E se seu filho for gay?

O Instagram Brasil lança série sobre aceitação com influenciadores da rede social e seus familiares

“Você não passa de um retardado mental, mas que sejas feliz dando essa sua b****, nojo eu tenho agora de você”. A frase que abre esta matéria foi enviada por WhatsApp a Fernando Pagani pelo seu próprio pai. 

Entre outras agressões verbais, o homem diz que o filho é a “vergonha da família” e pede para não se encontrarem mais pois poderia o “quebrar na porrada”. Além dessa, ele postou outras mensagens públicas em seu perfil no Facebook.

Pagani é bissexual e cresceu em um lar conservador. Apesar de saber que sua orientação sexual não seria bem recebida pela família, ele conta que chorou bastante após ler a mensagem. “Achei que não fosse sofrer, mas na hora percebi que não estava preparado”, diz.

Na mesma noite, resolveu contar para a mãe, que leu a mensagem e também chorou. Evangélica, ela ainda tem dificuldade em aceitar o filho como é, mas disse que não o abandonaria. O jovem, que já tinha um canal no YouTube, decidiu ir às redes responder ao pai.

“Decidi fazer o vídeo porque ele tinha escrito mensagens para me expor, então eu precisava mostrar minha resposta para quem tinha visto aquilo. Me senti forçado a falar.”

Publicado em 30 de julho de 2018, ele próprio lê as duras palavras que recebeu em um vídeo que soma quase 1 milhão de visualizações. Até hoje não falou mais com o pai.

(O texto continua após o vídeo)

#OrgulhoFamília

Pagani é um dos seis participantes do projeto #OrgulhoFamília, do Instagram Brasil. Lançada no último domingo (2), a série de vídeos tem relatos de influenciadores da rede social.

Matheus Mazzafera é o apresentador que conduz entrevistas com Pagani, Gabi Hebling, Maicon Santini, Lucca Najar, Mandy Candy e Phellyx. Ao lado de seus familiares, eles contam sobre o processo de descoberta e aceitação da própria sexualidade. Os vídeos serão publicados a cada dois dias no canal do IGTV de Matheus.  

“Queremos garantir que o Instagram seja sempre um espaço seguro, positivo e inclusivo para todos se expressarem, especialmente os jovens”, afirma Vinicius Limoeiro, gerente de Comunicação da empresa. “Ouvir e trabalhar ao lado de pessoas da nossa comunidade e instituições é uma maneira de fomentar uma comunidade diversa e positiva em nossa plataforma”, diz. 

O projeto foi desenvolvido em parceria com ONGs que lutam pelos direitos da comunidade LGBTIQ+ no Brasil. Dentre elas está a Mães Pela Diversidade, que conta com cerca de 2 000 mães e pais em todo país. Funciona como uma rede de apoio para quem ainda não sabe lidar com o fato de ter um filho gay, trans, bi, lésbica ou intersexual.

Rede de apoio aos pais

Maria Julia Giorgi, a Maju, é fundadora da ONG e diz que é comum receber mães desesperadas com a situação. “Elas chegam em sofrimento profundo, muitas sofrem até violência física do marido, que as culpam pelo filho não ser heterossexual”, relata.

Apesar do nome, o grupo não é restrito apenas às mães, os pais também podem participar. São os próprios integrantes que recebem os novatos. A depender do caso, eles podem ser encaminhados para receber apoio psicológico, por exemplo.

Nas rodas de conversa, eles se unem para contar suas histórias de vida e, assim, se fortalecer. “Temos mães com filhos apedrejados, pais que perderam seus filhos. A gente foi se unindo para conscientizar a sociedade. Nosso grupo não vê partido político, ideologia ou classe social”, explica.

O Mães Pela Diversidade na Parada do Orgulho LGBTIQ+

O Mães Pela Diversidade na Parada do Orgulho LGBTIQ+ (Arquivo Pessoal/Divulgação)

O filho de Maju é gay e ela começou a perceber isso quando ele tinha 5 anos. Para ela, é preciso tratar a questão com naturalidade. “Não existe erotização ou desejo sexual, isso surge na adolescência como em todo mundo. Mas crianças também se expressam através de suas preferências, do tom de voz, forma de andar… são inúmeras características e não é uma opção, elas são o que são.”

Há cinco anos, o Mães Pela Diversidade se coloca na linha de frente da Parada do Orgulho LGBTIQ+. “É muito simbólico. Somos o escudo: para pegar nossos filhos, vão ter que nos pegar primeiro.”

Para buscar apoio do Mães Pela Diversidade, entre em contato pelo Facebook: https://www.facebook.com/MaespelaDiversidade/

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