirma o autor norte-americano David Brooks, “uma infância de vadiagem, contemplação e exploração livres foi trocada por outra de aperfeiçoamentos supervisionados e agendados pelos pais”. O próprio conceito de “gastar energia”, ideia lançada há 150 anos pelo psicólogo Herbert Spencer, é combatido por especialistas modernos: ter contato com a natureza é tocar, respirar, ver e observar os ciclos da vida sem lições obrigatórias.

“Em contato com a natureza, a criança desenvolve o senso de observação de seres vivos em diferentes estágios, com velocidades e necessidades distintas, além de perceber que alguns atos na natureza geram consequências irreparáveis”, explica a psicopedagoga Edimara Lima, da Escola Montessori, de São Paulo. Os benefícios para a saúde também são evidentes. “A exposição diária ao sol por cerca de 15 minutos tem papel anti-inflamatório, de metabolização da vitamina D e até mesmo uma ação antidepressiva”, diz a médica Bianca Seixas Soares Sgambatti, pediatra do Hospital Albert Einstein e da Gran Clinic, de São Paulo. O contato com a terra, com as árvores, com a areia, com o mar favorece a atividade física, o desenvolvimento neuropsicomotor e ajuda a criar anticorpos. “Já a sujeira de dentro de casa, dos ácaros do sofá, não traz nada de bom”, comenta a médica.

Nenhum pai priva o filho desse contato de forma proposital, é claro. A insegurança e a diminuição dos espaços livres nas cidades, substituídos por áreas de lazer planejadas – e, geralmente, mais seguras -, empurram as famílias para um cotidiano encapsulado: por exemplo, do apartamento para o elevador, deste para a garagem e do carro para outro ambiente fechado. Além disso, muitas crianças já entram no automóvel de olho no celular ou no tablet. A pediatra Bianca lembra que a Associação Americana de Pediatria não recomenda o uso de tablets e celulares até pelo menos 3 anos de idade.

Que a volta à natureza é uma utopia todos sabemos. Mas não é preciso programar uma visita semanal ao jardim botânico ou acampar numa reserva para que as crianças tenham essa vivência. No supermercado, por exemplo, pode-se mostrar uma verdura, uma fruta, explicar de onde ela vem, quanto tempo demora para chegar ali; nas ruas, apontar as árvores, observar as estações e incentivar que a própria criança faça comentários e tire conclusões de forma gradativa. “Na escola, mantenho um aquário porque ele permite a observação da vida animal, seu nascimento, crescimento e morte”, conta Edimara. “Assim, os alunos passam a ter a percepção desse ciclo completo e aprendem a cuidar da fauna”, completa. Recolher folhas das árvores, seguir o caminho de uma formiga, ver o trajeto da água da chuva são exemplos simples e fáceis de acrescentar no dia a dia. Podem despertar um resmungo de tédio dos pequenos no começo, mas logo vira brincadeira.
 

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