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Não existe aluno burro!

Montei um projeto escolar para crianças carentes e provei que todas são capazes

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 07h03 - Publicado em 28 jul 2009, 21h00

“Aprendi que temos mais força e amor 
dentro de nós do que imaginamos”
Foto: Arquivo pessoal

Quando comecei a trabalhar com crianças de comunidades carentes, ouvia sempre: “Ih, esse aí nunca vai aprender. Esquece”. Para provar que não era verdade, juntei alguns voluntários e começamos a dar aulas de reforço escolar para crianças nas comunidades de Paraisópolis, Vila Morse e Monte Kemel, em São Paulo. O projeto começou em 2007. Em pouco tempo aquelas crianças “que nunca iriam aprender” já liam e escreviam. Elas voltaram a acompanhar as aulas na escola e recuperaram a autoestima.

A ideia deu certo

O segredo do projeto é deixar os preconceitos de lado e acreditar que toda criança pode aprender. Depois, basta conversar com o aluno para entender em que ponto ele perdeu o pé e retomar o aprendizado a partir dali. Em uma classe de 40 alunos, o professor não tem tempo e, às vezes, nem a formação necessária para dar atenção a cada um. Aí, elas se sentem mal em dizer que não entenderam e não pedem ajuda. Com isso, uma dúvida simples fica sem resposta e vira uma bola de neve. O que a gente faz é mostrar à criança que não tem nada de errado em perguntar. Mostramos que dúvidas são parte do aprendizado e, aos poucos, devolvemos a autoestima aos alunos. Cada professor atende, no máximo, cinco crianças por vez.

Professores com garra

 
O primeiro ano do projeto foi um caos. A gente fazia reunião quase toda semana, mas os problemas não acabavam. Era professor que faltava, gente que se comprometia e sumia. Mães reclamando, alunos plantados, esperando aula. Mas não desistimos. Com o tempo, as coisas engrenaram. Os professores que ficaram eram os que realmente queriam colaborar. Era um grupo menor, mas com muito mais garra.

Missão cumprida!

Hoje, tenho certeza de que nosso trabalho faz diferença. A gente conseguiu, o reforço deu certo! Todo começo de semestre, quando abrem as inscrições para as aulas, tem uma fila de mães querendo vaga. O projeto virou referência na comunidade. Apesar das dificuldades, o resultado recompensa. É incrível vencer os preconceitos sociais, a preguiça e os interesses financeiros. Eu aprendi que temos mais força e amor dentro de nós do que muitas vezes imaginamos.

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