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Tenho quase 35 anos e nunca namorei: o que ganhei com a solteirice

Aos 35, nunca namorei. Mas é cada coisa linda que construí ao longo dos anos…

Por Clara Novais 18 ago 2026, 19h00
Uma miniatura de mulher em traje de banho vintage sentada na borda de uma xícara de chá grande, decorada com flores azuis e dourado, com um saquinho de chá pendurado na mão. A xícara está sobre uma pilha de livros com capas verdes, em um fundo branco
Uma mulher de 35 anos reflete sobre as maravilhas da solteirice prolongada, que incluem autonomia e amizades sólidas (Imagem Gerada com IA com edição de Evellyn Tavares/CLAUDIA)
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Tenho quase 35 anos e nunca namorei: o que ganhei com a solteirice Priorizar nos meus resultados Google

Eu tenho uma longa trajetória na solteirice. Logo mais, completo 35 anos, e até hoje não apresentei ninguém para a minha família. Tive alguns relacionamentos enrolados, sim, mas nenhum com alguém que ostentasse o título de meu namorado.

Ao que tudo indica, sou especialista em me apaixonar por gente que corre de compromisso, mas isso é papo para o divã. O que eu quero falar com vocês não é sobre a falta, mas sobre as conquistas de ser uma mulher solteira de longa data.

E que conquistas! Começando por ela, que parece óbvia, mas é uma baita raridade para uma mulher na nossa sociedade, especialmente se olharmos historicamente: a autonomia.

Como é bom cuidar da minha própria vida integralmente e tomar grande parte das minhas decisões movida unicamente pelos meus desejos, sem precisar negociar cada uma delas. É claro que, de vez em quando, concilio minhas escolhas com amigos e familiares. Não vivo só. Mas não preciso ficar o tempo todo considerando uma outra parte para decidir o que fazer e onde ir. Minha cabeça, meu guia.

O que se conecta diretamente com outra maravilha da solteirice prolongada: uma forte conexão com meus próprios interesses. E, nesse caso, o benefício está necessariamente atrelado ao longo tempo exercendo a independência.

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Quanto mais escuto apenas a mim mesma para decidir do meu almoço ao destino de férias, mais compreendo o que eu gosto para valer. Assim fica, inclusive, mais fácil de tomar decisões em conjunto quando necessário. Entendendo melhor minhas necessidades e limites, consigo expressá-los com clareza para encontrar formas de conciliá-los com as necessidades e os limites dos outros.

Outra realização fascinante do meu estilo de vida é a conexão profunda com minhas amizades. Entendo que muitas pessoas comprometidas investem em amigos próximos, mas só uma solteira consegue se dedicar a eles com a mesma energia e disponibilidade de uma adolescente.

Isso significa dormir na casa um do outro, acompanhar em procedimentos de saúde, levar para o casamento da prima, ter finais de semanas e férias totalmente dedicados a eles e muito mais. Para todo lugar que quem é comprometido leva o “conge”, a solteira leva um amigo — e isso enriquece demais a relação.

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Eu, por exemplo, divido a casa com uma amiga. Já são cinco anos de parceria. Nós planejamos encontros temáticos para receber os amigos. Deliberamos sobre todos os assuntos que nos rondam. Assistimos a algumas séries juntas. Discutimos sobre os problemas da casa. Temos os nossos rituais. Praticamente uma vida de casadas, mas sem o sexo e os planos para o futuro. Dividimos a rotina com alegria, desafios e muito amor. 

Porém, preciso dizer que só chegamos até aqui tão coladas porque eu, solteira integral, insisti. Houve períodos em que o perfume da paixão a fez se voltar com tudo para a namorada. Me senti deixada de lado. Abandonada. E redistribui parte da energia dedicada a ela para outras amizades, deixando claro que estava ali quando sobrasse um tempinho para mim.

Faz parte, entendo. Mas me pergunto o que teria sido de nós se tivesse feito o mesmo para o outro lado, direcionando parte da minha atenção a um namorado, como fazem tantas pessoas. 

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Provavelmente, nossa conexão não teria sobrevivido com a mesma força. Eu estaria agora contando outra história. Nem melhor, nem pior, mas outra. Por isso, digo: benditos sejam os amigos solteiros, tão pacientes com outros amores que surgem pelo caminho.

É grande o mérito deles (nosso) na manutenção de tantas relações profundas que duram uma vida inteira e que poderiam enfraquecer caso ambas as partes tivessem se dedicado com afinco apenas ao par romântico. 

Não sei se serei solteira para sempre, nem desejo isso. Aprecio as parcerias e tenho curiosidade de navegar por um longo enlace iniciado pela paixão e pelo tesão. Só que a vida que levo hoje não é uma provisória à espera desse encontro.

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É uma vida completa, complexa e repleta de delícias. Se esse amor chegar, quando chegar, encontrará uma mulher realizada, com conexões sólidas e que se conhece muito bem — e essas serão para sempre as minhas maiores conquistas.  

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