Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: Claudia por apenas 9,90

O que podemos esperar da vida de casada hoje?

Especialistas afirmam: um em cada quatro casais que dividem o mesmo teto se diz infeliz. Antes que a insatisfação vire divórcio, vale perguntar o que podemos esperar da vida conjugal hoje.

Por Liliane Prata
1 nov 2015, 07h00 • Atualizado em 22 out 2016, 15h19
Corbis
Corbis (/)
Continua após publicidade
  • Na peça Querido Mundo, o personagem de Miguel Falabella anuncia: “Casamento é igual submarino – até boia, mas foi feito para afundar”. Não faltam piadas sobre as dificuldades do matrimônio, mas a instituição está longe de falida: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013 foram pouco mais de 77 mil divórcios e cerca de 1 milhão de matrimônios. Ninguém duvida de que existem casais muito felizes; no entanto, os especialistas concordam: eles não são a maioria. O problema está no casamento ou nas expectativas?

    Muita coisa se modificou nas últimas décadas. “Amor, companheirismo e tesão entraram na equação, diferentemente de antigamente, quando os casais se uniam para preservar o patrimônio e tocar um projeto comum: ele era o provedor, ela cuidava da vida doméstica”, assinala a historiadora Mary Del Priore. “Apesar de todas as conquistas, a brasileira continua querendo achar seu príncipe e ter um prazer infinito depois de casada.” O psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, concorda que os anseios mudaram – e muito. “Antes, presença de filhos e prosperidade econômica bastavam para que se considerasse uma união satisfatória. Hoje existem muitas outras exigências, como admirar o cônjuge e ser feliz.” Na visão do psicanalista, agora são colocadas na conta do casamento itens que ele não pode dar. “Mesmo que se faça uma viagem para Cancún a cada 15 dias, o clima de novidade chega ao fim. Uniões longas têm limitações esperadas”, afirma.

    Não há mais a obrigação social de permanecer junto. Porém, divorciar-se (ou resignar-se à infelicidade conjugal) não é a única solução. Se, apesar das insatisfações, o casal tem prazer na convivência, vale ajustar as expectativas à realidade em vez de buscar um novo parceiro ou de manter a relação atual imersa em discussões e cobranças. “Rotina existe em todo casamento”, lembra a psicóloga Giovana Perlin, autora da tese de doutorado Casamentos Contemporâneos. “Quem se separa por isso também se frustrará na próxima relação longa.” Viver solteiro, de paixão em paixão, é escolha de cada um. Mas há alternativas.

    Expectativa: o dia a dia é uma festa X Realidade: pequenas coisas irritam

    “Acordo mal-humorada. No primeiro dia na casa nova, quando ele falou “bom dia”, cheguei a me arrepender. Namoramos por seis anos e confesso que eu esperava brincar de casinha. Logo se estabeleceu uma briga para ver quem lavava a louça e fazia as tarefas domésticas em geral. Depois que nosso filho nasceu, então… Mas outros maridos terão outros defeitos, e eu já sei lidar com os do meu. Vivo bem com ele.”

    Lívia Ledier, 32 anos, professora

    “Adoro ser casada e meu amor é ainda maior que no namoro, mas reconheço que a vida a dois é um malabarismo e entendo quem se separa. A convivência é uma luta, e as pessoas não contam para a gente que é assim. Casei em janeiro deste ano, depois de seis meses de namoro, e pretendo morrer com ele, mas reconheço que a adaptação foi dura.”

    Continua após a publicidade

    Fernanda Trewikowski, 30 anos, radialista

    Palavra do especialista: Nem todos se incomodam com pouco, mas mesmo os mais calmos devem entender que certo desgaste é natural. “A convivência envolve renúncia e disciplina em uma cultura que vê esses valores como arcaicos”, diz Dunker. “É preciso ter tolerância com as diferenças e cuidar da relação”, lembra a psicóloga Maria Luiza Puglisi Munhoz, presidente da Associação Paulista de Terapia Familiar e de Casais. “Sempre reservem horários para algo gostoso a dois. Assim, o carinho acaba superando os desentendimentos.” Também é fundamental e benéfico para ambos manter alguma atividade individual. E, quando estiver fixada nos defeitos do parceiro, faça um esforço para recordar as qualidades dele.

    Expectativa: ter filhos é só alegria  X Realidade: ser mãe e esposa demanda paciência e esforço

    “Estou casada há seis anos e somos felizes, mas é mais difícil do que eu pensava. Não é aquela coisa tranquila, como nas fotos de celebridades.Nosso filho tem 4 anos. Preciso brincar e ficar atenta. E ainda dar um jeito de fazer as coisas de casal, como antes. Quando finalmente arrumo tempo, estou cansada… Ainda assim, adoro dividir a vida com a pessoa que amo. Quero que meu filho cresça vendo que é possível ter uma família.”

