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Leitoras contam suas emocionantes histórias de Natal

A vida real também é cheia de contos de fadas! Prepare o lencinho

Por Ana Paula Machado, Gabriela Malta 24 dez 2016, 09h00

Para as leitoras a seguir, o fim do ano é um período ainda mais especial, cheio de boas lembranças e sentimentos. Aqui, elas relatam histórias repletas de amor, saudades, união e alegria

PRIMEIRO ENCONTRO

“Eu tinha 14 anos quando comecei a trabalhar em uma loja de roupas e tecidos na cidade em que morava, Santa Cruz das Palmeiras, no interior de São Paulo. Nas férias do fim do ano, o filho do dono, Antônio, de 19 anos, que fazia faculdade em outra cidade, voltou para ajudar nas vendas. Ele era uma gracinha: educado, gentil e tratava a mãe com muita delicadeza e cuidado. Percebi que ele também estava interessado em mim. A paquera foi aumentando no decorrer do mês. Na noite do dia 24, nos encontramos no baile de Natal do clube. Ficamos juntos a noite toda e, ao me levar para casa, ele me pediu em namoro. Fiquei surpresa e empolgada, mas fiz um charme e disse que precisava pensar. No meu coração, estava resolvido, claro. No dia seguinte, fomos à missa e, depois, para outro baile do clube, onde finalmente aceitei o pedido de namoro do Antônio. Ele é muito romântico e até hoje, quando conta a nossa história para alguém, descreve com detalhes a roupa que eu estava usando, lembra-se de tudo. Namoramos sete anos e, no Natal de 1984, ele pediu minha mão em casamento para meus pais. Em seguida, fui ao encontro da mãe dele e pedi a ela a bênção para nos unirmos. A cerimônia aconteceu em setembro do ano seguinte, ou seja, completamos agora 31 anos de casados. Nossas bodas de prata foram celebradas na mesma igreja e com o mesmo padre do casamento. Com essa memória linda, o Natal passou a ser uma data ainda mais especial para nossa família, pois é a comemoração do começo da nossa história. Antônio faz questão de me dar parabéns e sempre deixa uma lembrancinha – uma rosa e um bilhete embaixo da xícara de café. Fazemos a ceia normalmente, mas no dia 25 saímos para jantar só com nossos três filhos.”

ROSELI ALTARUGIO, 52 anos, de Santa Cruz das Palmeiras (SP)

BRINCADEIRA TRADICIONAL

“Na minha família, o Natal começa com um mês de antecedência, quando nos encontramos para decorar a casa, montar a árvore, sortear o amigo secreto e decidir o que cada um trará para a ceia. A ideia é que todos participem também dos preparativos, pois adoramos a celebração. Evitamos cair na mesmice. Então, sempre criamos uma coisa diferente. Um dos meus sobrinhos é arquiteto e lidera as inovações na árvore: já enfeitamos com CDs antigos, mandalas de barbante e até origamis. Uma vez, minha filha Thaís, hoje com 19 anos, se vestiu de Papai Noel só para arrancar umas risadas do pessoal, já que não temos mais crianças na família. Em 2013, li um texto sobre como as pessoas são os verdadeiros presentes de Natal. De maneira figurada, falava das diferentes personalidades de cada uma: daquelas difíceis de abrir; das que se escondem em várias camadas de embrulho… Achei a mensagem bonita e convenci meu marido e minhas filhas a lê-la em voz alta para todos depois do amigo-secreto. Só que, para entrar no clima de brincadeira, nos fantasiamos de presentes. Recortei sacolas grandes para encaixar a cabeça e os braços e fiz enfeites de feltro para colocarmos no cabelo. Quando aparecemos, a família riu muito, achou divertidíssimo, e isso acabou virando tradição. Anualmente, escolhemos um texto e produzimos fantasias para ser usadas na hora da leitura. O mais legal é que todo mundo entra na onda, vestindo coroas, tiaras com estrelas e até se enrolando em fios de pisca-pisca. É mais um motivo para refletirmos e rirmos juntos. Assim nos lembramos da sorte que temos em compartilhar esse momento.”

