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Generosidade e compaixão ajudam a viver melhor

Poucas coisas são tão gratificantes quanto fazer a diferença na vida das pessoas, sejam elas próximas a nós, sejam desconhecidas. Pratique a generosidade e a compaixão para viver em um mundo melhor

Por Redação M de Mulher 26 mar 2012, 21h00 | Atualizado em 16 jan 2020, 15h34
Reportagem: Raphaela de C. Mello – Edição: MdeMulher
Reportagem: Raphaela de C. Mello - Edição: MdeMulher (/)
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“A convivência amorosa entre os seres humanos é uma atitude inteira, operada por mente, fala e corpo”, diz Ricardo Sasaki, psicólogo clínico e diretor do Centro de Estudos Buddhistas Nalanda
Foto: Istockphoto

Ganhar na loteria, receber uma promoção, sentir-se amada, esbanjar saúde, adquirir a casa própria. Sim, a felicidade tem muitas caras. Mas qual delas é, de fato, permanente? Sábios e mestres espirituais de diferentes tradições vêm repetindo há milênios uma verdade difícil de ser posta em prática nestes tempos de busca desenfreada por satisfação pessoal. Dizem os iluminados que o contentamento genuíno é fruto do comprometimento com o bem-estar alheio. Simples assim.

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“Quanto mais nos importarmos com a felicidade dos outros, maior será nossa própria sensação de bem-estar”, afirma o líder espiritual Dalai Lama. “Segundo pesquisadores, fazer as outras pessoas felizes demonstra ser um caminho rápido para a própria felicidade, e seu efeito é duradouro”, corrobora o indiano Deepak Chopra no livro O Caminho para a Felicidade Suprema – Sete Chaves para uma Jornada de Alegria e Iluminação (Rocco).

Estudiosos da psicologia positiva traduziram essa mensagem antiquíssima em números. De acordo com essa corrente, a felicidade depende 40% de fatores genéticos, 10% das condições de vida e 50% de escolhas voluntárias, sobretudo, da disposição para fazer a diferença na vida dos que nos cercam.

“Foi provado que servir ao próximo desinteressadamente, assim como a prática de exercícios físicos, estimula a produção de endorfina. Da mesma forma, saber que seu dinheiro vai para uma boa causa ativa os mesmos centros de prazer no cérebro, que são estimulados por comida e sexo”, revela Susan Andrews, americana radicada no Brasil, doutora em psicologia transpessoal e conferencista, no livro A Ciência de Ser Feliz – Conheça os Caminhos Práticos que Trazem Bem-Estar e Alegria (Ágora).

Mente e corpo respondem incrivelmente bem à bioquímica do altruísmo. Segundo Susan, seres bondosos e generosos passam pela vida com larga “vantagem” em comparação aos egocêntricos. Eles são menos propensos a desenvolver quadros de depressão, nutrem uma percepção positiva acerca de seus semelhantes, são fisicamente mais saudáveis e autoconfiantes e ainda sabem dar significado e valor aos acontecimentos.

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Apoio mútuo

Num mundo individualista e competitivo como o nosso, em que grande parte das pessoas visa aos próprios interesses, pode ser desafiador evitar que a vida gire em torno dos desejos e das necessidades individuais. “Eis uma tarefa difícil, porque as exigências do mundo atual nos pressionam para sermos individualistas e pensarmos em nós mesmos antes de tudo”, reconhece frei Zanon, que enfatiza a urgência de retomarmos o sentido do amor ágape, aquele que não espera nada em troca.

Talvez o egocentrismo arrefeça, se prestarmos mais atenção na leveza de espírito e no sorriso maroto dos que se comprazem em servir ao próximo. Uma propaganda, no mínimo, instigante. “Os benefícios da generosidade são muitos, mas o principal é uma vida mais feliz e com qualidade. Basta ver a alegria das pessoas que fazem voluntariado. Uns poucos minutos dedicados ao outro é suficiente para iluminar um dia ou uma semana inteira”, sublinha o religioso.

A busca por autossatisfação pode gerar frutos, mas, certamente, estes serão limitados, avisa Sasaki. “É como o ato de acender uma vela. Inicialmente, pensamos que estamos ganhando luz e calor, mas não percebemos que, ao mesmo tempo, tanto o pavio quanto a vela estão sendo consumidos”, compara. Em outras palavras, há vivências e aprendizados muito mais significativos habitando a imensidão que existe fora de nosso umbigo. “Não vemos que, ao buscar a felicidade e os prazeres apenas para nós mesmos, estamos estreitando nosso foco, diminuindo nosso campo de visão”, alerta o psicólogo.

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Ainda bem que, de tempos em tempos, a compaixão cutuca nossos corações. Graças a ela, saímos de nosso casulo para estender a mão a quem precisa. Pela etmologia, esta palavra quer dizer “sofrer com”, ou seja, compartilhar a dor alheia. Entretanto, a verdadeira compaixão é muito mais do que sentir pena de alguém ou fazer caridade. “Ao nos colocarmos no lugar de quem sofre, devemos fazer algo para diminuir esse sofrimento. Não basta simplesmente reconhecer e aceitar as agruras do outro, mas ajudá-lo a superar as adversidades”, ensina o frei.

Por isso, todos os dias, antes de iniciar as atividades, reserve 20 minutos para se sentar de forma relaxada, numa cadeira ou no chão, direcionando o foco da atenção para o centro da testa. De olhos fechados, considere-se portadora de um corpo que encerra seu verdadeiro ser, cuja natureza essencial é o amor em estado puro. Imagine, então, que seu coração é um farol a disseminar luz e afeto para o mundo a sua volta. Abra os olhos e permaneça o resto do dia conectada a essa experiência.

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