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Por que não existe uma Parada do Orgulho Hétero?

Por acaso só os LGBT podem ter orgulho de ser como são?

Por Júlia Warken Atualizado em 20 jan 2020, 12h06 - Publicado em 17 jun 2017, 15h00

Desde que a Parada do Orgulho LGBT foi instituída e começou a ganhar grandes proporções, todo ano muita gente se questiona: Por que ser LGBT é motivo de orgulho? E por que dizem que não faz sentido promover o Orgulho Hétero? Se uns podem se orgulhar, por que os outros não? Por acaso é mais bonito ser LGBT do que ser heterossexual e cisgênero?

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Num primeiro momento, essas perguntas até fazem sentido. Ou ao menos fariam, em uma sociedade em que heterossexuais cisgêneros e pessoas LGBT estivessem em pé de igualdade. Mas, por mais que muitas conquistas já tenham sido alcançadas, a gente ainda não vive nesse cenário.

“Sair do armário” ainda é algo difícil. Muitas pessoas são rechaçadas no núcleo familiar por causa disso e, na vida profissional, o preconceito segue sendo grande na maioria das áreas. Na convivência em sociedade, ainda há muito medo e vergonha. Pare e pense: quantas vezes um casal heterossexual se sentiu acuado ao demostrar carinho em público? Ao dar um selinho? Ao andar de mãos dadas?

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A criação do conceito de Orgulho LGBT não veio para bater de frente com a heterossexualidade alheia, mas sim para criar um sentimento de coletividade dentre aqueles ainda são marginalizados na sociedade. É para poder dizer “eu não tenho vergonha de ser como sou”, por mais que a gente viva numa sociedade onde somos ensinados que ser dessa maneira é algo errado e condenável. Que não é o “certo”.

Ninguém precisa dar a cara a tapa para dizer “sou heterossexual e cisgênero, me aceite”. Você já é aceito automaticamente. E é essa a grande diferença. Os seus direitos já estão amplamente garantidos em se tratando de sexualidade e gênero – seja na convivência em sociedade pura e simples ou no âmbito jurídico.

E é por isso que não faz sentido a existência de uma celebração referente ao orgulho de ser heterossexual ou cisgênero. Que uma coisa fique bem clara: ninguém está sugerindo que nascer LGBT é um prêmio a ser celebrado. A priori, essa é uma questão genética como qualquer outra. A razão do orgulho é o fato de que assumir-se LGBT perante a sociedade segue sendo um ato de coragem e de luta.

 

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