IRACEMA MENDONÇA, 52 anos, de São Paulo

CORAL MÁGICO

“O Natal sempre foi um grande evento para minha família. Como meu pai faz aniversário no dia 23, a festa começava aí e só parava no 26. Tenho oito irmãos. Minha mãe, dona Mariinha, cozinhava para todos nós verdadeiros banquetes. Ela também montava a árvore e o presépio e fazia a novena. Quando eu e meus irmãos crescemos e nos casamos, a tradição ficou ainda mais forte. Contando os companheiros e os filhos, juntávamos de 30 a 40 pessoas em torno da mesa. Certa vez, minha mãe fantasiou os netos para um teatrinho antes da ceia. Lembro com carinho da Sara, minha filha, hoje com 22 anos, vestida de anjo. Em 2006, dona Mariinha faleceu e não havia clima para comemorar a data, que era tão especial para ela. A família estava unida, mas tudo parecia triste. Isso até as crianças anunciarem que tinham preparado uma surpresa. Elas nos pediram para sentar e prestaram uma homenagem à avó: cantaram Noite Feliz, a música favorita dela na época de festas. Todos ficaram muito emocionados. Até meu pai chorou. A iniciativa foi tocante e, de alguma maneira, resgatou a presença da minha mãe naquela noite. As meninas haviam ensaiado durante o dia todo conduzidas por uma das primas, que fazia aula de música. Brincamos dizendo que o coral foi o “milagre de Natal” por ter dado certo tão em cima da hora. A apresentação também resgatou em nós a união e a importância de valorizar a família. Hoje, continuamos a celebrar juntos e caprichamos na decoração e nas comidas – eu, inclusive, fiquei com a tarefa de reproduzir a famosa torta de arroz que minha mãe fazia. Ela deve estar feliz no céu vendo que a tradição se perpetua.”

ANA CAROLINA BAPTISTA, 58 anos, de Santos (SP)

COMEÇO DA VIDA

“Eu e meu marido passamos dois anos tentando ter um filho, mas eu não conseguia engravidar. Depois de uma batelada de exames, descobri que tinha endometriose e me submeti a uma cirurgia para tentar reverter o problema. A expectativa era alta, mas o procedimento não mudou minha condição e fiquei destruída. O médico me acalmou e falou sobre técnicas de inseminação. Enquanto tinha que lidar com essa notícia difícil, minha mãe, já debilitada por causa do Alzheimer avançado, sofreu um AVC. Sabia que as chances de recuperação eram mínimas e deixei meu sonho de ter um filho de lado para cuidar dela. Meses depois desse turbilhão de emoções, resolvemos comemorar o aniversário do meu marido para melhorar o astral em casa. Demos uma festa animada; eu comi e bebi bastante. No dia seguinte, acordei enjoada e passando mal. Achei que era culpa dos abusos no dia anterior, mas minha empregada levantou a possibilidade de uma gravidez. Por desencargo de consciência, fiz o exame enquanto esperava meu marido passar pelos testes de fertilidade no laboratório. Nem acreditamos quando saiu o resultado positivo. Ficamos eufóricos. A chegada do bebê estava prevista para a última semana de dezembro ou a primeira de janeiro. Na noite do dia 24, comecei a sentir dores diferentes, cólicas, mas não suspeitei que fosse o trabalho de parto e segui para a ceia. As contrações ficaram mais fortes e, às 22 horas, corri para o hospital. Gustavo nasceu às 6 horas do dia 25. O que me deixou mais feliz foi poder apresentá-lo à minha mãe, que faleceu meses depois. Neste ano, ele comemora seu primeiro aniversário e, para nós, o Natal ganha ainda mais importância.”

EDNEIA CUNHA COSTA, 37 anos, de Cosmópolis (SP)

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