    Ana Licya Martins, 32 anos, professora

    Continua após a publicidade

    Palavra do especialista: “As pessoas ficam influenciadas pelas imagens de casais felizes com filhos que veem por aí”, aponta Fábio Scorsolini-Comin, professor de psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. “Não que seja fácil escapar desses modelos, mas é importante estar preparado, saber que a fantasia existe e que afeta o modo como encaramos as situações.” Antes de ter filhos, pense: como minha rotina vai ficar? O que meu tempo e condição financeira permitem? “Na medida do possível, procure espaços para a família, para o casal e só para você”, indica Maria Luiza. 

    Expectativa: romantismo e paixão todo dia X Realidade: vida morna

    “Este é meu segundo casamento e tive a mesma decepção do anterior: a vida a dois cai na rotina muito rápido. Especialmente o sexo: a pessoa está sempre ali, disponível, o que tira um pouco a graça. No fim do dia, nem penso nisso. Estou feliz, acabamos de comemorar dois anos juntos, mas sinto falta do clima de namoro.”

    Luciana*, 32 anos, administradora

    “Estava casada fazia 30 anos quando me apaixonei por outro homem. O caso durou um ano e foi maravilhoso! Mas em nenhum momento pensei em me divorciar. Na verdade, quanto mais desejo eu sentia pelo meu amante, mais tinha claro que meu marido é o amor da minha vida. Entendo que são estados diferentes. Aquela paixão me encantou porque era nova, avassaladora. Com meu companheiro, há uma delicadeza amorosa.”

    Continua após a publicidade

    Olívia*, 53 anos, professora e pesquisadora

    Palavra do especialista: “Aceitar que casamento é diferente de namoro pode melhorar a convivência e diminuir a frustração. Mas isso não significa que o casal deva se acomodar. “O pior inimigo é a preguiça”, afirma Dunker. “Cultivar uma vida intelectual, com cinema, leitura, é essencial para que os cônjuges se acrescentem, tenham o que trocar.” O mesmo vale para o sexo: procure inovar, fazer experimentos eróticos. Sexo seguindo o mesmo roteiro enjoa: tentem diferentes posições e cômodos da casa, por exemplo. Cada vez mais, há quem apele para relações abertas ou até casos extraconjugais. “Os relacionamentos abertos funcionam melhor se o casal já conversou sobre isso, fez um acordo, mas um não fica contando para o outro quando saiu com quem. Mentir é difícil, mas tem uma função”, diz o psiquiatra e terapeuta Eduardo Ferreira-Santos autor de Casamento: Missão (Quase) Impossível (Claridade). Por fim, lembre-se de que a realização pessoal não deve estar totalmente atrelada à vida conjugal. “Há solteiros com vida rotineira. Cabe a você ir atrás de novidades, sendo casada ou não”, aponta Fábio Scorsolini-Comin. 

    Expectativa: casamento é natural para todos X Realidade: para cada pessoa, uma sentença

    “Estou casada há três anos e me sinto sufocada. É muito difícil para mim essa história de dar satisfação de para onde estou indo, a que horas volto. Sem contar que eu morava sozinha antes e me irrito com a bagunça que ele faz, com os barulhos… Insisto porque, no fundo, eu amo meu marido, mas, se a gente se separar, não me imagino casando de novo. Também nunca tive vontade de ter filhos.”

    Camila*, 42 anos, publicitária

    Continua após a publicidade

    Palavra do especialista: Crescemos acreditando que trocar alianças é natural, quando é algo socialmente construído. Assim como nem todo mundo deseja ter filhos, será que o casamento tradicional é a melhor opção para todos? Para Dunker, a resposta é não. “Mas quem não casa tem que ficar justificando para si mesmo e para os outros, pois existe uma cobrança social”, diz. Segundo Maria Luiza, nascemos para a relação a dois. “Mas vivemos em tempos individualistas, o que faz com que muita gente tenha dificuldade de abrir mão do seu espaço para morar junto.” Justamente por isso, vêm surgindo novas soluções depois do “sim” – por exemplo, viver em casas separadas. “Os modelos antigos vão se reestruturando”, afirma Ferreira-Santos. “Já atendi casais que esperam que a união dure até dez anos e tudo bem; assim não há decepção com o fim. Tirar o peso do eterno é uma das saídas possíveis para se sentir bem.” 

     

    *Nomes trocados para preservar a identidade das entrevistadas

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.