Tirei a chupeta. Agora ela chupa o dedo!

Seu filho não tira o dedo da boca? Veja o que fazer para ajudá-lo a acabar com este hábito.

 

O pediatra me intimou a tirar a chupeta da minha filha. Ela passou a chupar o dedo. O que devo fazer? (Pergunta enviada por leitora)

Antes de condenar a chupeta ou o hábito de chupar o dedo, é preciso esclarecer que todo bebê tem necessidade de sugar. Esse é um reflexo natural, que começa ainda no útero e proporciona os primeiros contatos com o mundo. Além de permitir que o bebê se alimente, a sucção exerce várias funções importantes para o desenvolvimento: ela acalma, dá segurança, fortalece os músculos da face e, em consequência disso, influencia a posição da arcada dentária. A melhor forma de garantir que a criança supra corretamente essa necessidade é por meio da amamentação. Quando mama no peito, o bebê não está apenas recebendo um alimento completo, mas fortalecendo o vínculo com a mãe e fazendo um esforço muito maior para se alimentar do que se estivesse tomando uma mamadeira. O exercício muscular resultante do aleitamento materno é fundamental para cansar a criança e satisfazer a vontade de sugar, evitando assim que ela busque complementos como a chupeta ou o dedo.

O impulso é normal do nascimento até aproximadamente os 2 anos, de acordo com as características individuais e o desenvolvimento social da criança. À medida que amadurece, o prazer da sucção é substituído pela descoberta do mundo por meio dos outros sentidos, pela fala e pelo contato com outras crianças. Muitos problemas começam, porém, quando, no meio desse processo, os pais introduzem precocemente a chupeta sem observar a real necessidade do bebê. Oferecê-la a qualquer sinal de desconforto, para acalmar o choro, como um objeto de apoio emocional ou uma forma de lazer, ou ainda para substituir a atenção dos pais, pode parecer o caminho mais cômodo, mas envolve riscos em longo prazo. O uso frequente e desnecessário da chupeta instala um hábito extremamente prejudicial à continuidade da amamentação, que pode fazer com que os dentes fiquem tortos, causar desvios no crescimento ósseo da face, alterações na deglutição e até mesmo dificuldades na fala.

Mas, afinal, o que fazer quando a criança já se acostumou a ela? É essencial que o processo de retirada da chupeta seja planejado cuidadosamente pelos pais. A se ver privada de forma repentina de seu objeto de conforto, a criança muitas vezes o troca automaticamente por outro hábito ainda mais danoso: o de chupar o dedo. Atitudes radicais, tais como esconder ou jogar a chupeta no lixo sem consentimento dela, não devem ser tomadas. Ela precisa entender, concordar e participar do processo. Além disso, caso já esteja chupando o dedo, ridicularizar, supervalorizar, menosprezar ou atacar o hábito não são boas atitudes. Podem, inclusive, originar um sentimento de inferioridade e levar a uma reação negativa.

Procure, primeiro, observar se o uso não está relacionado a problemas que a criança enfrenta no ambiente familiar (dificuldades financeiras, separação dos pais, nascimento de um irmão, carência afetiva, stress) ou na escola (competição ou discriminação por parte dos colegas). Caso exista algum fator psicológico associado à questão, é essencial que se busque solucionar a origem do conflito, se possível com o auxílio de um psicólogo, antes de qualquer tentativa de remoção da chupeta. Se não houver nada além do hábito, prepare-se para o processo consciente de que a paciência e o reforço positivo são peças-chave e que frustrações fazem parte dele. Converse com a criança com carinho e use artifícios para ajudá-la a lembrar de não colocar o dedo na boca. Embora existam aparelhos ortodônticos específicos para essa função, o ideal é recorrer primeiro a medidas caseiras simples, que costumam resolver a questão de forma menos incômoda.

Colocar um band-aid no dedo, amarrar um lencinho ou vestir uma luva no momento de dormir são algumas delas. Altas doses de amor, paciência e determinação, porém, continuam sendo os fatores essenciais para que a remoção do hábito ocorra de maneira positiva e sem traumas para a criança.

Fonte: Adriana Modesto, Professora do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Presidente da Sociedade Brasileira de Odontopediatria.
 

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